"Portugal só tem de estar grato a Pichardo. Chefe de missão teve conversa com Nelson Évora"

Presidente do Comité Olímpico de Portugal diz que ao escolher Portugal "como seu país", Pichardo passou a representar o seu povo. Sobre a polémica com Nelson Évora, referiu que "nenhum talento está acima de Portugal".

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) disse este domingo que o país "só tem de estar grato por um atleta de tão elevado talento ter escolhido Portugal para viver", sobre o campeão olímpico do triplo salto Pedro Pichardo.

O português venceu a prova com um salto de 17,98 metros, e José Manuel Constantino falou da polémica da sua naturalização, em 2017, após chegar de Cuba para representar o Benfica, numa conferência de imprensa de balanço dos Jogos Olímpicos Tóquio2020.

"Nas missões olímpicas, incluindo medalhados, já houve atletas que não nasceram em Portugal, se naturalizaram, e já tinham representado o seu país nos Jogos, coisa que não tinha acontecido com Pichardo", afirmou.

De resto, tendo escolhido Portugal "como seu país", passou a representar o seu povo e, lembrou Constantino, fê-lo com orgulho, tornando-se na capital nipónica o quinto campeão olímpico da história nacional.

"É uma situação que facilmente se supera, porque o que é importante é que é um cidadão que escolhe Portugal, traz a sua família, quer ser português, representar Portugal, e foi o talento, qualidade, esforço e entrega que fez com que todos, mesmo todos, nos emocionássemos quando a bandeira subiu e cantámos o hino nacional. Devemos-lhe esse momento. E ele também o sentiu", analisou.

"A nossa missão tinha 92 atletas. Nesses 92, 16 correspondente a seis modalidades, em 17, não nasceram em Portugal. Destes 16, cerca de seis atletas não nasceram em Portugal, mas vieram porque os pais procuraram Portugal. A formação desportiva é feita em Portugal, não fora. Isto significa que 88% da nossa missão olímpica tinha atletas cuja formação desportiva foi em Portugal", lembrou.

Neste caso, considerou o dirigente, "as coisas tiveram a dimensão que tiveram" porque "houve uma medalha de ouro" e "uma naturalização feita em condições que são conhecidas", depois de "um conflito relativamente a uma mobilidade associativa".

Constantino referia-se à polémica transferência de Nelson Évora, campeão olímpico em Pequim2008, do Benfica para o Sporting, seguida da contratação de Pichardo pelos 'encarnados'.

"Não é novo na sociedade portuguesa. Recordo-me da polémica que houve relativamente à naturalização de Alfredo Quintana. Do que se escreveu e disse. Hoje todos reconhecemos que Alfredo Quintana, que teve um desaire na vida que o fez perder a vida prematuramente [no início do ano], era um elemento essencial, que todos reconhecem, inclusive os que criticaram, da seleção nacional de andebol", comparou.

Questionado sobre o apoio de Nelson Évora, que se despediu dos Jogos Olímpicos na qualificação, a Hughes Fabrice Zango, do Burkina Faso, medalha de bronze na final que deu o ouro a Pichardo, disse não ter assistido, conhecendo apenas "relatos".

"O que tenho a dizer é que Portugal deve ter o maior apreço e admiração pelos seus atletas e sobretudo uma grande admiração por aqueles que, além de nos representarem, são talentos nacionais, com prestações de caráter internacional que a todos nos devem orgulhar. Mas nenhum desses nossos talentos está acima de Portugal", declarou o líder do COP, em conferência de imprensa.

"Estamos aqui a representar Portugal, não nos estamos a representar a nós próprios. E nessa circunstância uma representação nacional deve exigir de todos um sentido de companheirismo, de colaboração e de entreajuda. Porque quem sai a ganhar é Portugal. Independentemente dos estados de alma que cada um tenha relativamente aos seus colegas de profissão ou de missão", acrescentou Constantino, revelando ainda que "o chefe de missão Marco Alves teve uma conversa com Nelson Évora".

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