Pela sexta vez, a 3.ª consecutiva, em nove participações em mundiais, Portugal apurou-se para a fase a eliminar, mas o nível exibido na fase de grupos mostrou uma equipa abaixo do esperado, a nível emocional e exibicional.Mesmo acreditando que Roberto Martínez sabe o que está a fazer, como já teve de o dizer como justificação para os empates frente à República Democrática do Congo (1-1) e à Colômbia (0-0), que fizeram esquecer a goleada ao Usbequistão (5-0), a passagem em segundo lugar aos 16-avos-de-final tem um histórico de eliminação precoce. Das duas vezes em que se apurou sem ser na liderança, Portugal terminou eliminado no jogo a seguir, nos oitavos-de-final. A seleção conseguiu ainda chegar à fase a eliminar em 1966 (terceiro lugar), 2006 (quarto lugar), 2010 e 2018 (oitavos de final) e 2022 (quartos de final), e foi eliminado na fase de grupos em 1986, 2002 e 2014. Evitar repetir 2010 e 2018 é o grande objetivo para o duelo com a Croácia, na madrugada de 3 de julho (00h00). Se a seleção eliminar os croatas, poderá defrontar a Espanha logo nos oitavos de final, caso os atuais campeões europeus também se apurem. Depois, nos quartos de final, a equipa das quinas poderá cruzar com Bélgica (defronta Senegal) ou com o coanfitrião EUA (joga com a Bósnia- Herzegovina). Nas meias finais, Alemanha ou França (que podem encontrar-se logo nos oitavos) surgem no horizonte. Os Países Baixos também poderiam calhar em sorte nas meias, ao contrário de Brasil, Argentina e Inglaterra, que ficam no outro lado do quadro e, por isso, só poderão ser adversários numa hipotética final. Só assim será possível ver mais um duelo entre Ronaldo e Messi.Críticas a nível globalNo fim do encontro de Portugal com a Colômbia (0-0) no Estádio Hard Rock, em Miami, a crítica foi unânime em destacar a falta de inspiração ofensiva da seleção treinada por Roberto Martínez, que não escapou à língua afiada dos comentadores e adeptos. O jornal francês L’Equipe, por exemplo, publicou que os portugueses “tiveram uma atuação apagada” perante os vice-campeões sul-americanos, que “dominaram a posse de bola, mas não lograram marcar”. Na publicação britânica The Guardian podia ler-se que Ronaldo foi “facilmente neutralizado” pela Colômbia, quatro dias depois de ter bisado frente ao Usbequistão (5-0) e se tornar o primeiro a marcar em seis edições. E para o espanhol Marca, o empate teve “sabor a ouro para os cafeteros” e Portugal escolheu o caminho difícil da fase a eliminar, destacando a ineficácia dos colombianos e a atuação do guarda-redes Diogo Costa.No Brasil, o Globoesporte sublinhou que a Colômbia “mereceu ser líder” do Grupo K, frente a um adversário “extremamente lento” em posse, enquanto “Cristiano Ronaldo sofreu com o intenso calor e a forte marcação”.E o jornal italiano La Gazzetta dello Sport deu conta do reencontro na fase a eliminar entre Ronaldo e Modric, que jogaram seis épocas juntos no Real Madrid e vão capitanear Portugal e Croácia em Toronto, no Canadá: “Portugal foi mau demais para ser verdade e colocou Ronaldo do lado oposto de Messi na próxima fase. Só nos resta vê-los na final e que história incrível seria.” Lionel Messi vs. VozinhaA fase de grupos vai ficar marcada por um feito histórico do futebol africano, com um número recorde de nove seleções da Confederação Africana de Futebol (CAF) a garantir a presença na fase a eliminar. A seleção de Cabo Verde é uma delas. Os tubarões azuis vivem um conto de fadas no seu primeiro Mundial, tendo passado à fase a eliminar depois de três empates. Mas não foram três empates quaisquer. Foram conquistados diante da campeã europeia Espanha (0-0), num jogo em que emergiu Vozinha com oito grandes defesas - exibição que lhe valeu o estrelato mundial e cerca de 17 milhões de seguidores nas redes sociais - e frente ao Uruguai (2-2) e à Arábia Saudita (0-0). Segue-se a Argentina de Lionel Messi, que tem tido o pé quente, no dia 3 de julho, às 23h00. Dos 215 golos marcados nos 72 jogos da fase de grupo (2,99 por partida, a melhor média de golos desde 1958), seis foram de Messi, que lidera a lista de melhores marcadores e enfrentará no próximo jogo a sensação deste Campeonato do Mundo de Futebol, a seleção de Cabo Verde e o guarda-redes Vozinha. O argentino defende o título conquistado no Mundial 2022 e tornou-se o maior goleador em mundiais, agora com 19 golos marcados, depois de superados os 17 de Miroslav Klose. Além de Cabo Verde e do Gana de Carlos Queiroz - que era um dos possíveis adversários de Portugal mas vai jogar com a Colômbia que venceu o Grupo K (jogo será na madrugada de sábado 2h30) -, apuraram-se também para os 16 avos de final África do Sul, Marrocos, Senegal, Costa do Marfim, RD Congo, Egito e Argélia. isaura.almeida@dn.pt .As coisas boas do jogo com a Colômbia ainda são poucas para quem quer fazer o que ainda não foi feito.De Messi a Ronaldo com escala em Cabo Verde. Uma viagem pelos recordes já batidos neste Campeonato do Mundo