Portugal fora das decisões no Mundial de ciclismo conquistado por Brandon McNulty
Federação Portuguesa de Ciclismo

Portugal fora das decisões no Mundial de ciclismo conquistado por Brandon McNulty

O norte-americano atacou a 32 quilómetros da meta e resistiu sozinho até ao fim em Montreal, dando aos Estados Unidos o primeiro título mundial de estrada desde Lance Armstrong, em 1993.
Publicado a: 
Atualizado a: 

Portugal não conseguiu colocar qualquer corredor na luta pelas medalhas na prova de fundo de elite masculina dos Campeonatos do Mundo de ciclismo de estrada, disputada este domingo em Montreal, no Canadá. A corrida terminou com a vitória surpreendente do norte-americano Brandon McNulty, que atacou a 32 quilómetros da meta, aproveitou a falta de entendimento entre os favoritos e sustentou uma fuga solitária até à linha de chegada.

McNulty devolveu os Estados Unidos ao título mundial de estrada 33 anos depois da vitória de Lance Armstrong, em 1993. Aos 28 anos, o corredor da UAE Team Emirates-XRG assinou o maior triunfo da carreira numa corrida de 273,2 quilómetros, marcada por um ritmo muito elevado, sucessivos ataques e pela dureza das doze passagens pelo circuito do Mont-Royal.

O australiano Michael Matthews foi segundo, vencendo o sprint do grupo perseguidor, e Mathieu van der Poel, dos Países Baixos, fechou o pódio. Quinn Simmons, também dos Estados Unidos, terminou em quarto, enquanto o mexicano Isaac del Toro, apontado como um dos grandes candidatos ao arco-íris, foi quinto. 

A Seleção Nacional apresentou-se com João Almeida, Afonso Eulálio, António Morgado, Ivo Oliveira, Nelson Oliveira e Tiago Antunes, mas acabou afastada das decisões de uma corrida que rapidamente se tornou seletiva. O resultado português fica abaixo das expectativas, sobretudo tendo em conta o momento de forma de Eulálio e a qualidade dos corredores escolhidos para uma prova onde Portugal tinha condições para procurar uma presença mais relevante.

Afonso Eulálio chegava a Montreal depois de ter sido nono no Mundial de Kigali, em 2025, e de ter repetido essa posição no Grande Prémio de Montreal, há duas semanas, numa corrida disputada em estradas muito semelhantes às do Campeonato do Mundo. João Almeida era outro dos nomes capazes de assumir responsabilidade, apesar de uma época condicionada por problemas físicos, enquanto António Morgado chegava como campeão nacional e uma das figuras emergentes do ciclismo português.

O percurso canadiano, porém, não permitiu margens de erro. Depois de uma longa aproximação ao circuito urbano de Montreal, os corredores enfrentaram doze voltas a um traçado exigente, com subidas repetidas e uma meta em falso plano ascendente na Avenue du Parc. O acumulado de esforço fragmentou o pelotão e deixou os principais candidatos cada vez mais isolados.

Sem Tadej Pogačar, bicampeão mundial ausente após a queda sofrida na Volta a Espanha, a corrida ficou sem uma referência dominante. Remco Evenepoel, Mathieu van der Poel, Wout van Aert, Tom Pidcock, Primož Roglič, Del Toro, Paul Seixas, Ben Healy e Giulio Ciccone passaram por diferentes momentos de protagonismo, mas nenhum conseguiu encontrar a combinação certa entre força e entendimento tático para neutralizar McNulty.

A fase decisiva começou a desenhar-se a cerca de 90 quilómetros do fim, quando os ataques se sucederam nas subidas do Mont-Royal. Van der Poel, Roglič, Simmons e Oscar Onley chegaram a integrar um grupo adiantado, mas a corrida voltou a reorganizar-se nas voltas finais. A partir daí, os Estados Unidos tiraram partido da profundidade da sua equipa, com Simmons e Matteo Jorgenson a condicionarem a perseguição.

McNulty atacou quando os rivais esperavam que Del Toro, seu colega na UAE Team Emirates-XRG, assumisse a perseguição. O norte-americano conseguiu abrir espaço e, mesmo quando Pidcock, Van der Poel e outros perseguidores aceleraram, conservou uma vantagem suficiente para entrar isolado no último quilómetro.

Na chegada, McNulty teve tempo para olhar para trás e celebrar uma vitória que parecia improvável no início do dia. O corredor norte-americano já conhecia bem as estradas canadianas: vencera o Grande Prémio de Montreal em 2025 e fora terceiro na edição deste ano. A experiência no circuito e a capacidade de manter o esforço em terreno acidentado foram decisivas para a conquista do título.

O triunfo encerra uma semana de Mundiais com vários resultados de relevo. No contrarrelógio masculino, Remco Evenepoel alcançou o quarto título mundial consecutivo, confirmando a supremacia na especialidade. Nelson Oliveira e Ivo Oliveira foram 20.º e 21.º, respetivamente, ambos a pouco mais de 20 segundos do top-10. 

Na prova de fundo feminina, disputada no sábado, a neerlandesa Demi Vollering conquistou pela primeira vez a camisola arco-íris, impondo-se ao sprint à polaca Kasia Niewiadoma-Phinney. A italiana Elisa Longo Borghini foi terceira, a quatro segundos. 

Nos escalões jovens, o melhor resultado português pertenceu a Daniel Moreira, 14.º na prova de fundo de sub-23, a 1m19s do norte-americano Ashlin Barry. Rafael Barbas foi 41.º e Daniel Lima 44.º. Marta Esteves terminou a corrida de juniores femininas no 50.º lugar.

Diário de Notícias
www.dn.pt