O avançado neerlandês Sydney van Hooijdonk, na foto em ação frente ao AFS, é um dos 27 jogadores estrangeiros do Estrela da Amadora.
O avançado neerlandês Sydney van Hooijdonk, na foto em ação frente ao AFS, é um dos 27 jogadores estrangeiros do Estrela da Amadora.FOTO: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

Portugal e Inglaterra têm as ligas mais estrangeiras. E não há quem bata o Estrela

Só 28,22% dos jogadores da Liga Portugal e da Premier League não são de fora do país. Entre os 10 principais campeonatos, o checo é o mais nacional. Mas isso impacta nas seleções?
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A cada 10 jogadores da Liga Portugal, pelo menos, sete são estrangeiros. A percentagem de jogadores nacionais nos campos portugueses, 28,22%, é exatamente a mesma de ingleses na Premier League. Os dois campeonatos são aqueles com menos atletas nacionais nos plantéis dos 18 e 20 clubes que, respetivamente, os compõem. No extremo oposto, analisadas as 10 ligas que mais investem na Europa, está a Chance Liga, da República Checa, seguida de perto pela milionária La Liga espanhola.

Com o amadurecimento da Lei Bosman, do Tratado de Maastricht e de outros fatores sociais e políticos, a livre circulação de futebolistas tornou-se regra. Mas nalguns país é mais regra do que nos outros, concluiu o trabalho de Paul Kemp, pesquisador do site Sportingpedia, ao analisar e comparar as 10 principais ligas europeias com dados do Transfermarkt e de outras plataformas.

Em Portugal, do total de 489 jogadores espalhados pelos clubes da primeira divisão, 351 não são portugueses. Em Inglaterra são 379 estrangeiros em 528 jogadores, o que deixa as duas ligas com a citada percentagem igualzinha de 28,22%. O exemplo máximo de equipa multinacional em Portugal e na Europa é o Estrela da Amadora, com 27 estrangeiros, um a mais do que o Verona, da Serie A italiana, e mais quatro do que o gaulês Lyon e o britânico Sunderland, ambos com 23.

Com 29 jogadores, o Athletic Bilbao só tem espanhóis - ou melhor, bascos, conforme política centenária do clube. Sinal dos tempos, nove deles têm dupla nacionalidade, de Laporte, nascido no País Basco francês, aos irmãos basco-ganeses Iñãki e Nico Williams.

Coletivamente, a Chance Liga, campeonato checo, destaca-se como a única liga onde os jogadores nacionais se aproximam de três quintos do total: 279 jogadores checos de 475, ou seja, uma quota de 58,74%, a mais elevada da amostra.

Mas talvez mais relevante é o facto de logo a seguir virem os espanhóis, donos de uma das ligas mais ricas e, por isso, mais compradoras em potencial de talento global - o citado Athletic ajuda nos números… No total, La Liga regista 290 jogadores nacionais de 517, ou seja, 56,09%, situando-se entre os campeonatos checo e o neerlandês. A Eredivisie é a terceira e última liga com jogadores nacionais acima dos 50%: 254 de 497 (51,11%).

A partir da liga turca, com 53,03%, os estrangeiros são maioria. Seguem-se a alemã Bundesliga, a francesa Ligue 1, a liga belga e a Serie A italiana, aquela que em números absolutos, 367, tem mais estrangeiros, antes de chegarmos às mais internacionais de todas, a inglesa e a portuguesa.

E o número de estrangeiros na liga doméstica de um país traduz-se no desempenho das seleções? Pode deduzir-se que não. Afinal, a República Checa, cuja liga é a mais nacional, vive crise na seleção: não se apurou para os mundiais de 2010, 2014, 2018 e 2022 e ainda disputa play off para chegar ao de 2026.

Já a seleção inglesa vive o melhor momento - semifinalista no Mundial 2018 e finalista dos dois últimos Euros - desde 1966, apesar de tanto estrangeiro na ilha. E a portuguesa, bicampeã da Liga das Nações, em 2019 e 2025, e campeã europeia, em 2016, idem. Aliás, ingleses e portugueses desfrutam, segundo a crítica, de gerações douradas.

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