O Estádio do Dragão volta a acolher hoje um clássico entre FC Porto e SL Benfica, agora com contornos decisivos. Os quartos de final da Taça de Portugal não admitem empate.Nas antevisões ao encontro, José Mourinho começou por sublinhar o impacto do formato, defendendo que o contexto altera o próprio jogo. “O facto de ser um jogo a eliminar e de obrigar a que haja um vencedor terá, eventualmente, nuances diferentes de um jogo de campeonato”, afirmou. Para o técnico, a memória do último encontro no Dragão serve de comparação tática: “Quando jogámos no Dragão, onde a vitória das duas equipas era importante, a não derrota também era. Neste caso, o empate não serve, o que eventualmente poderá proporcionar um jogo diferente.”.Francesco Farioli concorda com a ideia de um clássico condicionado por decisões momentâneas e abordagens específicas: “Podemos, certamente, encontrar o mesmo jogo, mas também podemos esperar coisas diferentes. O Benfica mudou a sua abordagem, estão mais agressivos, têm o desejo de recuperar a bola alto.” Para o italiano, a natureza do duelo reforça a preparação: “O trabalho que temos feito nas últimas semanas e, especialmente, nos últimos dias tem sido muito positivo. Conseguimos trabalhar em alternativas, diferentes soluções.”.Mourinho, centrando-se no adversário, destacou a previsibilidade estrutural do FC Porto, apoiada em métricas competitivas. “O Porto é uma equipa que entra no campeonato com um perfil de jogo e jogador que não me parece uma decisão do treinador. Basta agarrar-se a números, percentagens e dados. É muito fácil perceber a equipa que são.”Do lado portista, a abordagem passa por ler os pormenores e controlar o ritmo. “Quando vieram ao Dragão, o Sudakov e o Pavlidis tentaram anular o Alan Varela e fizeram um bom trabalho”, recordou Farioli, admitindo que o confronto pode ser um xadrez competitivo: “Amanhã espero novamente cenários diferentes, um jogo muito tático.”Questionado sobre a defesa e a ausência de Otamendi, Mourinho admitiu que o plano mantém alternativas em aberto. “Ou o António ou o Gonçalo Oliveira. Não lhe posso garantir que o António vai jogar, mas também não quero arriscar mentir e dizer que não vai jogar.” No Dragão, Farioli levantou igualmente o véu sobre potenciais surpresas, incluindo a possibilidade de Thiago Silva surgir de início: “É uma possibilidade… Regressou numa ótima condição física e está apto para começar. Mas claro que a decisão terá vários cenários em conta.”A nomeação da equipa de arbitragem reforça o ambiente de jogo grande: Fábio Veríssimo será o juiz do clássico, coadjuvado por Pedro Martins e Hugo Marques, com Luís Ferreira no VAR..O duelo surge num momento em que tanto Porto como Benfica mantêm ambições internas e externas, repartindo esforços entre o campeonato, a Taça de Portugal e as provas europeias. A competição do Jamor assume um peso estratégico particular nesta fase da época: representa um título alcançável no curto prazo que pode servir de impulso anímico e, ao mesmo tempo, condiciona a narrativa competitiva até ao final da temporada.Este clássico soma elementos táticos e emocionais: eliminar um rival direto reforça o balanço da época e, em sentido inverso, sofrer uma saída precoce aumenta a pressão e estreita o espaço de manobra.Do ponto de vista da preparação, o calendário europeu obriga ambas as equipas a gerir carga física e emocional, mas também traz ritmo competitivo elevado, característica útil em jogos grandes. Em campo, antevê-se um confronto estratégico onde a organização sem bola, as transições e o detalhe nas substituições podem ditar o vencedor. Num formato que não permite calcular, nem guardar para depois, a decisão será tomada já esta quarta-feira — e apenas um poderá seguir até ao Jamor.."Eu amo aqueles gajos". José Mourinho garante manter personalidade “até ao fim”.Farioli antevê clássico tático com Benfica e pede FC Porto focado no que controla.Fábio Veríssimo vai arbitrar o clássico FC Porto-Benfica da Taça de Portugal