Aos 31 anos, Sofia Araújo é uma das figuras maiores do circuito internacional de Padel e presença assídua nas fases finais dos principais torneios. Atualmente é a número 7 do ranking feminino da Federação Internacional.A jogadora é licenciada em fisioterapia. Começou por praticar ténis e ainda chegou a profissional, mas teve de mudar e transformou-se no rosto de uma geração que descobriu o Padel. Conta que a transição tinha de acontecer. “Terminei a carreira no ténis com 19 anos. Tive alguns problemas de saúde e precisava de uma pausa. Fui estudar e nessa altura comecei a jogar Padel apenas por brincadeira. No último ano da Faculdade acabei por me tornar profissional, mas consegui fazer tudo. Comecei a jogar no circuito e correu tão bem que estou agora neste patamar”, referiu ao Diário de Notícias a melhor jogadora de Padel portuguesa.Em 2019 mudou-se para Madrid, onde se concentram os melhores centros de treino e grande parte da elite mundial. A partir daí, o seu jogo — rápido, com forte potência e leitura tática minuciosa — ganhou outra consistência. Sofia Araújo não tem qualquer dúvida de que foi a melhor decisão que tomou: “mudou tudo com a ida para Madrid. Em Lisboa treinava um bocadinho na ´brincadeira´. A aposta em Espanha foi um grande passo em frente na minha carreira. Passei a trabalhar com os melhores do Mundo. Ao mesmo tempo, deixar a casa, passar pelo processo das saudades e da mudança de hábitos, fez-me amadurecer muito”.A estreia oficial no World Padel Tour aconteceu em 2016 e, em 2020, Sofia confirmou um primeiro grande salto ao apurar-se para o Master Final, reservado às oito melhores duplas da época, juntando o seu nome ao de Catarina Nogueira na lista de portuguesas com presença no palco maior do circuito. “Quando dizem que fui eu que ajudei a divulgar o Padel em Portugal, temos de fazer o reconhecimento também à Catarina. Atualmente sei que estou a ser um exemplo para muitos portugueses. Por vezes não é fácil ´carregar a bandeira às costas´, mas é um orgulho porque já nos impomos às espanholas e às argentinas”, contou Sofia que fez também questão de referir que “não penso muito no ranking internacional. Para mim, o melhor é evoluir a nível físico e técnico. Mas tenho de me divertir em campo. Às vezes nem sempre acontece. Tenho mau feitio e mau perder e, como temos pressões muito grandes, às vezes a pressão sobrepõe-se à diversão”..Em 2023, chegou a consagração: em Alicante, ao lado da espanhola Marta Ortega, conquistou o primeiro título Open 500 da carreira, tornando-se apenas a segunda portuguesa a erguer um troféu na categoria principal. Em 2024 somou o Genova Premier P2 e o New Giza P2, ambos ao lado de Marta Ortega, e em 2025 registou mais um título, desta vez em Bordéus, já com a jovem espanhola Andrea Ustero, parceira que consolidou uma dupla de forte complementaridade técnica e energia competitiva. À regularidade dos títulos juntaram-se presenças em meias-finais e finais, o que se refletiu no ranking até alcançar o histórico sétimo lugar mundial. “A minha antiga parceira, a minha filha como lhe chamo, recebeu um convite para jogar com uma antiga número 1 do Mundo. Mas agora estou com uma jogadora que também me transmite muita tranquilidade em campo, o que vai ser muito bom. É uma miúda com 20 anos que cresceu muito rápido em termos de resultados. Estou confiante que vai ser um ano muito positivo”, continuou.Em paralelo à carreira internacional, Sofia conquistou quatro títulos de campeã nacional e tornou-se figura central da seleção portuguesa em Europeus e Mundiais. .O seu percurso coincide com o boom do Padel em Portugal, fenómeno que multiplicou clubes, praticantes e licenças federativas num curto período. Se antes o país se posicionava como observador, hoje passou a estar sentado à mesa das decisões desportivas internacionais. “O Padel é um desporto muito social. É muito fácil para começar e joga-se a pares, o que fortalece o convívio. E depois, há sempre a cervejinha no final dos treinos. Mesmo para quem compete ao mais alto nível está a tornar-se um desporto cada vez mais viral e já vão aparecendo grandes jogadores de outros países, com um nível muito bom”, disse a atleta portuguesa que confessou que ainda quer jogar por mais 4 ou 5 anos. Depois, há outros projetos: “gostava muito de poder criar e gerir o meu clube de Padel em Portugal. Queria muito que o meu futuro continuasse a passar pela modalidade. A profissão de jogador é curta, no máximo até aos 40 anos, por isso devemos ter sempre um plano para quando terminar o alto rendimento”, concluiu..Volt Padel. A marca que mete raquetes portuguesas nas mãos de Beckham.O padel já não é só uma moda.Portuguesas conquistam primeiro torneio do circuito mundial de padel como dupla