Os suspeitos do costume, muitos milhões e mais sotaque português

Liga inglesa arranca amanhã com Manchester City e Liverpool como favoritos. Darwin e Haaland foram as contratações mais caras em prova com 25 jogadores lusos.

Erling Haaland e Darwin Núñez são duas das novas estrelas da Premier League que arranca esta sexta-feira. Considerada a melhor liga do mundo, e que nos últimos anos tem sido dominada pelo Manchester City (quatro títulos nas últimas cinco épocas), sempre com o Liverpool na sombra (um campeonato desde 2017-18), esta temporada deverá ser mais do mesmo, apesar de teoricamente parecer existir um maior equilíbrio de forças, com Arsenal, Chelsea e Tottenham a reforçarem-se para tentarem acabar com o domínio dos dois rivais.

O campeão City, além de Haaland, contratou o médio defensivo Kalvin Phillips (48.75M). Mas no clube campeão inglês houve várias saídas, casos de Raheem Sterling, Gabriel Jesus e Oleksandr Zinchenko, todos eles para clubes rivais da Premier League.

Já o Liverpool juntou Darwin ao português Fábio Carvalho (ex-Fulham, que custou cerca de seis milhões, e a Calvin Ramsay (5M). Mas perdeu Sadio Mané, uma das grandes figuras dos reds dos últimos anos, vendido ao Bayern Munique.

"Só há duas equipas na corrida, Manchester City e Liverpool. Ninguém se vai aproximar deles", disse esta semana o antigo internacional inglês Rio Ferdinand, atualmente comentador de futebol. "Há uma diferença de seis, oito pontos entre o segundo e o terceiro classificados. Se alguma equipa se conseguir intrometer na luta, o Tottenham, por exemplo, será um feito enorme. Para mim será uma corrida entre dois cavalos e no final ganha o Manchester City", acrescentou.

25 jogadores portugueses

Esta é uma Premier League com sotaque português. Há duas equipas com treinadores lusos - Bruno Lage no Wolverhampton e Marco Silva no recém promovido Fulham - e para já (o mercado só encerra a 31 de gosto) são 25 os futebolistas portugueses, número para o qual muito contribuem os wolves, com nove - Rúben Neves, Pedro Neto, Nélson Semedo, Podence, José Sá, Chiquinho, João Moutinho, Bruno Jordão e Toti. Há também novos inquilinos, os mais sonantes Fábio Vieira, que trocou o FC Porto pelo Arsenal, e Palhinha, que se transferiu do Sporting para o Fulham.

"Acho que atualmente o mercado preferencial da Premier League, é, de facto, o português. É um benefício acrescentado não só em termos desportivos, mas também económicos. Não é fácil ser-se reconhecido em Inglaterra", constatou Abel Xavier, em declarações à Lusa, ele que no passado atuou no Everton, Liverpool e Middlesbrough. "Todos os jogadores portugueses na Premier League são muito bem reconhecidos porque se envolveram no espírito do próprio campeonato", acrescentou.

Darwin e os mais caros

Não é novidade para ninguém que os clubes ingleses são os mais gastadores. E esta época não foge à regra. Até ao momento, os 20 emblemas da Premier League já gastaram 1,26 mil milhões de euros (é o nono ano consecutivo que ultrapassam a barreira dos mil milhões no mercado de verão).

Darwin Núñez foi a transferência mais cara até agora, com o Liverpool (onde estão os portugueses Diogo Jota e Fábio Carvalho) a perder-se de amores pelo avançado uruguaio e a pagar 75 milhões de euros ao Benfica.

O segundo mais dispendioso foi o gigante norueguês Erling Haaland, que custou 60 milhões ao City e vai ser colega de equipa dos portugueses Bernardo Silva (se entretanto não sair para o Barcelona), João Cancelo e Rúben Dias. A terceira contratação mais cara foi feita internamente, com Richarlison a trocar o Everton pelo Tottenham por 58 milhões de euros.

Pelo segundo ano consecutivo, o Arsenal lidera a lista dos mais gastadores. A equipa londrina já investiu 132 milhões em futebolistas. Além de Gabriel Jesus, que chegou do campeão City por 52,2 milhões, os londrinos contrataram Zinchenko (35M), o português Fábio Vieira (35M), Matt Turner (6,36M) e Marquinhos (3,5M).

O Chelsea, no primeiro ano pós Roman Abramovich (é agora detido pelo milionário norte-americano Todd Boehly), gastou 103,2 milhões de euros com as contratações de Sterling, Koulibaly e Gabriel Slonina. E o Tottenham de Antonio Conte esteve muito interventivo no mercado. Além de Richarlison, contratou Yves Bissouma, Djed Spence, Ivan Perisic e Lenglet (cedido pelo Barcelona).

Já o Manchester United começou a época de forma atribulada, devido à novela em torno de Cristiano Ronaldo, que se apresentou mais tarde ao trabalho com a intenção de se transferir para um clube de topo que jogue na Liga dos Campeões. No meio desta incerteza, o clube treinado por Ten Hag (ex-Ajax), que tem ainda no plantel os portugueses Bruno Fernandes e Diogo Dalot, foi ao mercado reforçar o plantel com Lisandro Martínez (57,3), Tyrell Malacia (15M) e Christian Eriksen (custo zero).

Os jogadores da Premier League vão deixar de ajoelhar-se em protesto contra o racismo antes do início dos jogos. A decisão foi anunciada na quarta-feira, e o gesto só será usado em "momentos específicos durante a temporada que se avizinha, para amplificar a mensagem". Os responsáveis da Premier League, entretanto, estão a avaliar a possibilidade de tornar públicas as conversas entre os árbitros e o VAR, via Youtube, no final de cada partida. O objetivo é o de transmitir uma maior transparência no que toca às decisões dos árbitros.

nuno.fernandes@dn.pt

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