A passagem sucessiva das várias gerações transformou o recinto numa linha do tempo do olimpismo nacional.
A passagem sucessiva das várias gerações transformou o recinto numa linha do tempo do olimpismo nacional. Foto: Gerardo Santos

Olímpicos e paralímpicos unidos na mesma Equipa Portugal rumo a Los Angeles 2028

Identidade utilizada pelo COP passa, pela primeira vez, a integrar também os atletas paralímpicos. Cerimónia recordou o legado nacional e lançou a caminhada conjunta para os Jogos de 2028.
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Antes de olhar para Los Angeles 2028, o desporto nacional percorreu mais de um século da sua própria história. Muitos dos atletas olímpicos portugueses presentes participaram num desfile simbólico, no Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa, organizado de acordo com as diferentes edições dos Jogos em que competiram, num dos momentos mais marcantes e emotivos da cerimónia.

A passagem sucessiva das várias gerações transformou o recinto numa linha do tempo do olimpismo nacional. Atletas com percursos, modalidades e resultados distintos voltaram a apresentar-se como representantes de Portugal, recordando que a história olímpica do país não é feita apenas de medalhas, mas também de participações, finais, diplomas, recordes, sacrifícios e carreiras dedicadas ao desporto de alto rendimento.

Gerardo Santos

O desfile antecedeu a apresentação da nova fase da Equipa Portugal, que passa a reunir sob uma identidade comum os atletas olímpicos e paralímpicos que preparam a participação nos Jogos de Los Angeles 2028. A novidade não está na criação da Equipa Portugal, designação já utilizada pelo Comité Olímpico de Portugal, mas no seu alargamento ao movimento paralímpico, permitindo que os representantes dos dois projetos avancem, pela primeira vez, com a mesma identidade e uma mensagem partilhada de união, mérito e ambição.

A cerimónia estabeleceu também uma ligação simbólica entre Los Angeles 1984, palco da primeira medalha de ouro olímpica portuguesa, e Los Angeles 2028, cidade à qual Portugal regressará 44 anos depois.

Atualmente, o programa de preparação olímpica integra 146 atletas de 20 modalidades, enquanto o programa paralímpico reúne 42 atletas de 12 modalidades. Carlos Lopes, campeão olímpico da maratona em 1984, entregou simbolicamente a medalha que representou a passagem de testemunho à nova geração.

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Patrícia Sampaio, medalha de bronze no judo em Paris 2024, recebeu o testemunho em representação dos atletas que integram o programa de preparação olímpica. Miguel Monteiro, campeão paralímpico do lançamento do peso nos Jogos de Paris 2024, representou os atletas do programa paralímpico.

“Hoje damos início a uma nova etapa com a apresentação da Equipa Portugal que está no caminho para Los Angeles 2028”, afirmou Fernando Gomes, presidente do Comité Olímpico de Portugal, salientando que olímpicos e paralímpicos passam a avançar “numa única equipa, num único projeto e numa única missão”: representar o país.

Para o dirigente, a transformação da Equipa Portugal ultrapassa uma opção de imagem ou de comunicação e procura estabelecer uma nova forma de relacionamento e de colaboração entre os dois movimentos.

“Não apagamos histórias, somamos; não diminuímos identidades, fortalecemo-nos numa identidade maior, uma alma maior, a de Portugal”, declarou Fernando Gomes, defendendo um modelo de trabalho mais colaborativo, eficiente e inclusivo, capaz de potenciar os recursos, o conhecimento e a experiência existentes no sistema desportivo nacional.

O presidente do Comité Olímpico de Portugal mostrou-se convicto de que este momento poderá vir a ser recordado como uma mudança de paradigma. “A nossa maior força não reside nos resultados, mas na capacidade de construir um projeto comum no qual todos contam e todos pertencem”, afirmou.

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José Manuel Lourenço, presidente do Comité Paralímpico de Portugal, classificou a apresentação conjunta como um momento histórico e considerou que o desporto nacional começa uma nova etapa.

“Pela primeira vez, Portugal apresenta no mesmo palco as equipas que irão representar o nosso país nos Jogos Olímpicos e nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028”, destacou, considerando que a cerimónia representa mais do que uma celebração: “É a afirmação de um caminho, de um compromisso e de uma visão de futuro.”

A ligação a Los Angeles 1984 esteve presente ao longo de toda a cerimónia. Foi nessa edição que Carlos Lopes se tornou o primeiro campeão olímpico português, ao vencer a maratona, mas esse foi igualmente um ano decisivo para o movimento paralímpico nacional.

Portugal conquistou então as primeiras medalhas da sua história nos Jogos Paralímpicos. Entre as 14 medalhas alcançadas estiveram quatro de ouro, no atletismo e no boccia. Nos Jogos Olímpicos, além do título de Carlos Lopes, Rosa Mota e António Leitão conquistaram medalhas de bronze.

“Quarenta anos depois, percebemos que nunca foram duas histórias separadas. Foram sempre capítulos da mesma história, a de homens e mulheres que ousaram desafiar limites e elevar o nome de Portugal”, afirmou José Manuel Lourenço.

Para o presidente do Comité Paralímpico de Portugal, o lema “Alma Maior” traduz aquilo que aproxima os atletas dos dois movimentos: o orgulho de representar o país, a ambição de vencer, a capacidade de superação e a força para inspirar outras pessoas.

“O desporto português é mais forte quando rompe barreiras, aproxima pessoas e transforma a diversidade numa força coletiva”, acrescentou, considerando que a inclusão não é apenas um valor, mas uma força capaz de transformar a sociedade.

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A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, colocou a ligação entre gerações no centro da sua intervenção. O desfile dos antigos olímpicos e a passagem simbólica de testemunho mostraram, segundo a governante, que o percurso dos atletas que agora preparam Los Angeles 2028 está ligado ao trabalho daqueles que os antecederam.

“Nenhuma geração constrói o seu percurso sozinha”, afirmou. “Cada conquista assenta sempre no trabalho, na experiência e no exemplo daqueles que vieram antes de nós.”

A ministra considerou que a Equipa Portugal representa o presente do alto rendimento, mas também a ambição de continuar a projetar o país nos principais palcos desportivos internacionais.

“No centro desse percurso estão naturalmente os atletas, que levam consigo o nome de Portugal e projetam a imagem do nosso país perante o mundo inteiro”, declarou, lembrando, no entanto, que cada resultado depende de um trabalho coletivo.

“Cada conquista é também o resultado de um trabalho construído diariamente por treinadores, equipas técnicas, clubes, federações, dirigentes, associações, famílias e todos aqueles que, muitas vezes longe dos holofotes, criam as condições para que os atletas possam alcançar o seu melhor”, acrescentou.

Margarida Balseiro Lopes destacou ainda o investimento público no setor, referindo que o Governo assumiu o desporto como uma prioridade estratégica e realizou um investimento extraordinário superior a 130 milhões de euros, destinado ao reforço das infraestruturas, à qualificação dos recursos humanos, ao financiamento das operações e à melhoria das condições de desenvolvimento.

A governante mencionou também o reforço dos programas de preparação olímpica, paralímpica e surdolímpica, dirigindo uma mensagem de confiança aos atletas que procuram chegar aos Jogos de 2028.

“Independentemente dos resultados que o futuro venha a trazer, o país orgulha-se e acredita em cada um de vós”, afirmou.

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O Presidente da República, António José Seguro, classificou o encontro como “um momento raro na vida do desporto português” e recordou a madrugada de 12 de agosto de 1984, quando os portugueses acompanharam a vitória de Carlos Lopes na maratona olímpica.

“Naquela manhã correu um homem e ganhou Portugal”, afirmou, considerando que o triunfo permitiu ao país descobrir, através do atleta, “uma nova confiança nas suas capacidades”.

António José Seguro destacou, contudo, que a homenagem não se destinava apenas aos medalhados. Alguns atletas chegaram ao pódio, outros conquistaram diplomas, bateram recordes pessoais ou alcançaram classificações relevantes, mas todos partilharam a responsabilidade de representar Portugal “com honra e dignidade”.

O desfile simbólico das diferentes gerações tornou visível essa história coletiva. Ao voltarem a desfilar pela edição dos Jogos em que competiram, os antigos atletas representaram não apenas as próprias carreiras, mas também as várias etapas do desenvolvimento do desporto nacional.

O chefe de Estado relacionou igualmente os princípios da competição com os valores da cidadania e da vida democrática.

“O desporto lembra-nos que competir não significa excluir, que procurar vencer nunca pode significar deixar de respeitar o adversário e que a verdadeira excelência exige sempre respeito pelas regras, pelos outros e por nós próprios”, afirmou.

Para António José Seguro, o alargamento da Equipa Portugal ao movimento paralímpico representa mais do que uma decisão organizativa ou uma identidade gráfica.

“Afirma que a igualdade se concretiza em escolhas. Afirma que a inclusão se realiza em práticas. Afirma que Portugal reconhece o mérito, a coragem e o talento em todas as pessoas, sem exceção”, declarou.

O Presidente da República lembrou ainda que os atletas que chegarem a Los Angeles levarão consigo não apenas a bandeira nacional, mas também a herança daqueles que abriram caminho nas décadas anteriores.

A dimensão internacional do encontro foi reforçada pelas mensagens enviadas pelos responsáveis máximos dos movimentos olímpico e paralímpico.

A presidente do Comité Olímpico Internacional, Kirsty Coventry, felicitou os atletas e o Comité Olímpico de Portugal pela iniciativa de homenagear as várias gerações de olímpicos nacionais.

“Hoje celebramos os atletas, não apenas pelas suas prestações desportivas, mas também pelo exemplo que dão todos os dias”, afirmou Coventry, numa mensagem originalmente proferida em inglês e traduzida para português.

A dirigente salientou que os olímpicos transportam os valores do movimento muito para além dos locais de competição, inspirando comunidades e aproximando pessoas.

“Desde a primeira participação olímpica de Portugal, em 1912, os vossos atletas representaram o país com paixão e excelência e colocaram Portugal firmemente no mapa do mundo desportivo”, declarou.

Kirsty Coventry destacou também o trabalho desenvolvido pelo Comité Olímpico de Portugal através de programas e iniciativas que levam o desporto e os valores olímpicos a pessoas de diferentes gerações.

“Esta celebração é um marco não apenas para todos vós, mas para toda a família olímpica”, afirmou, desejando aos atletas portugueses sucesso no percurso de qualificação e preparação para Los Angeles 2028.

Kirsty Coventry é a atual presidente do Comité Olímpico Internacional e a primeira mulher a ocupar o cargo.

O presidente do Comité Paralímpico Internacional, Andrew Parsons, associou-se igualmente à apresentação da nova fase da Equipa Portugal, embora não tenha podido estar presente.

“Esta identidade simboliza união, ambição e excelência”, afirmou o dirigente brasileiro, destacando características que considera representativas do desporto paralímpico nacional e do próprio país.

Parsons manifestou confiança na preparação portuguesa para Los Angeles e salientou que os objetivos da participação não devem limitar-se aos resultados competitivos e à conquista de medalhas.

“Queremos que estes Jogos ajudem a transformar o mundo, tornando-o mais inclusivo para as pessoas com deficiência”, declarou, desejando que a caminhada até 2028 contribua também para tornar Portugal “um país ainda mais acessível”.

Andrew Parsons continua a presidir ao Comité Paralímpico Internacional, tendo sido reeleito em setembro de 2025 para um terceiro e último mandato.

A cerimónia terminou com a afirmação de uma identidade comum que procura preservar as histórias e as especificidades dos movimentos olímpico e paralímpico, aproximando-os num projeto partilhado para Los Angeles.

Não se trata do nascimento da Equipa Portugal, mas da sua transformação numa identidade mais abrangente, na qual atletas olímpicos e paralímpicos passam a apresentar-se sob o mesmo nome e a mesma imagem.

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Responsabilidade, ambição e compromisso olímpico
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