Não são só as conquistas dos títulos que povoam a memória sempre que nos lembramos de Portugal nos palcos internacionais do futebol. Há momentos, por mais simples que possam parecer, que perduram, permanecem e levam-nos a esboçar um sorriso que nos recorda a felicidade vivida num determinado instante.Seja um golo do outro mundo, um guarda redes que resolve tirar as luvas para se transformar num herói no embate contra a seleção de Inglaterra, a de David Beckham e companhia - Ricardo defendeu um penálti, marcou outro e garantiu a passagem da seleção às meias finais do Europeu organizado em terras lusas - ou as idas à rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, para celebrar cada vitória em junho de 2004, nem que fosse só por alguns minutos, e mesmo estando a trabalhar. Todos, ou melhor, quase todos, tentavam reservar o final do jogo para agitar bandeiras e cachecóis, e partilhar a alegria do momento no centro da capital, com desconhecidos ou simplesmente com aqueles rostos de todos os dias.São várias e diferentes as memórias associadas aos jogos da seleção: O primeiro europeu de um filho, em 2012, com os amigos e família em casa para, juntos, celebrarmos Portugal, ainda que a a formação das quinas tenha ficado pelo caminho nas meias finais, as cores das bandeiras nas janelas e nos carros num país que parecia unido pela expetativa ou ilusão de conquistar um título, os sorrisos em cada desafio superado, o entoar dos cânticos de apoio e das músicas que serviram de banda sonora em cada competição, mas também ver e sentir a alegria e a emoção de quem nos é mais próximo.É isto e muito mais que torna Mundiais e Europeus especiais, para quem gosta de ver jogar futebol, claro está, mesmo que não tenha grandes conhecimentos sobre o desporto rei, como é o meu caso. Fico-me pelas emoções de cada lance, contra-ataque, defesa ou pontapé certeiro, e de, juntos, podermos celebrar as alegrias, ainda que efémeras, que a seleção pode oferecer.Mas também ficam na memória a comoção, a partilha na desilusão e nas expectativas frustradas que o desporto igualmente representa. Emoções que vão além do futebol. Marcam momentos na vida de cada um, em contextos diferentes e únicos para quem os vive.Mesmo a desilusão de quem veste as cores de outro país preenche as nossas memórias das grandes competições, como aquelas lágrimas de Maradona na final do Mundial de 1990, em Itália, contra a Alemanha - No Estádio Olímpico de Roma, a Alemanha Ocidental conquistava pela última vez um título futebolístico antes da reunificação a 3 de outubro desse ano. Ídolo para tantos, o argentino não escondeu a fragilidade e o desalento, apenas quatro anos depois de ser o herói e protagonista daquela inesquecível 'mão de Deus'. E tudo isto faz parte da magia.As memórias são muitas e espero que neste Mundial no continente americano haja mais e melhores, apesar do sabor amargo, a derrota mesmo, deixado pelo empate (1-1) frente à RD Congo, no jogo de estreia na competição.Que esta geração de jogadores nos dê mais alegrias do que desilusões, mesmo que para isso tenha de haver algum 'sofrimento' no caminho. O país merece e penso que Cristiano Ronaldo também. São muitas as emoções que tem proporcionado aos adeptos de futebol com o que tem feito nos relvados por onde tem passado. Aos 41 anos, e com um percurso banhado a ouro, alcançar o título que lhe falta seria mais do que justo.Mas se tudo acabar em desilusão, o mundo, como sempre, segue e avança com novas memórias no horizonte.