João Maio e Nuno Borges.
João Maio e Nuno Borges.Escola de Ténis da Maia

O fenómeno do ténis no Porto. Do court no jardim do cônsul britânico ao sucesso da Escola de Ténis da Maia

Tradição, paixão e trabalho são os segredos para a Associação de Ténis do Porto liderar na prática da modalidade, segundo António Paes de Faria.
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A Associação de Ténis do Porto, que incorpora clubes da região do Porto, Braga e Viana do Castelo, totaliza 6872 tenistas licenciados, sendo a associação com mais seniores federados na época 2025/26. Segundo dados da Federação Portuguesa de Ténis, são 1218 (941 homens e 277 mulheres) em quase 60 clubes. “O ténis cresceu no Porto à boleia de muita paixão e bom trabalho desenvolvido pelos clubes com a ajuda da Associação de Ténis do Porto e da Federação”, segundo António Paes de Faria, que antevê mais portugueses no Top 100 mundial.

Para o presidente da Associação de Ténis do Porto, a forte presença de ingleses na Invicta no século passado “ajudou a alicerçar” a prática do ténis na cidade e em regiões como Guimarães, terra natal de João Sousa, o tenista português com melhor ranking de sempre (28.º). Reza a história que o primeiro court em Portugal foi no jardim da residência do cônsul britânico no Porto, Oswald Crawfurd, por volta de 1875. E que o próprio Rei D. Carlos I mandou construir dois nos jardins da sua casa no Porto.

Ainda hoje são várias as instituições com mais de 100 anos, caso do primeiro clube de ténis da cidade do Porto, o Grupo Lawn-Tennis de Carreiros, que data de 1898, sendo o mais antigo em Portugal após a extinção do Sporting Clube de Cascais.

Muito mais recente, mas já com forte tradição na modalidade, a Escola de Ténis da Maia, fundada em 1981, tem-se destacado a formar tenistas de elite com o cunho do fundador João Maio. Foi lá que despertou aquele que é hoje o número 1 nacional, o maiato Nuno Borges, mas também Henrique Rocha e Jaime Faria, durante o tempo em que o pai esteve na organização do Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 e se radicou na região.

Os três melhores tenistas nacionais fazem hoje parte do grupo de treino Centro de Alto Rendimento do Jamor, em Lisboa, região que tem 975 tenistas seniores registados, num total global de mais de 5500 federados

“Há muitos clubes a trabalhar muito bem na formação em Portugal e eu falo pela ATP onde temos ganho em quantidade e qualidade e se agora temos três portugueses no Top 100 mais teremos no futuro, porque estamos ainda a colher do que plantamos nos últimos anos”, acredita Paes de Faria, explicando que o ténis cresceu muito na altura da pandemia de covid-19 por ser ao ar livre e não exigir contacto físico.

Agora está na fase da “consolidação, sem deixar de crescer”, segundo o presidente da Associação de Ténis do Porto, que destaca ainda o aumento do número de torneios internacionais em Portugal - mais de 100 este ano e 16 de nível superior -, com um ATP (Estoril Open), Challengers e ITF: “Os melhores querem jogar com os melhores e nós estamos a conseguir que os portugueses joguem cá e a captar estrangeiros com a nossa boa organização.”

Paes de Faria destaca ainda o sucesso da millenial Escola de Ténis do Politécnico, criada em 2012, que tem sido fulcral na estratégia da Associação para captar mais tenistas mulheres através do Circuito Pink Tour, que já vai na 12.ª edição.

isaura.almeida@dn.pt