O sorriso de Neemias Queta ao percorrer o campo e cumprimentar um a um os participantes diz quase tudo sobre a importância que atribui ao projeto que leva o seu nome. Longe da pressão da NBA, o poste dos Boston Celtics dedica parte das férias a proporcionar a dezenas de jovens uma oportunidade que nunca teve quando iniciou o seu percurso no basquetebol. E é precisamente esse sentimento de retribuição que continua a ser a principal razão de ser do Neemias Queta Elite Training Camp.“É muito importante trazer uma experiência a estas crianças e a estes jovens. Acima de tudo, dá para retribuir e dar um bocado do que eu não tive”, afirmou o internacional português, que voltou a reunir treinadores portugueses e elementos da estrutura técnica dos Boston Celtics para uma semana de trabalho intensivo.Para Neemias, o campo vai muito além do aperfeiçoamento técnico. “É importante terem a experiência de treinadores de topo, a nível nacional e internacional. Que possam divertir-se, aprender e criar amizades que podem durar para a vida.”O internacional português admite que o maior prémio continua a ser o carinho recebido dos mais novos. “O que mais gosto de ouvir é quando me dizem que sou o ídolo deles ou que gostam muito do meu jogo. O amor de uma criança ou de um jovem é muito mais genuíno do que qualquer outra coisa.”Quem transforma essa inspiração em trabalho diário é Carlos Barroca, coordenador técnico do campo, que considera que o objetivo passa por formar atletas, mas também pessoas. “Queremos que os jovens saiam daqui com mais competências, mais visão de jogo, mais capacidade de decisão e, sobretudo, com mais confiança”, afirma, garantindo que a evolução é evidente. «Os objetivos estão a ser cumpridos: aprender, jogar, divertir-se, fazer novas amizades e ganhar confiança.”.Um dos momentos altos da semana será a possibilidade de assistir esta sexta feira ao treino individual de jogadores da NBA orientado pelos treinadores dos Boston Celtics, uma oportunidade rara para quem sonha chegar ao mais alto nível. “Há coisas que se aprendem nos cursos e online, mas há outras que só se aprendem a observar como se faz. Os detalhes fazem toda a diferença.”A filosofia do campo assenta numa mensagem simples: errar faz parte do processo. “O importante é o processo. Se a bola entra ou não, às vezes entra, às vezes não entra. O que interessa é seguir em frente.” Uma forma de trabalhar que, segundo Barroca, se estende também à educação e ao comportamento. “O desporto é apenas um instrumento de educação, dentro e fora do campo.”O crescimento do projeto é outro dos sinais do impacto que tem vindo a ganhar. André Campino, organizador do evento e responsável de marketing da Hoopers, revela que esta foi a primeira edição em que houve jovens a ficar de fora. “O mais importante é perceber que continuamos a crescer todos os anos sem perder qualidade. Ver participantes regressarem ano após ano mostra que estamos a fazer bem as coisas.” Este ano, o campo voltou a reunir perto de uma centena de atletas e a procura superou, pela primeira vez, a capacidade disponível. “Tivemos de deixar crianças de fora. Não era isso que queríamos e esperamos conseguir crescer nos próximos anos.”André Campino destaca ainda a aposta na inclusão, através de bolsas destinadas a promover a igualdade de género e a apoiar famílias com menores recursos, garantindo que nenhum jovem deixa de participar apenas por razões económicas. .Neemias Queta: “Não quero ser treinador. Dono de uma equipa pode ser mais o meu perfil”