Nasceu no Parque dos Príncipes e agora quer eliminar o leão

O português do Steaua, Filipe Teixeira, fala da fantástica oportunidade de disputar a Liga dos Campeões aos 36 anos
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Filipe Teixeira é uma das figuras do FCSB (antigo Steaua de Bucareste), rival do Sporting no playoff da Liga dos Campeões, cuja primeira mão se joga depois de amanhã em Alvalade, com a segunda marcada para Bucareste, no dia 23. De resto, o médio de 36 anos esteve em destaque na eliminatória anterior, ao marcar um golo no empate 2-2 em casa com o Viktoria Plzen e outro na surpreendente goleada alcançada na República Checa, por 4-1.

O futebolista não esconde que o nome do Sporting foi muito bem recebido pela crítica e pelos adeptos locais. "Os romenos estão otimistas quanto à passagem do Steaua, mas eu acho que o Sporting é favorito. As pessoas acham que seria a equipa mais acessível que nos poderia calhar, juntamente com o CSKA Moscovo, pois as outras hipóteses eram o Nápoles, o Liverpool e o Sevilha", começa por referir ao DN. Filipe Teixeira até concorda com esta teoria, mas logo sublinha que o Sporting "é um adversário de peso", não escondendo a felicidade por ter a oportunidade de regressar a Portugal.

Filipe Teixeira, que nesta temporada tem alternado a titularidade com o banco, destaca o facto de o Sporting "se ter reforçado muito bem com três ou quatro grandes jogadores, estando a construir uma equipa que parece superior à da época passada". A estratégia da equipa romena é clara e passa por "sair de Alvalade com um resultado que permita lutar pela passagem no segundo jogo, em casa". Dos leões, embora não querendo fazer destaques individuais, sempre vai dizendo que "tem jogadores de muita qualidade da frente de ataque, com elementos bastante rápidos nas alas".

O internacional sub-21 por Portugal reconhece que os seus colegas de equipa não têm grandes conhecimentos sobre os futebolistas do Sporting. "Claro que sabem que se trata de um dos melhores clubes portugueses e que têm jogadores internacionais, mas possivelmente não conhecem um grande número de jogadores, algo que será transmitido pelo nosso treinador até à hora do jogo. Se eu lhe vou dar dicas sobre o Sporting? Não, não... Temos uma equipa técnica muito competente que de certeza já sabe tudo sobre o Sporting", frisa.

Assim como na Roménia se encara o Sporting como uma equipa acessível, o mesmo se passa em Portugal relativamente ao FCSB, mas Filipe Oliveira deixa o aviso: "Somos o melhor clube da Roménia e temos bons jogadores, de seleção. Os portugueses vão perceber que temos uma boa equipa e tudo iremos fazer para conseguir a qualificação, embora esteja consciente de que será bastante difícil."

O ambiente no estádio do FCSB costuma ser descrito como muito quente, mas curiosamente Filipe Vieira desmistifica essa situação. "São adeptos que apoiam muito a equipa, mas em Alvalade isso também acontece... Sinceramente, não me parece que haja grande diferença no ambiente que se vive em ambos os estádios", diz.

Na Champions com 36 anos

Esta é a segunda oportunidade para Filipe Teixeira jogar na Liga dos Campeões, depois da experiência na derradeira temporada, ao serviço do Astra Giurgiu, quando não passou das pré-eliminatórias. "Pessoalmente, é fantástico disputar esta prova aos 36 anos e poder desfrutar do futebol ao mais alto nível, enfrentando grandes jogadores", destaca.

Filho de emigrantes, Filipe Teixeira nasceu em Paris, em 1980, e veio viver para Portugal com 9 anos, tendo pouco depois começado a jogar no Felgueiras, onde se estreou como profissional. Depois andou por França (Istres e PSG), Inglaterra (West Bromwich Albion e Barnsley), Ucrânia (Metaluhr Donestk), Emirados Árabes Unidos (Al-Shaab) e Roménia, onde passou a maior parte da sua carreira, ao serviço do Brasov, Rapid Bucareste, Petrolul Ploiesti, Astra Giurgiu e agora FCSB. Em Portugal, além do Felgueiras, jogou ainda na U. Leiria e na Académica. "Não tenho preferência por qualquer dos países e clubes por onde passei. Foram todas experiências diferentes, das quais retirei aspetos positivos", garante.

No entanto, é indesmentível que o ponto alto da sua carreira foi a passagem pelo PSG, em 2002-03 e 2004-05, embora só tenha realizado 25 jogos oficiais, com um golo marcado. "Foi um regresso a casa, pois eu nasci na clínica que existe dentro do Parque dos Príncipes! Foi sem dúvida bastante engraçado por esse facto e muito prestigiante jogar num clube de tão grande dimensão", reconhece.

Nos parisienses, Filipe Teixeira conviveu com Ronaldinho, a quem tece grandes elogios: "É uma pessoa com uma grande alegria, que transmite aos outros a sua felicidade. E como normalmente acontece com jogadores deste nível, de uma grande humildade e simplicidade."

Um histórico da Roménia à procura de melhores dias

Gheorghe Hagi é considerado o melhor jogador da história do Steaua, onde também se encontra a letras de ouro o nome do nosso bem conhecido Laszlo Bölöni, precisamente o último treinador campeão nacional no Sporting, em 2001-02. Indiscutivelmente o clube mais titulado no seu país (26 campeonatos romenos e 22 Taças), alcançou o seu maior feito em 1985-86, ao ganhar a Taça dos Clubes Campeões Europeus, derrotando o Barcelona numa dramática final decidida nas grandes penalidades, com o herói a ser o guarda-redes Helmuth Ducadam, ao parar quatro pontapés da marca dos 11 metros, depois de já ter realizado magnífica exibição durante os 120 minutos. Com apenas 27 anos, este foi o seu último jogo como profissional, pois algumas semanas depois sofreu uma trombose que o deixou parcialmente paralisado no lado direito do corpo.

O FCSB partiu para esta temporada com o objetivo de recuperar o título de campeão, que nas duas últimas temporadas escapou para o Astra Giurgiu e para Viitorul, com o rival do Sporting no playoff da Champions a terminar em ambas as ocasiões na segunda posição.

Carlos Fernandes avisa o Sporting para o ambiente na Arena Nationalä, com capacidade para 50 mil espectadores. "É um estádio muito mais intimidante do que Alvalade. O Sporting tem as suas claques, que apoiam muito, mas o Steaua tem todo o estádio a cantar", elogia

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