Silvino Louro, antigo guarda-redes da seleção nacional e ex-adjunto de José Mourinho, morreu esta quinta-feira, 19 de março, vítima de doença. Tinha 67 anos.Natural de Setúbal, Silvino de Almeida Louro começou a jogar futebol nas camadas jovens do Vitória, tendo em 1984/85 sido contratado pelo Benfica e de imediato emprestado ao Desportivo das Aves. Tinha na altura 25 anos e uma grande época fê-lo ingressar no plantel principal dos encarnados para substituir o lendário Manuel Bento, que se tinha lesionado gravemente no Mundial do México em 1986.De águia ao peito conquistou quatro títulos de campeão nacional em oito épocas, bem como três Taças de Portugal e uma Supertaça. Silvino defendeu ainda a baliza do Benfica nas duas últimas finais da Taça dos Campeões, com o PSV Eindhoven (1988) e AC Milan (1990).Em 1995, depois de mais um título pelos encarnados, regressou ao V. Setúbal. Tinha já 35 anos e pensava-se que seria o final da sua carreira, mas no ano seguinte recebeu um convite do FC Porto, onde fez mais duas temporadas e conquistou dois títulos de campeão nacional e uma Supertaça, apesar de ter feito apenas 21 jogos de dragão ao peito.O final da carreira seria ao serviço do Salgueiros em 2000, tendo de imediato integrado o quadro de treinadores da seleção nacional, cuja baliza defendeu em 23 jogos, entre 1988 a 1997.Além de trabalhar na seleção como técnico de guarda-redes também fazia parte da equipa técnica do FC Porto, com as mesmas funções, onde se cruzou com o conterrâneo José Mourinho, iniciando uma ligação que durou mais de 17 anos, com grandes conquistas nos dragões, mas também no Chelsea, Inter Milão, Real Madrid e Manchester United.Silvino já não acompanhou Mourinho para a AS Roma, tendo a sua última etapa na carreira sido em 2021 no Sudão, quando acompanhou Ricardo Formosinho, também como adjunto responsável pelos guarda-redes, no Al-Hilal Omdurman.O Benfica, no seu site oficial, lembrou Silvino como "uma figura marcante de uma geração que muito honrou o emblema" pelo qual fez 330 jogos oficiais. "A sua dedicação, profissionalismo e qualidade entre os postes deixaram uma marca indelével na história do clube. Mais do que os títulos e os números, ficará para sempre a memória de um atleta que serviu o Benfica com compromisso, paixão, orgulho e espírito de equipa, elevando os valores que definem o clube", pode ler-se.Por sua vez, o FC Porto recorda Silvino "não apenas pelo conhecimento e competência técnica, mas também pela lealdade, sentido de compromisso e espírito de equipa". "Respeitado por todos os que com ele trabalharam, Silvino Louro deixa a imagem de um profissional íntegro e de um homem de valores firmes, cuja presença nos balneários e nos relvados ficará na memória coletiva do clube", referem os dragões, que revelam ainda uma mensagem do seu presidente André Villas-Boas."Foi com profunda tristeza e pesar que recebi a notícia do falecimento do Silvino. Partilhámos momentos profissionais e pessoais que vou guardar com saudade. Era uma pessoa dócil e gentil, companheiro e amigo. Despedi-me dele recentemente e revi o seu sorriso mesmo quando a doença o atraiçoou. Um homem singular. Os meus mais sinceros pêsames à família, aos filhos, à esposa e aos seus amigo", refere Villas-Boas.Finalmente, a Federação Portuguesa de Futebol lembra "o contributo e legado de Silvino Louro para o futebol português". "Mais do que o guarda-redes, ficará para a história pelo carácter, profissionalismo e boa disposição, numa figura consensual para todos os adeptos", sublinha o organismo federativo.