Cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno 2026 realizou-se este domingo.
Cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno 2026 realizou-se este domingo.FOTO: EPA/ROBERT GHEMENT

Milão-Cortina 2026 quer redefinir os Jogos Olímpicos com aposta forte na sustentabilidade

Reutilização de 85% das infraestruturas, energia renovável, mobilidade coletiva e economia circular marcam o modelo italiano para reduzir o impacto ambiental do evento olímpico.
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Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 avançam para a fase decisiva com uma premissa que ultrapassa o desempenho desportivo: reduzir o impacto ambiental de um dos maiores eventos do planeta. 

A organização italiana apostou numa estratégia centrada na reutilização de infraestruturas, energia renovável e soluções de mobilidade menos poluentes, procurando transformar o modelo tradicional de organização olímpica.

Um dos exemplos mais visíveis está em Cortina d’Ampezzo, onde o histórico Estádio Olímpico de Curling, construído para os Jogos de 1956, foi integralmente reabilitado. Em vez de construir um novo recinto, optou-se por preservar a arquitetura original e adaptá-la às exigências atuais. Foram instalados novos elevadores, criados lugares acessíveis em todos os níveis e reforçado o isolamento térmico da cobertura. Um sistema moderno de controlo de humidade melhora a qualidade do gelo e reduz simultaneamente o consumo energético, demonstrando que a modernização pode ocorrer sem demolir nem expandir.

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Este caso ilustra a filosofia global da organização: aproveitar ao máximo o que já existe. As instalações de competição são permanentes ou temporárias. A decisão pretende diminuir a pegada ecológica e evitar estruturas sem utilização após o evento, um problema recorrente em edições anteriores.

A energia é outro eixo central da estratégia. Quase todos os recintos são alimentados por eletricidade certificada proveniente de fontes renováveis. Os geradores são limitados a situações excecionais e, na maioria dos casos, utilizam biocombustível HVO. Paralelamente, foi reduzida a dimensão da frota oficial e cerca de 20% dos veículos são elétricos. O plano de mobilidade privilegia o transporte coletivo — sobretudo comboios e autocarros — e incentiva a partilha de viaturas, com o objetivo de diminuir significativamente o tráfego automóvel face a edições anteriores.

A produção de neve artificial, inevitável num contexto de alterações climáticas, foi igualmente revista. A organização recorre a sistemas digitais de monitorização para produzir apenas o volume necessário às provas. A tecnologia permite reduzir o consumo de água e energia e evita desperdícios. Não são utilizados aditivos químicos e a marcação dos percursos é feita com corantes alimentares.

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A sustentabilidade estende-se ainda à gestão de recursos. Restos alimentares recolhidos nos recintos são encaminhados para redistribuição e milhares de equipamentos provenientes dos Jogos de Paris 2024 foram reutilizados — desde mobiliário a material logístico — num esforço de economia circular. A preparação do evento levou também à modernização de redes elétricas, comunicações de fibra e serviços médicos nas regiões alpinas, melhorias que permanecerão para a população após o encerramento da competição.

Para o Comité Olímpico Internacional, que definiu metas de redução de emissões até 2030, os Jogos italianos funcionam como laboratório de novas práticas. A abordagem regional, distribuída por várias localidades e baseada em infraestruturas já existentes, procura adaptar o evento à realidade climática e económica atual, especialmente num contexto em que os desportos de inverno enfrentam condições meteorológicas cada vez mais imprevisíveis.

Milano Cortina 2026 tenta assim responder a uma questão central para o futuro do olimpismo: como manter o espetáculo global sem ampliar os custos ambientais. 

A organização aposta em medidas concretas em vez de grandes promessas — menos construção, mais reutilização, transporte coletivo e gestão eficiente de recursos.

Enquanto atletas competem por medalhas, decorre em paralelo uma experiência sobre o próprio futuro dos megaeventos. Se o modelo se revelar eficaz, poderá estabelecer um novo padrão para futuras candidaturas, demonstrando que o sucesso olímpico não depende apenas de recordes desportivos, mas também da capacidade de deixar um legado útil e sustentável.

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