Phil Foden, Haaland e Bernardo Silva festejam o quarto título de campeão inglês seguido do City.
Phil Foden, Haaland e Bernardo Silva festejam o quarto título de campeão inglês seguido do City.DARREN STAPLES / AFP

Manchester City culpado de inflacionar receitas e reduzir custos em mais de mil milhões de euros

As infrações compreendem os anos de 2009/10 a 2017/18, ou seja, abrangem três épocas que deram título na Premier League, além de duas Taças de Inglaterra e três Taças da Liga.
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O Manchester City foi considerado culpado de todas as acusações de violação de regras financeiras da Premier League, num período que se estende a nove temporadas. A decisão foi tomada por uma comissão independente e foi divulgada oficialmente, na terça-feira 29 de setembro, pela liga inglesa.

As infrações compreendem os anos de 2009/10 a 2017/18, ou seja, abrangem três épocas que deram título na Premier League, além de duas Taças de Inglaterra e três Taças da Liga. No caso, a comissão independente entende que foram celebrados contratos comerciais e que se apresentaram contas incorretas para ocultar a situação financeira do clube perante os reguladores. O clube é acusado de inflacionar artificialmente as receitas, assim reduzir os custos em mais de mil milhões de euros, de modo a contornar o fair-play financeiro exigido, tanto na Premier League como na UEFA. O relatório aborda uma ultrapassagem aos limites de investimento previstos.

A investigação durou quatro anos, o City foi declarado culpado de 114 de 115 acusações e Richard Masters, CEO da Premier League, salientou a satisfação. "A decisão estabelece os factos sobre o que aconteceu no Manchester City durante este período e sobre como o clube violou sistematicamente as regras da Premier League durante quase uma década", disse o presidente, promovido em 2019 depois de ter estado 12 anos em cargos de direção de vendas e marketing no organismo. "É uma responsabilidade fundamental da Premier League garantir que as regras, aprovadas pelos próprios clubes, são cumpridas para proteger a integridade da competição. É fundamental que a liga permaneça competitiva e justa para todos os clubes e adeptos", vincou, classificando esta como "a decisão mais significativa da história da competição."

O Manchester City tem até 2 de outubro para recorrer, o que prometeu fazer. Até porque nesta fase ainda não se sabem possíveis punições. "O clube é inocente das acusações feitas pela Premier League e será incansável e, quando necessário, proativo em todos os fóruns regulamentares e legais apropriados", prometeu em reação, em nota oficial, vendo "erros materiais claros, de direito, de princípio e de facto", além de contestar que tenha sido ainda culpado por falta de cooperação.

Foi aventado pelo jornal Athletic a possibilidade de retirar 20 pontos por temporada ao clube, o que faria com que perdesse os três títulos em questão, mas o mesmo periódico dá conta de que vários dirigentes de topo da Premier League preferiam uma decisão mais branda, que não afetasse, por exemplo, sequer os critérios de acesso à Liga dos Campeões, onde tem estado presente recorrentemente. Em caso de ser aplicada uma curta dedução de pontos, o City perderia a edição de 2011/12, em que acabou empatado com o Manchester United, e a de 2013/14, quando venceu por dois pontos o Liverpool. Em 2017/18, ganhou por 19 pontos de diferença para o United, na altura comandado por José Mourinho. Fora da investigação estão os outros cinco campeonatos vencidos por Pep Guardiola ao comando do City, distribuídos entre 2018 e 2024.

Foi ainda avançado que os clubes ingleses poderão avançar com pedidos de indemnizações com valores estratosféricos, mas parece que o processo ainda será longo e que as penalizações, a serem aplicadas, demorarão. A descida de divisão era o cenário mais penalizador.

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Manchester City culpado de 114 das 115 acusações da Premier League. Pode ser multado e até descer de divisão
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