O Sporting de Braga entra esta quarta-feira na segunda mão dos oitavos de final da UEFA Europa League com uma tarefa exigente pela frente: recuperar de uma desvantagem de dois golos frente ao Ferencváros e manter vivo o sonho europeu. Depois do desaire por 2-0 em Budapeste, a equipa minhota precisa de uma resposta forte na Pedreira para alcançar os quartos de final, fase que já conseguiu atingir sempre que chegou a esta etapa da competição.Na antevisão ao encontro, o treinador bracarense, Carlos Vicens, deixou claro que o ponto de partida para a recuperação passa pela convicção interna do grupo. Após a derrota na Hungria, a primeira mensagem transmitida no balneário foi direta e sem margem para dúvidas: “Quem não acredita que seremos capazes de dar a volta, o melhor é ficar em casa”. O técnico explicou que o impacto emocional do resultado inicial foi evidente, mas sublinhou que, com o passar das horas e com a análise do jogo, a confiança começou a regressar ao grupo. “O jogador está frustrado naquele momento, depois está cabisbaixo, mas a energia muda porque começámos a conversar sobre o que correu mal. A crença continua a aumentar”, afirmou.Para transformar essa crença em realidade, Vicens considera que o Braga terá de apresentar um nível competitivo superior ao da primeira mão. O treinador apontou vários aspetos em que a equipa precisa de evoluir, desde a intensidade nos duelos até à mobilidade e à consistência com e sem bola. “Temos de oferecer um nível de mobilidade mais alto, ser sólidos com e sem bola e transmitir mais intensidade e agressividade”, explicou, acrescentando que, nesta fase da competição, não basta criar oportunidades: é necessário controlar os detalhes do jogo, defender bem na área e interpretar corretamente os momentos da partida.Outro ponto sublinhado pelo técnico espanhol prende-se com o equilíbrio emocional da equipa. Com uma desvantagem de dois golos, a tentação de acelerar demasiado o jogo pode surgir, mas Vicens alerta para a importância de manter clareza nas decisões. Na sua perspetiva, a eliminatória ainda está em aberto e “em 100 minutos de futebol tudo pode acontecer”, desde que o Braga mantenha organização e eficácia..Do outro lado, o treinador do Ferencváros, Robbie Keane, não espera um encontro confortável apesar da vantagem obtida em casa. O antigo internacional irlandês rejeitou a ideia de apresentar uma equipa demasiado defensiva em Braga e garantiu que os húngaros pretendem procurar o golo que pode praticamente sentenciar a eliminatória. “Se jogarmos assim durante 90 minutos com equipas destas, vamos sofrer e eles vão criar chances para marcar pela qualidade que têm”, referiu, acrescentando que a equipa terá de estar “taticamente bem e com energia”.Keane recordou ainda que um resultado de 2-0 pode ser enganador numa eliminatória europeia. “2-0 é um resultado perigoso. Demora um segundo a marcar e um golo pode mudar tudo”, alertou, sublinhando que os seus jogadores não celebraram excessivamente após a primeira mão precisamente porque sabem que a decisão ainda não está tomada.O treinador irlandês reconhece que o desafio será exigente, mas mantém confiança na capacidade do Ferencváros para responder ao ambiente e à pressão do jogo em Braga. A estratégia deverá passar por equilibrar organização defensiva com momentos de ataque rápido, explorando sobretudo a velocidade dos jogadores mais adiantados — um aspeto que o próprio Vicens identificou como uma das principais ameaças da equipa magiar.A partida terá ainda um contexto particular fora das quatro linhas. O horário pouco habitual, às 15h30, pode condicionar a presença massiva de adeptos, mas o treinador do Braga acredita que o apoio das bancadas será determinante. “Sabemos que o horário não ajuda, mas estou convencido de que os adeptos vão fazer um esforço. Juntos seremos mais fortes”, afirmou.Com uma desvantagem clara, mas não impossível de inverter, o Braga enfrenta um daqueles cenários típicos das noites europeias em que cada detalhe pode ser decisivo. Entre a necessidade de atacar e a obrigação de manter equilíbrio defensivo, os minhotos terão de encontrar a combinação certa entre intensidade, eficácia e controlo emocional. Do outro lado, o Ferencváros chega consciente de que um golo pode mudar completamente a história da eliminatória, mas também de que qualquer sinal de relaxamento pode reabrir a luta pelo apuramento. Num duelo em que ambos os treinadores admitem que tudo pode mudar num instante, a decisão promete ser jogada até ao último minuto..Sp. Braga perde por 2-0 com Ferencváros e fica mais longe dos quartos de final da Liga Europa