Leão e dragão menos artísticos. Campeão só mudou no lugar da classificação

Comparação estatística com dados do goalpoint.pt dos três grandes entre a 15.ª jornada da época passada e desta temporada

Analisando os dados estatísticos das primeiras 15 jornadas do campeonato e comparando-os com os do período homólogo da temporada passada, chegamos rapidamente a uma breve conclusão; o Sporting e o FC Porto são equipas que deixaram a nota artística para segundo plano, preferindo um caminho mais direto para o golo. Se isso é natural nos dragões, visto que Sérgio Conceição sucedeu a Nuno Espírito Santo, ou seja, houve uma mudança de treinador, no Sporting Jorge Jesus manteve-se, mas a filosofia leonina alterou-se ligeiramente. Comparemos as posses de bola de uma época para outra e o número de passes eficazes para o último terço de terreno e verificamos que houve uma descida abrupta. A grande diferença entre os líderes da prova é que o Sporting é bastante mais eficaz do que o FC Porto, que, no entanto, remata muito mais.

Já o Benfica só mudou na classificação, de resto tem valores muito semelhantes de uma época para a outra (até a posse de bola é idêntica), melhorou na criação de ocasiões flagrantes e, inclusivamente, permite menos veleidades ao adversário. A finalizar, refira-se que a equipa com mais posse de bola da I Liga é o Rio Ave - 63,1%.

FC PORTO

Quando os números são o espelho do novo Dragão

Mais remates (dez), mais remates enquadrados (nove), mais golos (11), mais ocasiões flagrantes (27!!) e menos golos sofridos (um) - estes são os itens que costumam, por norma, ditar o resultado final de um jogo. E falamos de valores absolutos em relação aos primeiros 15 encontros da temporada passada por comparação com a atual. E, assim, ficamos elucidados em relação à melhoria do FC Porto, que em 2016-17, nesta altura do ano, estava em segundo lugar com menos cinco pontos do que aqueles que tem atualmente e que lhe proporcionam a liderança, ainda que partilhada com o Sporting - sendo importante referir que são primeiros devido à diferença de golos.

Podemos perceber que o futebol praticado pelo FC Porto de Sérgio Conceição tem diferenças estruturantes em relação ao FC Porto de Nuno Espírito Santo. Ou seja, o atual FC Porto é uma equipa que pratica um futebol mais direto, só assim se pode entender que nas primeiras 15 jornadas tenha menos 300 passes eficazes para o último terço comparativamente à época passada (22 por jogo!) e, mesmo assim, apresente números mais significativos em termos de remates e de golos. Ou seja, houve uma mudança de filosofia que para já está a render os seus frutos.

Curiosa é a alínea dos remates feitos pelos adversários. O FC Porto permitiu mais remates, mas menos enquadrados, ainda assim a diferença defensiva é pouco significativa, apenas um golo separa as duas temporadas, mais uma vez a favor do atual FC Porto.

Nas faltas, fruto da agressividade imposta por Sérgio Conceição, os dragões são, entre os três grandes, os mais impetuosos. Comparativamente ao ano passado, também existe um diferencial importante, fruto da intensidade que o atual treinador portista exige aos seus futebolistas. Faltas sofridas são 212, tantas como no período homólogo da época passada.

SPORTING

Eficácia e Patrício de alto nível explicam muita coisa

Olhando para os números, pode parecer estranho como é possível a equipa de Jorge Jesus ter um melhor desempenho pontual em relação à época passada. Agora os leões têm 39 pontos e partilham a liderança com o FC Porto, na temporada transata estavam na quarta posição, com 30 pontos, menos oito do que o líder Benfica e já não tinham Europa. A ilação que se pode retirar é que atualmente o Sporting produz menos jogo ofensivo, mas o mesmo tem mais qualidade do que o de 2016-2017.

Na amostra dos primeiros 15 encontros do campeonato fornecida pelo Goalpoint.pt podemos constatar que há uma diferença significativa na média de remates efetuados e mesmo de tiros enquadrados com a baliza adversária a favor da época passada, contudo o Sporting tem mais golos apontados e também mais ocasiões flagrantes.

Ou seja, ataca menos, mas melhor e mais pela certa e é mais eficaz na hora de visar a baliza (18% nesta temporada contra 12,3% da passada época). A nível defensivo percebemos que, grosso modo, o Sporting está a permitir mais veleidades aos adversários neste ano mas, curiosamente, sofre menos golos. Permite quase o dobro dos remates a cada 90 minutos e também mais remates enquadrados, mas menos golos.

A explicação dá pelo nome de Rui Patrício, em muito melhor forma nesta temporada do que nos primeiros seis meses da época 2016-2017. Tem na atual edição da I Liga 81,6% de remates defendidos - no período homólogo de 2016-17 tinha sustido 66,7%. A juntar a isto há o facto de o Sporting ter marcado relativamente cedo nalgumas partidas, sendo depois natural a reação dos seus opositores. V. Guimarães, Estoril, Tondela, Chaves, Belenenses ou Portimonense são alguns desses exemplos. Ainda assim, salta à vista mais qualidade na equipa e jogadores em forma.

BENFICA

Falta de ligação e grande diferença nas faltas

Há um ano o Benfica liderava a classificação e tinha mais dois pontos do que tem atualmente, estando agora na 3.ª posição da tabela, com menos três pontos do que os dois rivais na luta pelo título.

Quem não soubesse disto e olhasse apenas para os dados estatísticos fornecidos pelo Goalpoint.pt tinha tudo para apostar que o Benfica neste ano estava a ter uma época melhor. Tem mais remates enquadrados em menos tentativas, o que significa que até melhorou na hora de atirar à baliza. Está mais eficaz, criou esmagadoramente mais ocasiões flagrantes - 45 contra 25, quase o dobro da média por jogo -, entendendo-se por este item quando um jogador recebe a bola isolado ou com apenas um adversário pela frente. O Benfica neste ano tem mais cinco golos, permitiu menos remates e sofreu apenas mais dois golos do que na época passada. Ou seja, estes dados desmentem, de certa forma, a menor qualidade defensiva apregoada aos sete ventos, fundamentada com as vendas de Ederson, Nélson Semedo e Lindelöf.

O que se pode inferir é que o Benfica não estará significativamente pior, provavelmente nem pior está, mas sim os rivais é que estarão num patamar superior. Ainda assim, tentando decifrar algumas causas do menor fulgor encarnado, basta olhar para a descida da média de passes eficazes para o último terço. Ou seja, a ligação defesa-ataque perdeu qualidade e a isto não será alheio o menor rendimento de Pizzi e a inconstância de algumas exibições de Filipe Augusto, agora arredado das primeiras opções.

Mas é nas faltas que reside uma enorme disparidade. O Benfica agora comete mais do que sofre e na época passada sucedia o inverso. Em 15 jogos, os encarnados cometeram 258 faltas, mais 64 do que em 2016-17 no período homólogo e isso, claro, reflete-se na média - são mais quatro por jogo. Já as sofridas são menos 2,6 a cada 90 minutos.

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