Klopp quer "recuperar a bandeira" alemã para não deixar orgulho nacional nas "mãos erradas"
Jürgen Klopp quer aproveitar o futebol para "recuperar a bandeira" alemã e evitar que o orgulho nacional fique nas "mãos erradas". O novo selecionador da Alemanha defendeu esta quinta-feira, 17 de setembro, um "patriotismo positivo", poucos dias depois da vitória da extrema-direita nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt.
Klopp não mencionou diretamente a Alternativa para a Alemanha (AfD), mas fez referência aos recentes resultados eleitorais durante a apresentação da sua primeira convocatória como selecionador. A AfD, partido anti-imigração, obteve quase 44% dos votos na Saxónia-Anhalt nas eleições de 6 de setembro.
"Gostaria de recuperar a bandeira para mim e para nós", afirmou o antigo treinador de Liverpool e Borussia Dortmund. Klopp explicou que pretende que a bandeira alemã possa ser exibida como símbolo de felicidade e pertença ao país, independentemente de alguém ter nascido na Alemanha ou escolhido viver no território.
O técnico reconheceu que falar em orgulho nacional continua a ser uma questão sensível no país, mas rejeitou que o conceito tenha de estar associado à extrema-direita. "Posso ter orgulho em ser alemão e continuar aberto, diverso, gentil e amigável", afirmou, defendendo que a seleção pode contribuir para reforçar o sentimento de comunidade na sociedade alemã.
Surpresa na convocatória
Klopp aproveitou a mesma conferência de imprensa para apresentar a sua primeira convocatória e surpreendeu ao chamar 44 jogadores para os próximos quatro encontros da Liga das Nações.
O treinador dividiu os convocados em dois grupos praticamente diferentes: 24 para os jogos com Países Baixos e Grécia, em setembro, e outros 20 para os encontros com Sérvia e novamente Grécia, em outubro.
O guarda-redes Finn Dahmen é o único jogador presente nos dois grupos. A estratégia permite a Klopp observar um número elevado de jogadores no início do trabalho, juntando internacionais experientes a vários estreantes.
Entre as novidades estão Mika Baur, Vitaly Janelt e Felix Keidel, enquanto Karim Adeyemi regressa após 11 meses de ausência e Leroy Sané e Deniz Undav ficam de fora.

