Jorge Jesus elogia Portugal após triunfo na Noruega: “Foi uma excelente vitória”
Jorge Jesus mostrou-se satisfeito com a vitória de Portugal sobre a Noruega, por 2-1, na segunda jornada da Liga das Nações, considerando que a seleção superou um adversário de primeira linha europeia. João Félix abriu o marcador, Erling Haaland empatou para os noruegueses e Gonçalo Ramos decidiu a partida, numa noite em que Cristiano Ronaldo não saiu do banco.
“Foi uma excelente vitória porque jogámos contra uma das melhores equipas da Europa atualmente. Está no top-5, como Portugal”, afirmou o selecionador, sublinhando a exigência colocada pela equipa escandinava, sobretudo pela presença de Haaland. “Tem um ponta de lança que, a qualquer momento, pode marcar. É uma coisa incrível.”
Jesus realçou a capacidade defensiva portuguesa, apesar das ocasiões criadas pelo avançado do Manchester City. “A nossa última linha e, especialmente, os dois centrais, com a ajuda do João Palhinha e do Rúben Neves quando entravam no processo defensivo, foram muito fortes no corredor central. Mesmo assim, o Haaland fez seis finalizações dentro da área e marcou numa.”
O treinador reconheceu que Portugal ainda tem aspetos a melhorar, nomeadamente nas bolas paradas, mas viu evolução face ao encontro com o País de Gales. “Voltámos a ser organizados defensivamente e fomos mais criativos ofensivamente, também com a entrada de jogadores. Fomos uma equipa sempre muito serena em campo. Podemos fazer melhor defensivamente na bola parada. Ofensivamente, também ainda não temos ideias, não há ainda um trabalho coletivo. É normal: não tive tempo para isso.”
“Estou a fazer experiências com jogos a sério”
A vitória em Oslo foi o segundo teste de Jorge Jesus à frente da seleção e o técnico assumiu que está a aproveitar a competição para consolidar ideias, sem esconder o risco associado a essa opção. “Não ganhámos ao Azerbaijão nem ao Luxemburgo. Ganhámos a uma equipa que, se calhar, está no top-5 da Europa. Tenho de estar satisfeito. Esta equipa tem margem para crescer, claro. Estou a fazer experiências com jogos a sério e, jogo após jogo, vou tendo cada vez mais ideias para tomar decisões.”
Na mesma linha, explicou que as alterações durante a segunda parte não foram feitas para proteger a vantagem mínima. “As minhas substituições, mesmo nos últimos dez minutos, nunca foram a pensar em defender o resultado. Foram sempre a pensar em fazer o 3-1. Achei que a Noruega podia ser surpreendida com jogadores frescos e mais ofensivos, em vez de colocar jogadores mais defensivos.”
Bernardo Silva foi uma das opções usadas para dar maior controlo ao encontro. “O Bernardo tem uma qualidade muito grande na posse de bola individual e precisávamos de alguém que controlasse o jogo no corredor central”, justificou.
João Félix “fartou-se de correr”
Jorge Jesus deixou elogios claros a João Félix, autor do primeiro golo português, não apenas pela qualidade com bola, mas também pelo compromisso sem ela. “Não se defende só com a última linha. A primeira linha é muito importante para termos uma equipa pressionante e é assim que eu quero. O Gonçalo Ramos tem um jogador para marcar e o João Félix tem dois, um médio e um central. Fartou-se de correr e voltou a jogar muito.”
Sobre Gonçalo Ramos, decisivo ao marcar o golo da vitória, o selecionador recusou dar-lhe um estatuto diferente dos restantes avançados. “Ganha o mesmo espaço que os outros, tudo igual. Quando achar que ele joga, joga, e quando achar que não joga, não joga, como os outros.”
Ronaldo pode regressar diante da Dinamarca
A ausência de Cristiano Ronaldo da partida foi uma das questões mais abordadas no final. Jorge Jesus revelou que ponderou lançar o capitão, mas a evolução do jogo levou-o a optar por soluções com outras características.
“Estava a pensar metê-lo no jogo durante meia hora, mas o jogo foi ditando outras coisas e achei que não era o momento para o meter. Não foi para o proteger fisicamente, porque ele estava em condições de jogar o tempo que eu quisesse. Precisava de um jogador com outras características.”
O selecionador deixou, porém, uma garantia sobre o futuro imediato do avançado: “Isso não quer dizer que esteja fora das opções, pelo contrário. Na Dinamarca, se calhar, é ele que vai jogar.”
Portugal volta a entrar em campo na quarta-feira, em Copenhaga, frente à Dinamarca, depois de ter assumido a liderança do grupo com duas vitórias.

