João Vieira: "Não estou a apontar às medalhas, mas a fazer um bom resultado"

Marchador do Sporting vai tornar-se no atleta português com mais presenças em mundiais de atletismo (12) aos 46 anos. É o único medalhado em mundiais ao ar livre entre os 23 da comitiva portuguesa (foi prata em Doha 2019). Vai competir nos 35 Km marcha na madrugada de domingo e não promete repetir a presença no pódio, até porque a preparação foi comprometida por uma cirurgia em setembro do ano passado.

Chega aos Mundiais de Oregon 2022 com 46 anos e depois de bater o recorde nacional dos 35 km marcha em abril [2h33m23s]. O que isso significa?

Significa uma grande disciplina e um grande empenho a uma disciplina, a marcha atlética. Ter batido o recorde nacional em abril foi um marco muito importante para mim porque mostrou que ainda tenho condições para andar entre a elite como estes campeonatos do Mundo ou nos Jogos Olímpicos. Como é uma distância nova (35 km) e com a preparação que eu fiz com a minha treinadora (Vera Santos) não foi muito difícil bater o recorde nacional e agora é continuar a trabalhar para bater mais vezes o recorde. Continuo a trabalhar como se fosse um jovem ainda.

Como foi a preparação para estes mundiais, tendo em conta que ainda estamos num cenário de pandemia e que este ano tem dois mundiais e um europeu no calendário?

Para mim a pandemia já passou há muito tempo. Desde agosto do ano passado que vivemos uma nova normalidade e a preparação foi em contexto normal, como se não houvesse pandemia. Não podemos ficar parados, parar é morrer e a preparação continuou para estar o mais bem preparado possível nestes campeonatos.

Foi o único português medalhado em Doha 2019 (prata nos 50 Km marcha) e vai tornar-se no atleta português com mais presenças na competição (12). Que importância tem isso para si enquanto atleta e enquanto pessoa?

Conquistar uma medalha num campeonato do mundo é muito importante para qualquer atleta, mas para mim foi mesmo muito importante. Foi o melhor resultado da minha carreira até hoje. Toda a minha carreira lutei e me dediquei para obter um resultado honroso numa prova como os mundiais e consegui. Agora é continuar a trabalhar para conseguir mais excelentes resultados. Ser o mais velho a conquistar uma medalha é um marco muito importante e significa que vou ser lembrado por muitos anos.

Os 35 km marcha vão-se estrear nestes Mundiais. É a distância que prefere e melhor serve os seus objetivos? Vai apontar às medalhas?

Neste momento já não é a minha distância preferida, a minha distância de eleição é de 50 m, mas a partir do momento em que a World Athletics acabou com essa distância mudei o foco para os 35 Km. Tem mais intensidade. Não estou a apontar às medalhas, mas em fazer um bom resultado. Estou num momento da carreira difícil. Ainda estou a recuperar de uma cirurgia que fiz em setembro do ano passado e que prejudicou o treino durante o inverno, mas vou tentar fazer um bom resultado numa nova distância, em que ainda estou a aprender. Conquistar um lugar honroso é o lema.

A marcha é a disciplina mais representada entre a comitiva portuguesa em Oregon. O que isso diz da marcha portuguesa?

Não é a primeira vez. Significa que a marcha está viva em Portugal, a trabalhar e a ter bons resultados e merece ter o destaque de outras disciplinas do atletismo. Duas das últimas três medalhas em mundiais foram na marcha [Inês Henriques, ouro em Londres 2017 e João Vieira, prata em Doha 2019].Temos excelentes atletas entre a veterania e os jovens atletas.

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