Mohammad Mohebi festeja o segundo golo do Irão.
Mohammad Mohebi festeja o segundo golo do Irão.FOTO: EPA/CHRIS TORRES

Irão empata com a Nova Zelândia e é forçada a deixar EUA logo após o jogo. "Somos a equipa mais oprimida do Mundial", diz o treinador

Após o jogo, a seleção iraniana recebeu no balneário o presidente da FIFA, Gianni Infantino, que enalteceu a mensagem que está a enviar ao mundo. Taremi reconhece o esforço da FIFA, mas diz que "tem de fazer mais". "Tem sido tudo um desastre", disse o ex-portista.
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O Irão arrancou um empate 2-2 com a Nova Zelândia, em jogo do grupo G do Mundial 2026, que se realizou na madrugada desta terça-feira, 16 de junho, no Estádio SoFi, em Inglewood, na Califórnia.

Foi uma autêntica aventura aquela que os iranianos nesta primeira incursão nos Estados Unidos, na sequência da guerra entre os dois países. A seleção do Médio Oriente, que foi forçada a montar o quartel-general no México, foi autorizada a entrar em solo norte-americano só para o jogo.

A partida até começou melhor para os neozelandeses que abriram o marcador aos sete minutos por Elijah Just. Ainda assim, o Irão reagiu e empatou aos 32 por Ramin Rezaeian, resultado com que se atingiu o intervalo. No segundo tempo, repetiu-se o cenário, com a Nova Zelândia a voltar a marcar por Just (54') e Mohammad Mohebbi a fazer o empate aos 64 minutos.

Após a partida, o selecionador iraniano Amir Ghalenoei revelou que tinha de deixar os Estados Unidos ainda antes do que estava planeado, o que prejudicou a recuperação dos jogadores.

"Não nos deram tempo para recuperar. Depois do jogo disseram-nos 'vocês têm de ir embora imediatamente'. Para nós é muito importante termos tempo de recuperação, mas pediram-nos para voltarmos ao avião e regressarmos a Tijuana. Estamos muito perturbados com tudo isto", disse, acrescentando que "o Irão é a equipa mais oprimida deste Mundial".

"Honestamente não sei por que nos obrigam a regressar tão depressa. Penso que isto é tudo muito estranho, parece que outras pessoas estão a planear as coisas por nós, que as decisões estão a ser tomadas noutro lugar... Era suposto virmos duas noites antes do jogo, dormirmos cá e regressarmos apenas amanhã [esta terça-feira], por volta da hora do almoço. Não faço ideia o que aconteceu", lamentou Amir Ghalenoei.

O selecionador revelou que muitos jogadores tiveram cãibras durante o encontro com a Nova Zelândia, algo que diz ser devido aos obstáculos burocráticos colocados à equipa. "Não fizemos as substituições por questões técnicas. O facto de atrasarem a nossa chegada e nos forçarem a sair mais cedo, sem tempo para recuperar, torna tudo muito mais difícil", sublinhou.

A viagem de regresso ao México foi tudo menos fácil para os iranianos devido aos controlos fronteiriços demorados e complicados para alguns futebolistas, nomeadamente para o capitão Mehdi Taremi (antigo jogador do Rio Ave e do FC Porto) e para Saeed Al-Hawie, que atrasou ainda mais a viagem.

Precisamente, Taremi revelou que a seleção iraniana recebeu no balneário Gianni Infantino, presidente da FIFA, logo após o jogo: "Ele quer ajudar-nos, mas há outras coisas na mesa. A FIFA tem de fazer mais. Tem sido tudo um desastre. Vamos ver o que acontece no futuro."

A comunicação de Infantino aos jogadores e staff do Irão foi difundida nas redes sociais pela rádio francesa RMC Sport, tendo o presidente da FIFA expressado a sua simpatia pela atitude da seleção do Médio Oriente.

"Esta noite, foi um jogo difícil e, com um pouco mais de sorte, poderiam ter ganho. Mas pelas vossas famílias, amigos, povo e mundo, devem mostrar que estão no Campeonato do Mundo, que estão a competir, e ainda vos restam dois jogos. E nesses dois jogos que vos faltam, voltarão a encher o mundo de orgulho com o que fazem", disse Infantino, acompanhado pelo embaixador da FIFA, o antigo jogador Youri Djorkaeff.

"Eu sei e compreende pelo que estão a passar, mas vocês são mais fortes do que tudo. Estão a enviar uma mensagem forte ao mundo", sublinhou, recebendo o aplauso de toda a comitiva iraniana no balneário.

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