Joni Brandão volta aos grandes palcos entre um pelotão de elite

Corredor do Sporting-Tavira falhou segunda parte da época passada devido à doença do beijo. Recomeçou do zero e é uma das referências na Volta ao Algarve que arranca hoje

A Volta ao Algarve em bicicleta arranca hoje (12.00) com mais um pelotão carregado de figuras de elite internacional, como tem sido imagem de marca da prova ano após ano. Mas assinala também o regresso de Joni Brandão às corridas mais mediáticas e importantes do ciclismo, depois de uma longa ausência, anunciada nas vésperas do arranque da última Volta a Portugal, por motivo de doença, numa altura em que o então novo reforço do Sporting-Tavira era apontado como um dos favoritos.

Agora, depois das primeiras pedaladas no Gabão e na Prova de Abertura, o corredor natural de Travanca diz que está com uma "saúde perfeita" e preparado para continuar a somar "mais quilómetros de competição", apesar de não estar ainda no melhor momento de forma - mas promete "voltar ao máximo nível a curto prazo".

Para trás ficaram meses complicados, de bastante sofrimento. "Sobretudo por não competir e não poder ajudar os meus colegas na discussão das corridas", diz. Joni Brandão esteve totalmente parado durante três meses e depois recomeçou "do zero", salientando os momentos difíceis e, em particular, o primeiro treino depois da doença. "Ninguém espera um problema destes. Tocou-me a mim. Preferi não falar do assunto, também por uma questão de privacidade, e só lamento algumas especulações que então vieram e lume", assinala o ciclista, vítima de uma mononucleose infecciosa - conhecida como a doença do beijo -, causada por um vírus, em que se verifica o aumento do número de linfócitos no sangue, com fortes sintomas de fadiga.

O mau tempo, porém, já lá vai. Joni Brandão sustenta só querer "olhar para a frente" e acredita poder ajudar um colega a ficar no top 10 da Volta ao Algarve, que é o principal objetivo do Sporting-Tavira para esta prova. "Temos ambições e vamos lutar por uma boa posição na geral, já que ganhar a prova é bastante complicado, em virtude da concorrência e das boas equipas participantes. Mas nós estamos moralizados e é possível a obtenção de bons resultados", acrescenta, aludindo ao facto de "a base da equipa se manter e os reforços serem reais mais-valias". Dos três novos elementos da formação, dois deles vão pedalar no Algarve: o russo Alexander Grigoryev e o italiano Nicola Toffali.

Cinco etapas, muitos ases

A Volta ao Algarve arranca hoje de Albufeira, com chegada a Lagos, comportando o figurino que faz da prova uma referência internacional, incluindo duas etapas de montanha (Foia e Malhão), um contrarrelógio (Lagoa-Lagoa) e uma outra etapa destinada a roladores e sprinters, com a meta em Tavira. Ao todo, cinco tiradas, num total de 773,5 quilómetros, com 173 corredores de 25 equipas, 13 do World Tour - a primeira divisão do ciclismo -, três continentais profissionais e nove continentais portuguesas. Entre os inscritos, contam-se 19 corredores do top 80 mundial, dois deles do top 10: o polaco Michal Kwiatkowski (8.º) e o belga Philippe Gilbert (10.º).

A Algarvia vai ser transmitida para 120 países, operação a cargo da Eurosport, que, com a TVI24, oferece para Portugal os diretos dos cinco dias. A importância da prova é por demais conhecida, sem paralelo no mediatismo das corridas em solo luso, com uma particularidade elucidativa: reúne, como já se disse, 13 equipas do World Tour, suplantando a Volta a Omã, com nove, e a Volta a Andaluzia, com sete, eventos que se realizam igualmente nesta semana. O lote de inscritos, de resto, é mais uma vez de primeira linha, com destaque para Richie Porte (BMC), Tony Martin (Katusha), Geraint Thomas e Michal Kwiatkwoski (Sky), que, entre si, venceram seis das últimas sete edições da Volta ao Algarve. Mas há mais, casos de Tejay van Garderen (BMC), Bob Jungels (Quick-Step Floors), Louis Meintjes e Serge Pauwels (Dimension Data), Simon Spilak (Katusha), Sam Oomen (Sunweb), Bauke Mollema (Trek-Segafredo) e Daniel Martin (UAE Team Emirates), todos eles capazes de lutar pela amarela.

Entre os emigrantes portugueses, e apesar da ausência de Rui Costa e Amaro Antunes, oportunidade para Nelson Oliveira e Nuno Bico (Movistar), José Gonçalves e Tiago Machado (Katusha), Rúben Guerreiro (Trek-Segafredo), Joaquim Silva e Rafael Reis (Caixa Rural) confirmarem o porquê de pedalarem na alta-roda mundial. E há ainda um "tal" de Venceslau Fernandes, filho do "velho Lau"e irmão de Vanessa, que se estreia no Algarve correndo pela Liberty Seguros.

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