Direito conquista a sua quarta Taça Ibérica

Os campeões nacionais venceram esta tarde, no CAR do Jamor, o VRAC Quesos Entrepinares, por 22-12

Devido à muita chuva dos últimos dias que tornou impraticável o seu relvado de Monsanto, os advogados tiveram que utilizar o campo emprestado do Centro de Alto Rendimento (CAR) do Jamor, que teve uma assistência bem agradável e obviamente na sua maioria portuguesa, pese embora os muitos espanhóis que se deslocaram de Valladolid para apoiarem o tetracampeão espanhol que, com novo desaire, soma agora uma só vitória nas sete finais que disputou. Precisamente o ano passado, em casa, diante do CDUL.

Esta quarta vitória de Direito na sua oitava final ibérica foi inteiramente justa e conseguida perante um adversário que mostrou grandes debilidades no jogo à mão, privilegiando o contacto físico, departamento onde "nuestros hermanos" - num quinze titular recheado de profissionais e com oito não espanhóis! - se mostraram sempre mais confortáveis no contacto físico e abusando do jogo ao pé, sem resultados práticos que se vissem.

O VRAC até marcaria os primeiros pontos do encontro (3-0 numa penalidade do abertura inglês Gareth Griffiths, aos 6 minutos), mas cedo Direito se apoderou dos cordelinhos do jogo, preferindo abrir a bola e fazendo um râguebi expansivo e de bola na mão, que confundia uma equipa que pareceu mal preparada para responder a este modelo de jogo aberto. Mesmo tendo como n.º 12 o reforço internacional português Nuno Penha e Costa (ex-CDUL), que conhece de sobejo os advogados de muitas e duras batalhas nas últimas épocas...

Com um homem a mais por cartão amarelo ao asa Troy Mangan, Direito empatava aos 17 minutos num pontapé de Nuno Sousa Guedes (autor de 12 pontos em penalidades) após um belo lance decorrente de brilhante sequência à mão travada em falta espanhola.

Aos 34 minutos Griffiths punha o VRAC na frente (6-3), mas logo a seguir um contra-ataque de 60 metros da equipa portuguesa (mesmo com o jovem talonador Diogo Diniz a demorar uma eternidade para decidir a quem passar a oval...) seria concluído em grande estilo pelo ponta António Ferrador, colocando Direito a vencer por 8-6 ao intervalo.

Na 2.ª parte o Quesos tentou emendar a mão e decidiu abrir um pouco mais o seu jogo, mas aí foi a vez dos campeões nacionais defenderem muito e bem, nunca abrindo a mínima brecha no seu reduto. Mesmo em desvantagem numérica num período por amarelo a Duarte Diniz, Direito chegou as 10 minutos do fim a vencer por 14-12 (trocas de pontapés entre os chutadores Griffiths e Sousa Gudes).

E aí surgiria o lance que resolveu em definitivo a final, quando o defesa Casteglioni hesitou demasiado tempo, esperando que a bola entrasse na sua área de validação, o que lhe seria fatal. Pressionado por Adérito Esteves e João Correia, permitiu que o veterano pilar e antigo capitão dos Lobos conseguisse o toque de meta para um saboroso ensaio, oportuno e que de uma vez por todas designava o nome do vencedor da Taça Ibérica 2015.

Direto alinhou com: Sousa Guedes (3,3,3,3); Ferrador (5), José Maria Vareta, Manuel Pereira, Adérito Esteves; Luís Salema, Pedro Leal; Vasco Fragoso Mendes, Vasco Uva (cap.), Luís Portela, João Travassos, Luís Sousa, Bruno Raposo, Duarte Diniz e João Correia (5). Do banco saltaram ainda Francisco Tavares, Jorge Segurado, José Lupi, Gonçalo Uva, Salvador Palha, Manuel Queirós, José Cabral e João Vaz Antunes.

Após 36 edições da Taça Ibérica passam agora a registar-se 20 triunfos espanhóis contra 16 portugueses, estes através de Benfica (1971, 86, 88 e 2001), Direito (99, 2002, 2013 e 2015), Cascais (92, 93 e 96), CDUL (83, 84 e 2012), Académica (97) e Agronomia (2007). Com esta vitória os advogados igualaram o Benfica - atualmente no segundo escalão do râguebi nacional e que tantas dificuldades vem atravessando na sua mais antiga modalidade para lá do futebol -, Santboiana e El Salvador como as equipas com mais triunfos ibéricos, com quatro títulos para cada.

No final do encontro o feliz técnico de Direito, Martim Aguiar, explicou assim o triunfo: "Somos talhados para as finais. Apesar de não termos conseguido dar espetáculo, porque o jogo foi muito duro, com muito contacto físico, tivemos cabeça do princípio ao fim. Tínhamos estado bem nos três jogos europeus anteriores e queríamos muito esta vitória".

Este encontro foi também o último das duas equipas na qualificação para a Challenge Cup da próxima época, tendo ambas falhado o acesso à segunda maior competição europeia de clubes. Recorda-se que os advogados tinham perdido os anteriores três jogos frente aos italianos do Rovigo e do Flamme Oro e também diante dos alemães do Heidelberg.

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