Hamilton conquista primeira "pole" pela Ferrari no México em qualificação emocionante
A qualificação para o Grande Prémio da Cidade do México proporcionou este sábado ao fim do dia um dos desfechos mais renhidos e memoráveis da temporada, tendo selado a primeira pole position de Lewis Hamilton desde a sua chegada à Ferrari.
Numa sessão em que o ar rarefeito e a altitude de 2240 metros voltaram a baralhar o rendimento dos monolugares, o piloto britânico rodou em 1:16.514 na sua derradeira tentativa no Q3, superando o seu antigo colega de equipa George Russell (Mercedes) por escassos 0,009 segundos, que fixou a marca de 1:16.523.
Charles Leclerc garantiu o terceiro posto com 1:16.633, a 0,119 segundos do topo, completando um forte contingente da Scuderia na frente da grelha de partida.
À saída do monolugar, ainda em regime de Parc Fermé, um Hamilton visivelmente emocionado não escondeu o alívio e a satisfação por quebrar o jejum ao volante do bólide de Maranello: "É uma sensação indescritível conseguir a minha primeira pole com a Ferrari. Ontem [sexta-feira] o dia foi duro com a paragem forçada no FP2, mas a equipa fez um trabalho notável durante a noite a afinar o caro. Sabia que a margem seria mínima com a altitude e o ar rarefeito, mas acertei no setor intermédio quando mais importava. Amanhã a corrida até à Curva 1 vai ser longa, mas largar da frente dá-nos a melhor perspetiva possível."
George Russell lamentou a desvantagem mínima, mas salientou as virtudes estratégicas de partir na linha da frente: "Nove milésimos custam sempre a engolir quando se está tão perto da pole! Mas temos de olhar para o quadro geral - o carro esteve vivo e muito equilibrado no Q3. No México, arrancar de segundo no cone de aspiração para a Curva 1 nem sempre é uma desvantagem, por isso estamos totalmente na luta pela vitória amanhã."
Também Charles Leclerc subscreveu o otimismo quanto ao comportamento dos carros encarnados: "Foi uma qualificação muito renhida. Faltou-me um pouco de aderência na traseira no último setor, onde perdi essa décima para o Lewis e para o George. De qualquer forma, ter os dois carros no top 3 é um resultado fantástico para a Scuderia. O ritmo em corrida é forte e vamos jogar com isso amanhã."
Logo atrás do trio da frente ficou Max Verstappen, que registou o quarto melhor tempo da sessão (1:16.692). Contudo, o piloto da Red Bull não irá alinhar nessa posição. O neerlandês foi sancionado pelo colégio de comissários da FIA com a perda de um lugar na grelha na sequência de uma colisão evitável com Liam Lawson (Racing Bulls) durante o FP2. A penalização promoveu Andrea Kimi Antonelli ao quarto lugar da grelha de partida.
Antonelli a dois pontos da consagração
A corrida deste domingo no traçado mexicano representa o momento de todas as decisões para Andrea Kimi Antonelli. O jovem prodígio italiano, que comanda a classificação geral, entra na prova a apenas dois pontos de garantir matematicamente o seu primeiro título mundial de Fórmula 1, bastando-lhe cruzar a linha de meta no nono lugar ou superior para não depender de mais nenhum resultado e sagrar-se campeão.
Apesar de beneficiar do recuo de Verstappen para ascender à segunda linha, Antonelli acabou por ser batido internamente pelo companheiro de equipa, George Russell, que rubricou o segundo registo e assegurou a primeira linha da grelha.
Com Russell a partir no encalço imediato de Hamilton e Antonelli a arrancar da quarta marca, a Mercedes coloca os seus dois homens na perseguição direta ao líder da Ferrari, numa prova que pode reescrever a história da modalidade caso o jovem transalpino confirme a vantagem na pontuação.
Pesadelo para Oscar Piastri: eliminado no Q2
A grande surpresa pela negativa da tarde pertenceu a Oscar Piastri. O australiano da McLaren não foi além de um modesto 13.º lugar no Q2, registando o tempo de 1:17.646, ficando irremediavelmente afastado do lote dos dez pilotos que discutiram a pole position.
O desaire de Piastri resultou de uma combinação entre a falta de aderência no eixo traseiro do MCL38 e uma aposta estratégica falhada na garagem da equipa britânica. A McLaren optou por poupar um jogo de pneus macios novos, enviando o piloto para a sua primeira tentativa no Q2 com um composto usado.
A evolução da pista no final da sessão superou os cálculos da formação de Woking, forçando Piastri a uma derradeira volta de "tudo ou nada" sob tráfego e sem a temperatura ideal nos pneus dianteiros. Um bloqueio de rodas na abordagem ao complexo do Foro Sol arruinou a tentativa do australiano, selando a sua eliminação prematura e complicando severamente as ambições de recuperação para a corrida deste domingo.

