Frederico Morais: "O meu foco neste ano está em entrar para a elite mundial"

Entrevista ao surfista, de 24 anos, bicampeão nacional, após a vitória na segunda etapa da Liga Moche, na Costa da Caparica.

Chegou à praia do CDS na Costa de Caparica viu e venceu. Foi difícil? Para quem estava de fora parece que não teve muitos problemas...

Nunca é fácil. Além disso, tinha acabado de chegar da Austrália, onde estive a treinar, e as primeiras baterias foram complicadas com o fato e o frio, foi um pouco estranho... Os surfistas da Liga estão todos com um nível incrível. Vi a transmissão da primeira etapa com grandes pontuações e disputas muito renhidas, estava à espera do mesmo na praia do CDS e isso acabou por acontecer.

Como é que acha que Vasco Ribeiro - o seu maior rival na Liga, uma vez que desde 2011 o título nacional anda a balançar entre vocês os dois - ficou após ter sido eliminado prematuramente?

Não deve ter ficado satisfeito porque todos nós estamos ali para alcançar o nosso melhor resultado, de preferência uma vitória, mas acho que temos uma rivalidade amigável, por assim dizer. Quando competimos um contra o outro acaba por ser sempre uma bateria renhida, que puxa por nós, umas vezes ganha um, outras vezes ganha outro, e isso faz parte da competição. Penso que existe sempre um lado positivo na derrota e ele deve ter chegado às suas conclusões na Costa.

Além de Vasco, quem acha que neste ano vão ser os seus maiores rivais na Liga?

Não sei... Obviamente, depois destes últimos resultados, o Gony Zubizarreta, que é um excelente surfista, quase português. Ganhou a primeira etapa, na qual não pude estar presente, e ficou em segundo agora. E o Saca também. Porém, acho que depende de como as coisas forem correndo ao longo do ano e tudo pode mudar de um momento para o outro. Temos ótimos surfistas em prova.

A Liga tem vindo a melhorar de ano para ano e a maioria dos surfistas está satisfeita com esta evolução. Existe no entanto alguma mudança que gostasse de ver concretizada num futuro próximo?

Sinceramente, não tenho nada a apontar. Penso que o trabalho que tem vindo a ser feito é excelente. Mais etapas, acho que não vale a pena. E os lugares onde vamos são as principais paragens do surf português atualmente. Talvez falte uma etapa no Sul do país, mas isso já aconteceu há dois anos, se não me engano. O prize money tem vindo a aumentar gradualmente e agora foi introduzido o formato das prioridades, ou seja, as regras de competição são as mesmas do que as do circuito mundial de qualificação, o que é ótimo para nós.

Do plano nacional para o internacional. Vai correr o mundial de qualificação na íntegra neste ano?

Sim, vou correr o mundial de qualificação a tempo inteiro. O meu foco é entrar para a elite mundial e por isso tenho de fazer essas provas todas.

Numa resposta honesta, o que acha que lhe falta para conseguir um lugar entre os 32 melhores do mundo?

É ser consistente durante o ano inteiro, mas acho que isso surge com o tempo e, se estiver com a estrelinha da sorte, acabará por acontecer um dia. O trabalho, o surf, a dedicação, tudo está no sítio certo, por isso não vejo a hora de me qualificar.

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