FPF vê inclusão da Ucrânia na corrida ao Mundial 2030 como "lógica e natural"

Ucrânia juntou-se à candidatura de Portugal e Espanha para organizar o Mundial de futebol de 2030. A decisão será tomada em 2024 no 74.º congresso da FIFA.

A incorporação da Ucrânia na candidatura conjunta de Portugal e Espanha à organização do Mundial2030 foi "uma decisão lógica e natural", admitiu esta quarta-feira o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes.

"Para alguns, esta decisão pode parecer surpreendente e inesperada. Para nós, foi uma decisão lógica e natural. A devastação, a fuga de milhões de ucranianos, a incerteza em relação ao futuro pesou na nossa vontade de integrar a Ucrânia nesta candidatura, que mereceu desde a primeira hora incondicional apoio do presidente da UEFA, a quem desde já quero agradecer", expressou o dirigente, numa conferência de imprensa decorrida na sede da UEFA, em Nyon, na Suíça.

Fernando Gomes falava ao lado dos líderes da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) e da Associação Ucraniana de Futebol (UAF), Luis Rubiales e Andrii Pavelko, respetivamente, 'selando' a inclusão daquele país do leste europeu na proposta ibérica.

"Tem um especial significado fazer este anúncio na casa do futebol europeu. O futebol é muito mais que futebol. E não seria necessário invocar outra razão para justificar o que aqui nos traz hoje. Futebol é superação, compromisso, resiliência, inspiração", lembrou.

Em pleno conflito militar com a Rússia, a Ucrânia vem redimensionar a única candidatura europeia para a organização da principal competição mundial de seleções em 2030, cujo protocolo de colaboração entre FPF e RFEF já tinha sido assinado em outubro de 2020.

"Certamente, haverá muitas pessoas que vão pensar que o mais fácil para Portugal e Espanha seria seguir com esta candidatura tal como estava, indiferentes ao que se passa na Ucrânia. Permitam-me discordar. Acho que seria isso o mais difícil e incompreensível. A Ucrânia não pode desaparecer das nossas memórias depois de a guerra acabar. Quando esse dia chegar, tenho a certeza de que continuará a precisar de ajuda e nós queremos e estaremos presentes", frisou Fernando Gomes, notando o auxílio dado pelo futebol luso.

"Fizemos muito, mas temos de continuar a fazer. A consciência da realidade do que se continua a viver na Ucrânia a isso nos obriga. Ajudar os ucranianos significa integrá-los em projetos desta dimensão e dar-lhes esperança em relação ao futuro. Apesar das poucas certezas, há algo que sabemos: o futebol tem uma força mobilizadora única que não pode ser desperdiçada. É nisso que apostamos", afiançou o líder máximo da FPF.

A comissão coordenadora do Mundial2030, liderada por António Laranjo, vai passar a incluir representantes da delegação ucraniana, chefiada pelo presidente da UAF, Andrii Pavelko, cuja adesão vai ter os seus termos "discutidos e definidos no devido tempo".

"Tenho orgulho em pertencer há muitos anos à família do futebol e estou seguro de que ela apoiará esta iniciativa. Que este seja, por isso, o início do caminho que nos leve a um Mundial que reafirme os valores da pessoa humana, da liberdade e da igualdade entre nações grandes e pequenas. Que seja o Mundial que reafirme os valores de tolerância e paz que estão estampados na Carta das Nações Unidas", acrescentou Fernando Gomes.

Dirigente relativiza geografia

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol desvalorizou ainda a distância geográfica entre a Península Ibérica e a Ucrânia.

"Estamos inseridos na Europa, somos países europeus e a candidatura é europeia. Há cerca de um ano tivemos um Europeu de 2020 que se disputou entre Londres e Baku. Estamos na Europa e temos de falar dela", lembrou Fernando Gomes.

"Quando decidimos avançar com esta candidatura, era claramente para vencer. Demos agora este passo tendo em consciência plena o momento histórico em que o mundo vive. Estão criadas as condições para termos uma candidatura pela paz em termos de bem-estar e aproximação dos povos, mas que é claramente ganhadora", frisou o líder da FPF.

"Todos nós desejamos que em 2030 a guerra tenha terminado. A ideia [de incorporar a Ucrânia] partiu das pessoas que em 2018 iniciaram um processo que tem conduzido a candidatura ibérica. Obviamente, não somos indiferentes àquilo que se está a passar no mundo e sempre abordamos na perspetiva de uma candidatura europeia unir os povos e Europa num bem mais comum. Depois de acertarmos posições, perguntámos à UEFA se a ideia fazia sentido e recebemos claramente um sinal positivo", notou Fernando Gomes.

A proposta foi apresentada em junho de 2021 e recebeu o apoio da UEFA, enfrentando a concorrência, pelo menos, de um projeto sul-americano (Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai), um africano (Marrocos) e um intercontinental (Arábia Saudita, Egito e Grécia).

"Estamos em 2022 e são oito anos que queremos que passem depressa no sentido da aproximação dos povos. Nessa perspetiva, estamos perfeitamente convencidos de que serão encontrados os mecanismos para haver paz na Europa e em 2030 a Ucrânia tenha condições para organizar partidas do Campeonato do Mundo", terminou o dirigente luso.

A comissão coordenadora do Mundial2030, liderada por António Laranjo, vai passar a incluir representantes da delegação ucraniana, chefiada pelo presidente da UAF, Andrii Pavelko, cuja adesão vai ter os seus termos "discutidos e definidos no devido tempo".

"Esta candidatura tem muitas coisas para vencer, como história, estádios maravilhosos, gastronomia, turismo e muitas coisas que estão à volta do futebol, mas hoje damos um passo em frente. Juntos representamos o poder de transformação que o futebol tem na sociedade. Palavras como transformação, reconstrução, integração e esperança estarão intimamente ligadas às questões técnicas que já estávamos a desenvolver. Acreditamos, por isso, que esta candidatura é muito melhor", manifestou, por sua vez, Luis Rubiales.

O presidente da RFEF, que já apresentou os 15 estádios candidatos em Espanha, numa lista que será reduzida a 11 e deve conjugar três recintos portugueses, confirmou que Madrid continua como sede desportiva do evento e Lisboa enquanto sede administrativa.

O Qatar acolherá a 22.ª edição do campeonato do mundo este ano, de 20 de novembro a 18 de dezembro, seguindo-se uma inédita coorganização entre três países (Canadá, Estados Unidos e México), em 2026, e a celebração do centenário da prova, em 2030.

A escolha dos países organizadores do Mundial2030 está prevista para o 74.º congresso da FIFA, em 2024, após Portugal ter recebido o Euro2004 e a Espanha o Euro1964 e o Mundial1982, ao passo que a Ucrânia albergou o Euro2012, em conjunto com a Polónia.

O principal campeonato de futebol está a decorrer desde agosto dentro das fronteiras ucranianas, mas com partidas à porta fechada e na proximidade de abrigos contra os bombardeamentos, enquanto a seleção nacional joga como visitada na 'vizinha' Polónia.

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