Filipe Çelikkaya escolheu os Estados Unidos por estratégia. Diz que a Major League Soccer já atingiu um patamar competitivo “fantástico”, apoiado por investimento estrutural e por uma visão de crescimento que o Mundial de 2026 poderá acelerar. No Chicago Fire, equipa que dirige, quer um grupo organizado, corajoso e capaz de ganhar, mas sem abdicar do que considera essencial: estabilidade, processo e condições para formar.Porquê ir trabalhar para os Estados Unidos? Foi uma decisão estratégica da minha parte. Já estive em praticamente todas as Ligas em Portugal, exceto a segunda. Já estive no estrangeiro, já joguei competições europeias. E pensei que, depois de todas as abordagens que tive para ir para outras paragens, poderia ir para o outro lado do Atlântico. Eu acredito que a MLS já está num nível fantástico de competitividade e de qualidade. É uma Liga que está a crescer em todos os eixos, sejam eles desportivo, económico e também estratégico. O crescimento de que falamos é estrutural. São os adeptos, o investimento, os clubes, as infraestruturas. Como é que os responsáveis dos clubes americanos encaram a profissão do treinador? Para além de um profissionalismo muito grande, têm um respeito também muito grande. Eles quiseram perceber como é que eu poderia olhar para o clube, colocando novas metodologias, novos departamentos a funcionar, como é que o clube poderia estar daqui a quatro anos. E eu fiz um estudo muito claro daquilo que era a Liga, daquilo que era o clube, daquilo que eram os jogadores. Eles gostaram e propuseram-me desenvolver, obviamente com a ajuda de outras pessoas, um trabalho que fosse a médio prazo. Porque eles acreditam muito no processo. Se escolheram as pessoas certas para determinados lugares durante aquele tempo, acreditam mesmo naquilo que contratam, naquilo que foi proposto. E não vão mudar por termos tido três ou quatro derrotas. Então agora a responsabilidade é ainda maior. Aquilo que nos propusemos sempre e aquilo que foi delineado foi tentar ganhar a MLS nos próximos três anos. Temos duas competições associadas a isso, a League's Cup com as equipas mexicanas e a Taça dos Estados Unidos. Desde 2009 que não passávamos aos play-offs. Já eram muitos anos sem conseguir ultrapassar metas importantes para a sociedade desportiva daqui. Termos conseguido e isso é muito bom. Há uma coisa onde os americanos são muito bons e nós tínhamos muito a aprender com eles, que é na organização, eles de facto são fabulosos. .Por falar em organização, o que é que se sente aí em relação ao campeonato do Mundo?Existe mais investimento, mais visibilidade internacional, naturalmente maior exigência competitiva. Existem milhões de sul-americanos aqui que são apaixonados pelo futebol, milhares de europeus, também, que gostam de futebol, portanto as segundas e terceiras gerações adoram o futebol. O crescimento de bases de adeptos vai acelerar. E depois há uma estratégia muito importante da parte da MLS, que é aproveitar o Mundial de 2026 para alinhar as competições com a Europa. Alinhar os calendários. Isto vai permitir um alinhamento com o mercado internacional, melhor integração dos jogadores europeus. O seu percurso no Chicago Fire tem sido um percurso de sucesso. Tem implementado uma forma diferente de ver o jogo, e de trabalhar o jogo. O que é que gostava de ter como objetivos a curto, médio, e quem sabe a longo prazo, no clube? Uma coisa é o futebol e outra são as relações. Como é que temos de chegar à pessoa através da comunicação. E é nisso que agora estou a trabalhar. O meu crescimento deve-se muito aí. Estou muito focado nisso também. E depois, obviamente, abrir mercados na parte do outro lado do Atlântico. Eu acho que a MLS é um espaço onde os treinadores podem crescer, competir e serem reconhecidos. E é isso que se propõe para si próprio?Eu faço isso todos os dias sem pensar muito no futuro. É crescer, competir, ser reconhecido pela qualidade que a equipa apresenta, pelas vendas que o clube tem, pela felicidade que os departamentos têm em trabalhar todos os dias para que os jogadores possam evoluir. E isso faz-me ficar feliz, como é óbvio, mas também com ambição, com muita ambição em experimentar outros mercados. .Quando começar o campeonato o que é que vai exigir dos seus jogadores?Neste momento estamos ainda em pré-época e está a correr bem. Ainda procuramos jogadores para várias posições, não sei se agora se no próximo mercado no verão quando os campeonatos de Europa também terminarem. Portanto queremos vitórias, mas queremos vitórias assentes naquilo que tem sido o nosso trabalho. Realisticamente falando, o título é possível? Eu penso que sim, trabalhamos para isso. Uma das nossas missões é ganhar campeonatos, e, portanto, os jogadores sabem que para ganhar campeonatos há um caminho que têm de percorrer para se chegar àquele objetivo. Qual é para si a melhor liga de futebol do mundo. E porquê? Eu neste momento penso que é a inglesa. Pelos espetáculos que fornecem aos seus adeptos, pelos jogadores que estão nela, pela intensidade que colocam no campo, pela competitividade que existe. E o melhor treinador do mundo? Essa é muito difícil. Mas neste caso é o Mourinho por ser português e por ter dado um contributo fantástico para a evolução do treinador português no mundo inteiro. E pela sua valorização, pelo que ganhou pelo que faz às suas equipas. Eu acho que continua a ser uma referência. Temos Guardiola que continua a ter os resultados fantásticos que tem. Temos um António Conte, um Klopp. Temos Ancelotti. Curiosamente todos eles europeus.E o melhor jogador do mundo? Eu tive o prazer de acompanhar a ascensão do Cristiano Ronaldo porque somos da mesma geração. E ele para mim continua a ser uma referência a todos os níveis. .MLS, o campeonato americano, já é o mais rico fora da Europa."Ronaldo na MLS? Não será para amanhã".Rooney troca Everton de Marco Silva pela MLS