FC Porto chega ao clássico com o pior Conceição à 23.ª ronda
Miguel Pereira/Global Imagens

FC Porto chega ao clássico com o pior Conceição à 23.ª ronda

Dragões já perderam 20 pontos neste campeonato e recebem este domingo o Benfica na 24.ª jornada para tentar não dizer adeus ao título.
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Quatro derrotas, quatro empates, 20 pontos perdidos e 49 conquistados deixam o FC Porto com o pior registo da era Sérgio Conceição à 23.º jornada. É este o cenário na véspera de os dragões receberem o Benfica (amanhã, às 20.30, Sport TV1). Pior só mesmo há 10 anos (46 pontos na época 2023-14), quando o clube atravessou a última grande crise e mudou de treinador a meio da época (Paulo Fonseca deu lugar a Luís Castro) e terminou o campeonato na terceira posição, a nove pontos do campeão Benfica. 

Um cenário idêntico ao que se verifica na véspera do clássico e quando faltam 11 rondas para o fim do campeonato. O objetivo para o jogo de amanhã passa por encurtar distâncias para o rival, num clássico que se adivinha quente e com impacto extra desportivo, uma vez que há eleições para a presidência do FC Porto a 27 de abril e caso sejam derrotados, os portistas ficam a 12 pontos do líder e dizem praticamente adeus ao título - além de poderem ficar a 10 pontos do segundo lugar do Sporting (joga com o Farense, às 18.00 e ainda tem um jogo em atraso) que dá acesso à terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, que terá um novo formato em 2024-25. 

Desde a chegada do técnico ao Dragão, na época 2017-18, que os dragões não ficam sem títulos em duas épocas seguidas - Conceição tem sido campeão nacional época sim, época não.

Esta temporada, além dos desaires com o Benfica (1-0), Estoril (1-0), Sporting (2-0) e Arouca (3-2), a equipa portista também perdeu pontos nos empates com Arouca (1-1), Boavista (1-1), Rio Ave (0-0) e Gil Vicente (1-1) na última jornada. São assim 20 pontos perdidos em 23 rondas. O pior registo do técnico são 22 pontos perdidos, mas em todo o campeonato, o que aconteceu na época passada, marca que agora pode alcançar (pela negativa) e à 24.ª jornada.

Já o melhor registo foi alcançado em 2021-22, temporada em que a equipa se sagrou campeã nacional com apenas uma derrota e quatro empates concedidos (11 pontos).

A intermitência exibicional desta época deixaram o FC Porto fragilizado na luta pelo título, mas não têm afetado o desempenho na Taça de Portugal (estão nas meias finais) e na Liga dos Campeões (joga acesso aos quartos de final com o Arsenal no dia 12). E também do futuro da equipa nestas competições dependerá o sucesso (ou não) na sétima temporada de Conceição de dragão ao peito. 

Os problemas, segundo o próprio, estão identificados: A equipa tem sido perdulária e desperdiçou alguns pontos devido a ocasiões e golos falhados, além de ter demonstrado pouca intensidade sem bola. Segundo os números do campeonato, os dragões têm uma eficácia de 7,6% (relação remates/golos), bem longe dos 11% do Benfica e os 12% do Sporting. E também dos registos habituais do próprio FC Porto de Conceição (sempre entre os 10 e os 16%). “É preciso não andar de pantufas a jogar futebol, mas de pitões de alumínio e com a atitude necessária para se ganhar jogos”, disse, apó o empate com o Gil Vicente na jornada passada.

 Apesar do cenário de crise, a história dá o FC Porto como favorito neste clássico, pois venceu mais de 50% dos jogos caseiros com o Benfica para a I Liga (52 de 89), apesar deste ano já somar duas derrotas com o rival (2-0 na Supertaça e 1-0 para o campeonato). E também por isso, Sérgio Conceição ficou em desvantagem no duelo particular com Roger Schmidt (uma vitória contra três do técnico alemão). 

E amanhã como será?  “É mais fácil dizer que este campeonato ainda não terminou para o FC Porto. Embora tenha nove pontos de diferença, ainda receberá os dois rivais lisboetas e pode perfeitamente vencer. Se isso acontecer, o FC Porto vai aproximar-se e haverá reflexos sobre o futuro das três equipas. Os resultados terão influência e podem ser uma injeção para melhorar de modo substancial ou o comprimido que não faz bem nem mal e deixa tudo na mesma”, avisou António Simões, que vê um dragão mais “frágil” e “mais nervoso” do que o habitual.

Segundo a antiga glória benfiquista, mesmo que o clube da Luz seja líder e esteja melhor atualmente (apesar da derrota com o Sporting para a Taça de Portugal), é preciso ter atenção ao FC Porto, equipa que “tem aquela cultura de nunca desistir”. 

Taremi em dúvida e Wendell na seleção doBrasil

Galeno e Evanilson treinaram ontem sem limitações, enquanto Mehdi Taremi continua em “tratamento” e em dúvida para a receção ao Benfica. O avançado iraniano encontra-se a recuperar de uma lesão no adutor da coxa direita, tendo efetuado o último jogo pelos dragões na derrota em Arouca (3-2), onde entrou aos 68 minutos. 

Já Alan Varela prepara-se para jogar o seu primeiro clássico e espera que os adeptos ajudem a desequilibrar a balança a favor do FC Porto. ”É óbvio que vai ser um jogo importante e muito difícil, mas temos a vantagem de jogarmos em casa e os nossos adeptos vão fazer o seu papel, para puxar pela equipa e ajudar-nos a obter uma boa vitória”, disse numa entrevista à Betano.

Já Wendell está apto e a um pequeno passo de concretizar um dos maiores sonhos da carreira. O lateral-esquerdo do FC Porto foi chamado à seleção principal do Brasil, depois de no passado ter alinhado pela de sub-23 e sub-20.

isaura.almeida@dn.pt

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