Fechado o pano sobre “o maior Mundial de sempre” e “o maior evento humano, social e cultural que a Humanidade já testemunhou”, segundo Gianni Infantino, presidente da FIFA, Portugal, a campeã Espanha e Marrocos, já contam os dias para o início do Mundial 2030, que terá início a 8 de junho... no Uruguai para assinalar o centenário do primeiro Campeonato do Mundo de 1930.Faltam 1415 dias. Com os primeiros jogos em Espanha, Portugal e Marrocos previstos para 13 e 14 de junho. A final será a 21 de julho... onde? Essa é uma questão ainda sem resposta e que promete abrir feridas entre os organizadores. O Santiago Bernabéu, em Madrid, é o favorito de Gianni Infantino, segundo a imprensa espanhola, mas Marrocos trabalha para levar a decisão ao futuro Estádio Hassan II, perto de Casablanca, projetado para receber 115 mil pessoas. O renovado Camp Nou, em Barcelona, também aparece como hipótese mais remota.Entre os 11 estádios propostos pela candidatura conjunta estão os portugueses Estádio da Luz e o Estádio José Alvalade, em Lisboa, e o Estádio do Dragão, no Porto, mas Portugal apenas pode ambicionar receber uma meia-final, segundo António Laranjo, coordenador da candidatura conjunta.“A final exige um estádio com um mínimo de 80 mil lugares e Portugal não tem esse estádio, e não vai fazer investimento, pelo que Portugal não é candidato à final. Mas é a ter uma meia-final, temos uma esperança grande. O que acolher a final deverá deixar as meias-finais para os outros dois. Daqui até 2030 temos tempo de acertar esses pormenores. Portugal tem fundadas expectativas de acolher essa meia-final”, disse, em março, aquele que foi o máximo responsável pela organização do Euro2004 e que agora volta a estar envolvido na organização do Mundial 2030. Mas, desde então, o Benfica, anunciou a intenção de aumentar a capacidade do Estádio da Luz para os 80 mil lugares e assim ficar elegível para receber a final se Portugal quiser entrar nessa guerra.Seis países e três continentesO formato será inédito e por culpa do centenário e de uma regra da FIFA, que estipula que a confederação continental só pode voltar a receber um Mundial após um intervalo de duas edições. Ou seja, como a edição de 2026 foi no continente americano, o Mundial do centenário não poderia ser jogado no Uruguai, nem no Estádio Centenário, em Montevideu, palco da final de 1930, sem o bom senso da candidatura de Portugal, Espanha e Marrocos.“Em 2030, cumprir-se-ão 100 anos desde a 1.ª edição do Mundial, no Uruguai, e que melhor maneira haveria de celebrar esta ocasião do que um Mundial em seis países, três continentes, com 104 jogos que serão épicos?”, disse Infantino, depois de a FIFA entregar a organização à candidatura conjunta de Portugal, Espanha e Marrocos: “O mundo vai parar para festejar o centenário do Mundial.”Depois de um Mundial 2026 jogado a 48 seleções e em três países diferentes, o próximo Campeonato do Mundo de Futebol será jogado em seis países e três continentes e, talvez, ainda mais participantes.Essa é uma discussão que é preciso ter, segundo o líder da FIFA, mas o formato tradicional, com 32 equipas, que durou entre 1998 e 2022, esse parece já ter passado à história e 2030 pode ter 64 nações em jogo.A sugestão partiu do uruguaio Ignacio Alonso em março de 2025 e recebeu o apoio de Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol e vice-presidente da FIFA.Itália procura regressarQuatro títulos mundiais, 18 participações e três Mundiais consecutivos sem se classificar, a seleção de Itália quer voltar ao convívio do Mundial, tal como o Chile ou os Camarões, da mesma forma que as também Campeãs Mundiais Alemanha e Brasil querem fazer mais e melhor do que em 2026.E sem esquecer que Portugal, agora liderado por Jorge Jesus, quer “fazer o que ainda não foi feito”, depois de falhar essa promessa, neste Mundial, e de Marrocos ambicionar ser a primeira seleção africana a chegar ao topo do Mundo.Já a seleção espanhola procurará ser Bicampeã Mundial (ver texto ao lado). Desde que o Brasil conquistou o bicampeonato em 1962, 15 seleções tentaram repetir o título na edição seguinte sem sucesso: Argentina (1990 e 2026), Brasil (1998) e França (2022). La Roja conquistou o título mundial com 11 jogadores de 25 anos ou menos e é difícil imaginar um Mundial 2030 sem Lamine Yamal, Pedri, Gavi ou Cubarsí.Pausas para hidratação repensadasO grupo de estudos técnicos da FIFA (TSG) anunciou na véspera da final do Mundial 2026, que fará uma avaliação profunda ao impacto das pausas obrigatórias para hidratação a meio de cada parte dos jogos, antes de decidir se continuam em 2030.O organismo que gere o futebol mundial defendeu a paragem, em nome da saúde dos jogadores, mas o que sobressaiu foi as paragens para compromissos publicitáriaos, a exemplo do que acontece regularmente nos EUA.“Algumas pessoas não gostaram. Eu acho que as pausa não mudaram os resultados da competição, mas estamos aqui para servir as pessoas, os fãs, os adeptos. Em algumas partidas foram muito necessárias, vimos algumas diferenças, a forma como cada partida foi gerenciada. Mas vamos analisar isso depois deste mundial”, reconheceu Arséne Wenger, líder do comité que decidirá se as pausa de hidratação sobrevivem fora do universo americano.isaura.almeida@dn.pt.Mundial2030 gerará receita fiscal perto de 400 ME em Portugal.800 milhões de euros. É este o valor do impacto económico do Mundial2030 em Portugal.Mundial2030: Portugal recebe mais de 10 jogos