Tudo indicava que seria um "jogo de cadeiras" entre a Audi e a Aston Martin: o team principal da primeira saía e viria para o lugar de Adrian Newey, que está a acumular o papel de "patrão" e de chief designer na Aston.Aliás, o papel de Adrian Newey, génio da aerodinâmica, como team leader da Aston Martin, nunca foi para ser permanente, garante a equipa de Silverstone, em resposta aos rumores de mercado, que colocaram toda a imprensa da especialidade em alerta. No entanto, dizia a equipa de Lance Stroll em comunicado enviado esta quinta-feira, 19 de março, “Adrian Newey mantém-se como chefe de equipa”. Fica tudo na mesma, afinal, pelo menos para já para na garagem dos carros verde-escuros.O que parece ser certo, apesar dos comunicados, é que Newey quer dedicar-se somente a questões técnicas e não está disponível para lidar com a gestão diária e burocracias que a liderança da equipa lhe exige. O engenheiro acabou por acumular funções no final do ano passado, depois de Andy Cowell, então CEO da Aston Martin, sair da equipa.E a concentração de Newey na parte técnica parece ser indispensável, numa altura em que a escuderia onde correm Stroll e Fernando Alonso enfrenta graves problemas como os seus monolugares: questões relacionadas com bateria, falta de quilometragem e um último Grande Prémio em que nenhum dos carros terminou a corrida, na China, puseram toda a equipa em alerta.Jonathan Wheatley teria sido, então, sido o nome escolhido para assumir a mesma posição na Aston Martin – e a imprensa internacional garante mesmo que as conversas foram tidas pessoalmente entre Newey e o Wheatley. Mas se na Aston Martin as coisas parecem estar numa fase de tudo mexe para ficar (para já) na mesma, esta sexta-feira, a uma semana da terceira corrida da temporada, a Audi anunciou a saída do team principal, um ano após a sua contratação (quando a equipa era ainda Sauber, preparando a transição para a marca alemã). .Recorde-se que Wheatley e Newey trabalharam juntos na Red Bull, equipa que, entretanto, também passou por profundas restruturações, culminando com a saída de Christian Horner, no final da época passada.A declaração oficial da Audi, libertada já durante a tarde desta sexta-feira, 20 de março, justifica a saída de Wheatley com “razões pessoais”.“À medida que continua a sua jornada em direção ao da grelha, a Audi Revolut F1 Team implementará mudanças significativas na sua estrutura de gestão sénior. Devido a razões pessoais, Jonathan Wheatley deixará a equipa com efeito imediato. A equipa agradece a Jonathan pela sua contribuição para o projeto e deseja-lhe o melhor para os seus futuros empreendimentos.” O lugar deixado vago por Wheatly vai ser ocupado por Mattia Binotto, esclarece ainda a Audi. .Aston Martin ou gardening leave?A questão que se colocava esta quinta-feira, ao final do dia, e mesmo durante a manhã desta sexta-feira, seria como, em caso de troca de equipa, Wheatley iria contornar a, por norma, extensa licença a que os trabalhadores desta indústria estão obrigados quando mudam de equipa – a chamada gardening leave –, e que os obriga a estar vários meses sem poderem trabalhar para concorrentes diretos.Apesar de parecer claro que o próximo destino de Wheatley seja a Aston Martin, que daria ao gestor a possibilidade de voltar a colaborar Adrian Newey, estas questões mais burocráticas não estão esclarecidas. Se Wheatley for mesmo obrigado a cumprir esta licença – por vezes, as equipas chegam a outros acordos, que não raras vezes envolvem o pagamento de muitos milhares de euros para que esta licença seja encurtada - Newey deverá continuar como chefe interino durante o resto do ano, ainda que com o apoio de Mike Krack nas operações de pista e relacionamento com os media.