Dois internacionais portugueses, Francisco Costa e Salvador Salvador, foram distinguidos individualmente pela Federação Europeia de Andebol (EHF) no final do Campeonato Europa, mas ambos realçam que o mais importante é o coletivo.Francisco Costa, de 20 anos, foi eleito Melhor Jogador Jovem do Europeu e Melhor Lateral Direito, integrando o All-Star Team oficial (sete ideal) da competição. Salvador Salvador, de 22 anos, recebeu o prémio de Melhor Defesa. Os reconhecimentos individuais confirmam o protagonismo de dois jogadores que representam diferentes dimensões do jogo, mas que foram igualmente determinantes no rendimento global da seleção portuguesa.Ao Diário de Notícias Salvador disse que “acima de tudo o comportamento coletivo foi extremamente positivo. E acho que as nomeações, tanto a minha, como a do Kiko, revelam muito isso. Porque se o coletivo não estivesse bem, é óbvio que os destaques individuais não aconteceriam. E a nível coletivo tivemos um europeu muito positivo. Por isso fico muito feliz por a minha prestação individual ser reconhecida”. .Na mesma linha esteve Francisco (Kiko) que acrescentou que “foram muitos dias, muitos jogos, com pouco tempo de descanso, mas chegar ao fim e conseguir conquistar o quinto lugar e esses prémios individuais torna tudo ainda mais especial e torna o Europeu histórico, porque conseguimos a melhor classificação de sempre”.Francisco Costa assumiu um papel central no ataque português ao longo de toda a competição, destacando-se pela regularidade exibida, pela eficácia no remate e pela capacidade de assumir responsabilidades nos momentos de maior exigência. Marcou 61 golos e teve 21 assistências em 8 jogos. “Desde o Mundial, onde conseguimos o quarto lugar, as pessoas têm visto mais andebol e gostam de ver. Os meninos começam a praticar mais este desporto o que torna tudo mais especial. É sempre bom ver que as pessoas gostam de estar em frente à televisão a ver a nossa seleção. Nós, os protagonistas, sentimos ainda mais esse apoio e torna tudo muito especial. Jogar pela nossa seleção com toda a gente a apoiar-nos”, referiu Francisco Costa.Salvador foi peça-chave na organização do bloco defensivo nacional, destacando-se pela ocupação de espaços, pela eficácia nos duelos individuais e pela disciplina tática. Ao longo da competição, assumiu responsabilidades centrais na contenção do jogo interior adversário, contribuindo para a solidez defensiva que permitiu a Portugal competir de forma consistente frente às principais potências europeias. Define-se como um jogador que vive muito os momentos. “Vivo muito o atual, gosto sinceramente de me meter não só com a cabeça, mas com o corpo todo dentro de campo, gosto da adrenalina, gosto de me perder muitas vezes lá dentro de campo, pelos sentimentos e pela adrenalina que é sentir o jogo, gosto de jogar tanto com o coração quanto com a cabeça, e acima de tudo, tento viver ao máximo tudo o jogo me traz”..Os dois jogadores realçam o papel determinante do selecionador nacional no crescimento do andebol em Portugal e nos sucessos da seleção nacional. Na opinião de Salvador “é fundamental termos um selecionador como o Paulo Jorge Pereira, porque é uma pessoa que adora representar Portugal, adora elevar o nome de Portugal, e ele acaba por transmitir esse sentimento a todos nós. Ele agarrou a seleção numa altura em que ir a grandes competições não acontecia sempre, era só de vez em quando, e agora passou a ser completamente diferente, acho que ele tem muito mérito na maneira como consegue gerir o grupo”. Francisco acrescentou ainda que o técnico português “tem feito um trabalho excelente por isso só temos de continuar com esta nossa humildade. Somos muitos jovens, temos uma equipa jovem, mas com grandes talentos por isso temos de continuar há muitas seleções fortes, mas sabemos que somos bons já conseguimos ganhar a todas as seleções do mundo”.Ambos têm ambições para o futuro. Salvador gostava muito de “jogar uma final four da Liga dos Campeões, especialmente pelo meu clube de coração, que é o Sporting, e adorava ganhar uma medalha pela nossa seleção. Seria o topo da minha carreira”. O foco de Francisco passa por “não podermos desistir. Não podemos achar que o quarto lugar no mundial e o quinto no europeu já estão bons. Temos de querer conquistar mais. Querer uma medalha, querer um título. É por isso temos de continuar a trabalhar”. Porque, para ambos, o andebol é a modalidade de eleição. “É um desporto onde as pessoas se amam. Aqui todos queremos o bem para o clube e para a seleção. Todos queremos o bem para os nossos companheiros. Não há maldade neste desporto, nem rivalidades. Respeitamo-nos uns aos outros e somos todos amigos. Estamos pelo mesmo propósito: é um desporto magnífico, fantástico”, concluiu..Portugal vence Suécia e conquista histórico quinto lugar no Europeu de andebol.Selecionador nacional quer subir mais um degrau no Europeu de Andebol