"Estou em condições de lutar pelo título nacional com o surf que estou a fazer"

Entrevista a Miguel Blanco. Aos 20 anos, o surfista do Estoril já foi vice-campeão da Liga Moche, campeão nacional em categorias juniores e top 10 do Pro Junior Europeu.

Em entrevista ao DN na semana passada, Tiago Pires afirmou que você seria um dos surfistas mais novos que este ano se poderia juntar à luta pelo título nacional. Como se sente com esta afirmação?

É bom ouvir isso vindo do melhor surfista português de sempre. Há dois anos estive na luta pelo título mas depois afastei-me um pouco, concentrei-me mais em viagens e penso que isso me fez evoluir de uma maneira um bocado diferente e com o surf que estou a fazer acho que estou em condições de lutar pelo título nacional.

Que tipo de treino anda a fazer?

Há três anos tinha tudo muito esquematizado entre treinos no ginásio e surf, mas confesso que não estava muito contente com os resultados e mudei por completo a forma de me preparar. Tenho passado muitas horas dentro de água e feito yoga e jiu-jitsu para complementar e a verdade é que me tenho sentido melhor do que nunca. Sinto-me muito mais preparado, mais flexível, com mais força, mais vontade de surfar e cada vez mais feliz.

Está a ser acompanhado por Zé Seabra, que esteve ao lado de Tiago Pires durante 20 anos. O que tem aprendido com ele?

Estou com ele há quase um ano e o trabalho que começámos a fazer já está a dar frutos. É uma maneira bastante diferente de trabalhar que envolve mais o espírito do surf, uma abordagem bem menos mecânica.

No final do ano passado passou um bom tempo a surfar no Havai, como foi a experiência?

Já lá tinha ido antes duas vezes, passar três semanas, mas sempre senti que não era tempo suficiente, por isso desta última vez peguei nas malas e estive lá quase três meses. Foi uma experiência que vou recordar para o resto da minha vida porque é um sítio intenso, as coisas não são fáceis lá. Não é como em Portugal que saímos de casa, temos a nossa pastelaria, vamos surfar na nossa praia e toda a gente nos deixa ir nas ondas e depois vamos ao cinema à noite. Lá temos os locais, muita gente, as ondas são pesadas e isso puxa por nós e faz-nos chegar a outro nível. Dediquei a maior parte do meu tempo à onda de Pipeline, foi sem dúvida um bom investimento e estou feliz por ter chegado intacto.

Vai competir em todas as etapas da Liga este ano? E quanto ao circuito mundial de qualificação vai corrê-lo na íntegra?

Organizei o meu calendário para poder competir e fazer free surf ao mesmo tempo. Vou estar presente em quatro etapas da Liga, são cinco no total, mas vou faltar a uma por causa de um campeonato em Bali. Depois, e já que lá vou estar, quero aproveitar o resto do tempo para poder explorar a Indonésia, surfar ondas boas e fazer filmagens. Só quero entrar nas provas mais pontuadas do circuito mundial de qualificação quando estiver preparado a 100%, não quero chegar lá a sentir-me mais ou menos, nem insatisfeito com o meu surf. Quero estrear-me com nível para fazer as coisas e qualificar-me.

Acha que o circuito de qualificação pode acabar facilmente com a autoestima da maioria dos surfistas?

[Risos] Acho, acho mesmo! Não é fácil para ninguém viajar meio mundo, chegar à prova, apanhar ondas pelo joelho, perder na primeira ronda, rasgar o dinheiro que se investiu nessa viagem, sair sem pontos e sem prize money, e voltar para casa. Mas tudo isso faz parte e por isso é que acho que temos de estar muito bem preparados para esse desafio.

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