O Comité Olímpico de Portugal (COP) e o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) assinaram esta manhã um protocolo de colaboração destinado a reforçar a empregabilidade e a qualificação dos atletas portugueses após o fim das suas carreiras desportivas. O acordo foi formalizado no COP e antecedeu uma mesa-redonda dedicada precisamente ao tema da transição profissional dos atletas de alto rendimento.A iniciativa envolve ainda a Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) e a Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal (AAOP) e pretende criar mecanismos concretos que facilitem o acesso dos atletas à formação, requalificação profissional e integração no mercado de trabalho.Na sequência da assinatura do protocolo, o presidente do COP, Fernando Gomes, sublinhou a importância de preparar o futuro dos atletas para além da competição. “Queremos criar plataformas para a preparação dos atletas para a vida ativa, após a sua carreira desportiva”, afirmou, acrescentando que “não podemos deixar de preparar o futuro”. Segundo o dirigente, “a carreira desportiva exige o melhor de nós, mas devemos ter a capacidade de preparar o futuro”.Fernando Gomes explicou que o acordo pretende reforçar a missão do COP no apoio aos atletas, criando oportunidades de qualificação e orientação profissional. “Este protocolo tem o objetivo global de ajudar a missão do COP no apoio aos atletas, criando perspetivas de qualificação e requalificação profissional, de formação, de antevisão na vida profissional”, referiu, agradecendo a colaboração das entidades envolvidas. Para o presidente do COP, trata-se do “momento zero do projeto” e de uma ambição clara de “valorizar os atletas e prepará-los para a vida futura, quando terminar a sua carreira desportiva”..Também o presidente do Conselho Diretivo do IEFP, Domingos Lopes, destacou o significado estratégico da parceria, considerando que o acordo reforça uma relação já existente entre o desporto e o mercado de trabalho. “Simboliza a convergência de muitos que historicamente têm caminhado lado-a-lado, mas que hoje assumem um compromisso mais claro, mais sólido e mais estratégico”, afirmou.Domingos Lopes destacou ainda o valor que os atletas olímpicos representam para a sociedade e para o tecido empresarial. “Os atletas olímpicos e de alto rendimento simbolizam valores que inspiram o país. São valores essenciais no mercado de trabalho e competências profundamente valorizadas pelas empresas em todos os setores”, disse. No entanto, reconheceu que o momento de transição após o fim da carreira desportiva pode ser particularmente exigente. “Sabemos que a transição para a carreira pós-desportiva é um momento particularmente desafiante e este protocolo surge para responder a esse desafio, garantindo que nenhum atleta fica para trás e que encontram portas abertas para novas oportunidades profissionais”.Do lado dos atletas, Emanuel Silva, presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, considerou que o acordo representa um passo significativo no apoio à comunidade desportiva. “Ser atleta significa muito mais do que competir ao mais alto nível. Significa dedicar anos de vida à procura da excelência, ultrapassar limites diariamente e representar Portugal com orgulho nas melhores competições do mundo”, afirmou.O dirigente recordou que a carreira de alto rendimento tem inevitavelmente um horizonte temporal limitado, razão pela qual a CAO tem dado prioridade à preparação do pós-carreira. “Sabemos que a carreira desportiva de alto rendimento é por natureza limitada no tempo, por isso definimos na CAO a transição de carreira dos atletas como um dos principais focos de atividade”, explicou, acrescentando que a parceria com o IEFP “representa uma ferramenta muito importante para o apoio aos atletas, quer ao nível da formação, quer ao nível da empregabilidade”.A presidente da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal, Sandra Neves Sarmento, destacou igualmente o significado do momento para o desporto nacional. “Este é um momento muito importante para o desporto português e em particular para os atletas, porque simboliza algo essencial: várias entidades unidas por um objetivo comum, o de apoiar os atletas não apenas durante a sua carreira desportiva, mas também na preparação do seu futuro para além da competição”, afirmou.Para Sandra Neves Sarmento, o verdadeiro sucesso de um atleta vai além dos resultados alcançados nas competições. “Acreditamos que o sucesso de um atleta não se mede apenas pelas medalhas conquistadas, mas também pela forma como consegue construir uma vida equilibrada após terminar a sua carreira desportiva”, concluiu.Com este protocolo, as entidades envolvidas pretendem desenvolver iniciativas conjuntas que facilitem a transição profissional dos atletas, valorizando as competências adquiridas ao longo da carreira desportiva e criando oportunidades de integração no mercado de trabalho.