Amnistia diz que tática de "disparar primeiro, perguntar depois" ameaça Jogos

Erros na política de segurança pública e abusos da força policial comprometem legado dos Jogos Olímpicos de 2016, avisa Amnistia Internacional

Um em cada cinco homicídios registados em 2015, no Rio de Janeiro, foi cometido por agentes da polícia. Desde 2009, as autoridades já fizeram mais de 2500 vítimas, das quais, apenas uma minoria obteve justiça. Este é um cenário que a Amnistia Internacional denuncia e considera ameaçar o legado dos Jogos Olímpicos.

No relatório "A violência não faz parte desse jogo! Risco de violações de direitos humanos nas Olimpíadas Rio 2016", a organização não-governamental realça a permanência dos erros das políticas de segurança e das forças policiais revelados no Mundial de Futebol de 2014.

Neste cenário, e face à realização iminente do evento desportivo (5 a 21 de Agosto), tem crescido a urgência de resolução destes problemas de segurança.

Em 2009, ano em que a cidade brasileira foi escolhida para realizar os Jogos Olímpicos de 2016, as autoridades tinham prometido solucioná-los. Desde então, segundo o relatório hoje divulgado, as políticas de segurança pública resultaram num aumento do número de homicídios e violações de direitos humanos por parte das forças responsáveis.

"A tática de 'disparar primeiro, perguntar depois' acaba por colocar o Rio de Janeiro entre as cidades onde a polícia mais mata, no planeta", disse Atila Roque, diretor-executivo da Amnistia Internacional Brasil, à Lusa.

O aumento dos abusos policiais durante os grandes eventos desportivos e a falta de investigações conclusivas sobre as violações dos direitos humanos têm, segundo o diretor executivo, alimentado um ciclo de violência.

Para reforçar a segurança do país e concretizar a promessa de 2009, foi lançada a maior operação da história do Brasil: 85 mil homens do Exército, Marinha e Forças Armadas patrulharão o país.

Prevê-se, também, o envio de parte deste contingente em operações nas favelas, o que, no passado, segundo a organização não-governamental, promoveu a violação dos direitos humanos.

A Amnistia critica, além disto, a ambiguidade da Lei Antiterrorista aprovada, em março, por Dilma Rousseff, presidente em processo de destituição, bem como a restrição dos direitos de manifestação pacífica em muitas zonas do Rio de Janeiro pela Lei Geral das Olimpíadas, promulgada em Maio.

O reforço de segurança integra a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que será assinada, nos próximos dias, pelo presidente Michel Temer e pelo governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles.

A GLO é um mecanismo constitucional que, mediante da autorização do presidente da República, delega às Forças Armadas poder policial em determinadas regiões do Brasil, permitindo a mobilização dos agentes para outras áreas do país, explica o Globo.

Na frente antiterrorista, o Esquadrão Antibomba da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil contará com o iRobot, equipamento de ponta fabricado nos Estados Unidos da América que permite remover e desativar material explosivo com um canhão que dispara um tiro de água. Esta ferramenta já foi utilizada durante a Copa de Mundo, confirma a EBC.

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