Dilema em Famalicão. Entre a saída do presidente e o risco do fim da equipa

Acusações de assédio sexual contra treinador e diretor (ambos suspensos) causaram terramoto no clube. Jogadoras recusaram treinar até Jorge Silva dar explicações. Patrocinador ameaça sair.

A ferro e fogo. Assim continua o ambiente no Famalicão, depois do escândalo do assédio sexual, que já levou à suspensão do treinador Migue Afonso e do diretor desportivo Samuel Costa. E segundo soube o DN, o projeto do futebol feminino no clube nortenho está em risco.

O presidente Jorge Silva está a ser pressionado para se demitir - o que levaria à promoção do vice-presidente Paulo Figueiredo - face à revelação de novas mensagens que mostram que foi informado das suspeitas de comportamento indevido do técnico, quando estava no Rio Ave (época 2020-21), antes de o contratar.

Agora teme-se que a saída do presidente coloque em causa a época e o projeto do futebol feminino do Famalicão, uma vez que Jorge Silva aguentava o barco financeiramente, não só com dinheiro próprio, segundo contaram ao DN, mas também com a captação de patrocinadores entre os seus amigos empresários. Um dos patrocinadores principais já ameaçou tirar o apoio e rescindir o contrato se a imagem do emblema famalicense continuar a ser denegrida publicamente, segundo soube o DN.

O clima de apreensão é tal que as jogadoras do plantel 6.º classificado da Liga BPI recusaram treinar no fim de semana até que o presidente esclarecesse a situação. Algo que aconteceu no sábado, dia em que perguntou se "alguém queria rescindir" e na ausência de respostas afirmativas delegou em dois vices a liderança do futebol feminino e impôs um pacto de silêncio.

O clube ainda tenta perceber qual o melhor caminho. Os alegados abusos do treinador do diretor desportivos, entretanto suspensos, aconteceram em outros emblemas (Rio Ave e Vit. Guimarães), no entanto, até antevendo possibilidade de a PJ abrir um inquérito crime por negligência ao clube - ou seja, que alguém da estrutura esteja envolvido ou tenha tido conhecimento da prática do crime de importunação sexual e nada fez - há quem defenda que o presidente devia abdicar. Desportivamente, o clube não tem como ser penalizado à lei da atual legislação.

Este é o primeiro caso do género a ser conhecido no futebol feminino português. Foi conhecido na semana passada depois de o jornal Público noticiar a denúncia das alegadas vítimas de assédio sexual na época 2020-21, que só na sexta-feira acabaram por formalizar, através do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, queixas na FPF e na Polícia Judiciária. Em comunicado, o clube anunciou "a suspensão de funções até que a verdade dos factos seja apurada", tanto de Miguel Afonso como de Samuel Costa. Ambos negaram e prometeram defender-se em tribunal.

isaura.almeida@dn.pt

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