Dez eventos a não perder no desporto em 2016

Num ano recheado de grandes acontecimentos, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto, dominam a ementa desportiva

Euro 2016: França vs. Alemanha? E Portugal?

Na condição de anfitriã, a França sonha com a reedição da conquista de 2000, último ano em que venceu uma grande competição, na altura liderada por Zinedine Zidane. Sem Benzema (em dúvida devido ao envolvimento no escândalo sexual de chantagem a Valbuena) e com Ribéry a "meio-gás" será mais difícil, mas chegar à final é o objetivo gaulês. Ainda assim, é a Alemanha, de Neuer, Müller e companhia, a que parte com maiores credenciais para o Euro 2016, ou não se tratasse da campeã do Mundo. Ainda assim, a Espanha, tal como a Alemanha, sonha tornar-se o primeiro país a conquistar quatro Europeus, sobretudo após a desilusão que foi a sua prestação no Mundial 2014 - eliminada na fase de grupos, tal como... Portugal. O Euro 2016 pode ser a última oportunidade para Cristiano Ronaldo chegar a um título pela seleção nacional e Fernando Santos definiu como objetivo conquistar o Europeu. Mas Bélgica, Itália e Inglaterra partilham com Portugal a segunda linha de favoritismo, sendo a fase de grupos para a seleção nacional (Hungria, Áustria e Islândia) acessível.

Bola de Ouro: desta vez Messi é favorito

Quando recebeu a Bola de Ouro de 2014, Cristiano Ronaldo disse que esperava que 2015 fosse o ano em que igualaria os quatro galardões do argentino. Mas será uma grande surpresa se a contagem não passar a a ser de 5-3 para o avançado do Barcelona. CR7 somou 61 golos em 2014-15 - a Bola de Ouro, porém, avalia o ano civil, não a temporada -, mas em termos coletivos voltou a fazer uma época pobre no Real Madrid (foi apenas uma vez campeão nacional desde que rumou a Espanha), enquanto Lionel Messi completou o "triplete" (Liga espanhola, Liga dos Campeões e Taça de Espanha) no Barça. Ronaldo disse, curiosamente, que fez "a melhor época da carreira em termos individuais", mas na temporada 2015-16 tem estado abaixo das expectativas. Messi, por sua vez, encontrou em Neymar e Suárez os parceiros ideais para formar um ataque demolidor e nem os dois meses em que esteve lesionado lhe retiram o favoritismo. Neymar deverá ser o 3.º do pódio e ameaça, em 2016, poder subir um degrau.

FIFA: cinco nomes para suceder a Blatter

São cinco os nomes candidatos à sucessão a Joseph Blatter na presidência da FIFA, cargo que o dirigente suíço ocupava desde 1998. Blatter foi, no fim de 2015, banido do futebol por oito anos, por corrupção, à imagem de Michel Platini, o que afastou o dirigente francês da candidatura à presidência da FIFA. Assim, são cinco os candidatos aprovados pela Comissão Eleitoral da FIFA, entre os quais se destaca o príncipe jordano Al bin al-Hussein, que segundo as casas de apostas recolhe, neste momento, um ligeiro favoritismo - em maio passado esteve em disputa com Blatter, mas perdeu por 133-73 em votos na primeira volta e retirou-se da corrida. Gianni Infantino conta com a experiência como secretário-geral da UEFA e já recebeu o apoio de Luís Figo, que chegou a ser candidato. O xeque Salman bin Ebrahim al-Khalifa, do Bahrein, o francês Jérôme Champagne e o sul-africano Tokyo Sexwale são os restantes candidatos à presidência da FIFA, cujas eleições estão marcadas para 26 de fevereiro.

Fórmula 1: quem apanha Hamilton?

Depois de a "parceria" entre a Red Bull e a Renault ter dado quatro títulos consecutivos a Sebastian Vettel, entre 2010 e 2013, esta é a era da Mercedes e de Lewis Hamilton na Fórmula 1. O piloto britânico venceu os dois últimos Mundiais, juntando os títulos de 2014 e 2015 à conquista de 2008. Para 2016, Hamilton parte como claro favorito e visa tornar-se o 5.º piloto da história a conquistar quatro títulos, depois de Vettel, Prost (quatro), Juan Manuel Fangio (cinco) e Michael Schumacher (sete). Resta saber se haverá forma de manter tréguas com Nico Rosberg, vice-campeão do mundo e que há muito reclama protagonismo na Mercedes, um po-leiro demasiado pequeno para ambos. Vettel, 3.º classificado de 2015, com a Ferrari, volta a partir atrás da dupla da campeã de construtores. Entre as mudanças nos pilotos, Grosjean assinou pela estreante Haas F1 Team, Jolyon Palmer foi promovido à Lotus e Esteban Gutiérrez regressou ao circuito para se juntar à Haas. O Mundial de 2016 arranca a 20 de março, em Melbourne.

Roland Garros. O título que falta a Djokovic

Novak Djokovic teve, em 2015, um dos melhores anos da história do ténis. O líder da hierarquia mundial conquistou 11 títulos no último ano e arrasou quase toda a concorrência. Mas não deixou de ter um dia bastante amargo: a derrota na final de Roland Garros, o único torneio do Grand Slam que o sérvio não conquistou - venceu o US Open, o Open da Austrália e Wimbledon. Wawrinka foi o único a conseguir impedir que Djokovic completasse o Super Slam, ao vencer na terra batida do torneio francês. Roland Garros torna-se, assim, a principal atração do circuito mundial para 2016, até porque se trata do único grande torneio que Djo-kovic não conquistou. Para isso, terá de enfrentar a concorrência de Nadal - venceu nove dos últimos 11 torneios. Em 2009 foi Federer a conquistar o troféu e o tenista suíço tentará quebrar a série de quase quatro anos sem títulos do Grand Slam. Wawrinka, Murray, Berdych e Nishikori são nomes candidatos a complicar, também, o ano a Djokovic

Copa América sobe até à terra do soccer

É a mais antiga competição do mundo de seleções e 2016 será o ano do seu centenário. Para assinalar a data, a Conmebol fez um acordo com a CONCACAF para, pela primeira vez, realizar a Copa América fora da América do Sul. Os EUA foram os escolhidos para acolher o evento, que se realizará em junho e que contará então com representantes da América do Norte, Central e Caribe - EUA, México, Costa Rica e Jamaica já estão confirmados. Ainda assim, são as seleções sul-americanas a figurarem entre as favoritas à vitória. O Chile, campeão em 2015 pela primeira vez na sua história, terá uma difícil tarefa na luta pelo título e terá Brasil (oito títulos) e Argentina (14) como principais rivais, apesar de o Uruguai ter conquistado mais vezes a competição (15). Curiosamente, a Copa América vai "partir" o trio MSN do Barcelona: Messi, Suárez e Neymar são as principais figuras de Argentina, Uruguai e Brasil, respetivamente. E, em ano de Euro 2016, será a oportunidade de os sul-americanos "responderem" aos europeus na luta pela Bola de Ouro.

Froome e Quintana nas montanhas do Tour

Pela primeira vez na história da Volta à França, o Tour terá início no emblemático monte Saint-Michel, no Norte do país, e chegada a Paris três semanas depois, a 24 de julho. Seguir-se-ão nove etapas planas, nove de alta montanha (com quatro chegadas ao alto), dois contrarrelógios individuais e ainda passagens pela Suíça e por Andorra. O percurso de 2016 irá exigir mais dos ciclistas, com mais tempo de "crono" e duras etapas de montanha. Chris Froome, atual campeão, parte como claro favorito para a conquista do Santo Graal do ciclismo, ele que admitiu que "será um ciclista completo a vencer em 2016". O colombiano Nairo Quintana, vice-campeão em 2015 (ficou a um minuto e 12 segundos de Froome), volta a assumir o papel de mais forte rival de Froome, seguido pelo espanhol Alberto Contador, 5.º em 2015. Os italianos Fabio Aru e Nibali também estão entre os nomes a levar em conta para a edição de 2016 do Tour, para a qual Rui Costa assumiu a tentativa de lutar por um lugar no top 10.

Ryder Cup. Os EUA recuperam a taça?

A Europa é a que mais ordena à partida para a 41.ª edição da Ryder Cup, que em 2016 vai decorrer em Chaska, no Minnesota, e na qual os EUA tentarão aproveitar o fator casa para combater o domínio europeu que se tem acentuado nos últimos anos. Entre 1959 e 1983, os EUA ganharam todos os torneios e eram a força dominante na modalidade. Mas a partir de 1979, ano em que a Europa começou a convocar golfistas continentais e não apenas das ilhas britânicas, tudo começou a mudar. A Europa é atualmente tricampeã e venceu seis dos últimos sete torneios, oito dos últimos dez. Para 2016, Darren Clarke, da Irlanda do Norte, será o capitão da Europa, ele que conta com cinco Ryder Cups no currículo e já tinha sido vice-capitão em 2010 e 2012. Do lado dos EUA, Davis Love III, que já tinha sido o capitão em 2012, vai voltar a assumir a responsabilidade do lado dos EUA, ele que convidou Tiger Woods para ser um dos seus vice-capitães, mas o outrora melhor golfista do mundo está afastado dos greens, por lesão, e admitiu não voltar a jogar.

Super Bowl: o maior espetáculo da América

É o maior evento desportivo nos EUA, embora nem sempre seja notícia por isso mesmo: o espetáculo mediático em torno do Super Bowl, nomeadamente os concertos no intervalo e a publicidade televisiva nos intervalos, costumam desviar as atenções do desporto - e o Super Bowl City, que abre a 30 deste mês, espera receber um milhão de visitantes. A edição de 2016 será especial, pois será a 50.ª da competição de futebol americano, a 46.ª desde que a NFL assumiu a organização do torneio. A San Francisco Bay Arena vai, pela primeira vez desde 1985, acolher o evento, a 7 de fevereiro, e ainda se desconhecem quais as equipas finalistas - os play-offs só arrancam a 9 de janeiro e, para já, só os Washington Redskins já estão assegurados no alinhamento. Ainda assim, os New England Patriots, vencedores em 2015 (bateram os Seattle Seahawks por 28-24, com uma reviravolta de 14 pontos no 4.º e último período), partilham com os Arizona Cardinals o favoritismo para a discussão do título de 2015.

Rio 2016: Let the Games begin!

Será em agosto que o Brasil será palco do maior evento desportivo do planeta: 206 países, 28 desportos, 306 modalidades e mais de 10,5 mil atletas a "viverem a sua paixão" (o lema da organização). Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro marcam a estreia da América do Sul no mapa de anfitriões das Olimpíadas, após as candidaturas de Madrid, Chicago e Tóquio terem sido descartadas. Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, considera que será o maior evento da história, tanto que não hesitou em afirmar: "Se eu morresse agora, já teria valido a pena viver." As atenções estarão, naturalmente, centradas em Usain Bolt, que planeia retirar-se após o Rio 2016. Só há um nome capaz de desafiar o favoritismo do multicampeão olímpico: Justin Gatlin. Mas o Rio de Janeiro será, também, palco do regresso de Michael Phelps, o recordista de medalhas olímpicas. A confiança do nadador norte-americano é tanta que decidiu criar a própria marca para o patrocinar no Brasil.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG