Luis de La Fuente Castillo é o mais novo de cinco irmãos, filho de Alberto, marinheiro mercante, e de Berta Castillo, proprietária de uma mercearia na Plaza de la Paz, no centro de Haro, a região de La Rioja, onde nasceu a 21 de junho de 1961. Foi um modesto lateral-esquerdo que jogou no Athl.Bilbao e Sevilha e está agora na restrita e cobiçada lista de 21 treinadores que já foram campeões do Mundo. Conseguiu-o no domingo, ao bater a Argentina (1-0), na final do Mundial 2026, com 65 anos e 29 dias, sendo por isso o mais velho campeão. Homem de fé, reza todos os dias, não para obter ajuda de Deus para ter resultados, mas para “dar graças por acordar e ter mais um dia para aproveitar a vida”, segundo confessou, antes da final que iria coroar o seu trabalho de uma vida. Diz-se “um guerreiro” e um selecionador que gosta de liderar “apelando à inteligência e à reflexão”, pedindo isso aos jogadores enquanto fazem circular a bola com uma paciência incomum de quem sabe que mais cedo ou mais tarde a bola vai entrar na baliza e premiar esse jogo coletivo.De la Fuente diz que “antes de ser treinador é formador” e assim construiu um sistema assente no talento e na meritocracia para representar Espanha. A começar por ele. O percurso como treinador começou em 1997 no futebol regional, no Club Portugalete, e por lá esteve três épocas, altura em que se mudou para o Aurrera, da Segunda Divisão B espanhola, mas a experiência não correu bem e acabou despedido à 29.ª jornada, apesar do bom desempenho desportivo (equipa estava no 9.º lugar). Fez uma paragem e aceitou depois iniciar uma carreira como formador, nas camadas jovens do Sevilha, onde treinou Sergio Ramos, por exemplo. Daí foi para os sub-19 do Athl. Bilbao e promovido à equipa B logo depois, e subiu à equipa principal como adjunto de Joaquín Caparrós, onde esteve duas temporadas. Ainda iria voltar aos B, antes de tentar uma nova aventura a solo nos séniores do Alavés, mas voltou a ser despedido precocemente. Em maio de 2013, foi contratado para treinar os Sub-19, com a bênção de Iñaki Sáez e iniciou aí um caminho de sucesso dentre da estrutura técnica da federação espanhola até ao topo do mundo. Em 2015 venceu o Europeu de Sub-19, em 2018 conquistou o ouro nos Jogos do Mediterrâneo com os Sub-18 e mudou-se para os sub-21, seleção que orientou até 2021 e onde também conheceu o sabor do triunfo europeu em 2019.Em junho de 2021 foi chamado a orientar a seleção principal, frente à Lituânia, depois de Luis Enrique acusar covid-19 e saiu vencedor (4-0). Ainda teve de esperar até depois do Mundial 2022 para assumir La Roja. “Se há alguém que conhece o futuro do futebol espanhol, sou eu!"Naquele dia 8 de dezembro de 2002, quando o então presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Luis Rubiales, comunicou a dispensa de Luis Enrique (hoje técnico do PSG), após a eliminação nos oitavos de final do Mundial 2022, já estava decidido que o novo comandante seria Luis de La Fuente, então selecionador sub-21. E para quem se questionava quem era afinal o técnico que assumia La Roja no dia 12 de dezembro, ele respondeu: “Se há alguém que conhece o futuro do futebol espanhol, sou eu! Para que saibam quem toma as rédeas da seleção.” Mais tarde, e já depois de deixar e convocar o capitão Sergio Busquets, em entrevista ao jornal El País, disse que não quis parecer pretensioso e só constatou uma realidade, porque tinha a obrigação de “estar perfeitamente informado de quais são os melhores jogadores das últimas dez gerações”, uma vez que já tinha orientado os sub-18, sub-19 e sub-21.Afinal ele viu nascer para o futebol Unai Simón, Marc Cucurella, Rodri, Fabián Ruiz, Dani Olmo, Pedri e Mikel Merino, Alex Baeña, que o ajudaram a ser campeão mundial. Já Lamine Yamal foi direto à seleção principal com 16 anos, no Euro2024, numa aposta arriscada, mas consciente e baseada no mérito do jovem talento do Barça. Tal como este ano foi criticada a convocatória de Ferran Torres, que marcou o golo que deu o título mundial a Espanha, e a não convocatória de jogadores do Real Madrid.Desde que assumiu La Roja em 2022, o técnico venceu uma Liga das Nações (2023), venceu o Campeonato da Europa (2024) e o Campeonato do Mundo (2026) e ainda esteve na final da Liga das Nações 2025, que perdeu para Portugal. E é hoje o treinador mais titulado da seleção espanhola, com três troféus, tendo superado Vicente Del Bosque, José Villalonga e Luis Aragonés, porque afinal ele construiu "a melhor equipa do Mundo".isaura.almeida@dn.pt.Espanha destrói sonho argentino e sagra-se campeã do Mundo pela segunda vez.O adeus de Ronaldo foi também o adeus de Portugal ao Mundial2026