Tadej Pogacar fez diferenças importantes no sexto dia de Volta a França e tem agora 2m42s de avanço para Jonas Vingegaard, da Visma. Está onde queria estar na luta pela quinta vitória da Volta a França, o que só quatro corredores conseguiram na história, já retirados os sete títulos de Lance Armstrong por uso de substâncias dopantes. Para Alberto Contador, não há dúvidas de que o estatuto de Pogacar já é o de melhor de sempre. “Acho que o Tour de França é quase secundário quando se avalia Pogacar. Não se pode analisá-lo apenas pelo Tour. É preciso olhar para tudo o que ganha e, sobretudo, para a forma como vence. É isso que faz dele, na minha opinião, um sério candidato a ser o maior ciclista da história. Em número total de vitórias, ainda não alcançou Eddy Merckx e talvez nunca o faça. Pogacar não participa em provas menores; escolhe apenas as corridas mais importantes do calendário. Ganhar um Campeonato do Mundo ao sprint num grupo de dez ou quinze corredores é uma coisa. Atacar a 100 quilómetros da meta, com todos a perseguirem-te, e mesmo assim vencer, é outra completamente diferente. O mesmo acontece quando ataca a solo a 70 quilómetros da chegada na Liège-Bastogne-Liège. Não são vitórias normais. São exibições extraordinárias. Por isso, mesmo antes de conquistar um quinto Tour, e com todo o respeito por Eddy Merckx, já considero Tadej Pogacar o maior ciclista da história”, elogia o espanhol, vencedor de dois Tours e um dos oito a vencer as três Grandes Voltas no ciclismo. Agora comentador do Eurosport, emissor que facilitou esta entrevista exclusiva ao Diário de Notícias ainda antes da exibição magnânima do esloveno, o Pistolero atribui favoritismo à UAE Emirates, apesar de reconhecer que João Almeida faz falta a Pogacar. “A UAE tem tantos corredores de enorme qualidade que consegue substituir melhor o João do que qualquer outra equipa conseguiria fazer com um elemento-chave. Basta olhar para a Visma, que nunca conseguiu compensar a ausência de Wout van Aert. E a saída de Simon Yates também deixou uma lacuna difícil de preencher. A UAE é a equipa mais preparada para lidar com uma ausência tão importante. Não ter o João é uma perda, porque um corredor da sua qualidade, e sobretudo da regularidade que demonstra, é absolutamente indispensável. É um ciclista extremamente fiável e qualquer líder gostaria de o ter ao seu lado”, vinca o espanhol elogiando o ciclista português, que ficou fora do Tour por problemas físicos, apontando agora à Volta a Espanha de agosto.Para Contador a vitória de Isaac del Toro numa etepa já era esperada. E aponta-lhe a possibilidade de integrar o pódio do Tour. “Não acho que seja uma surpresa. Acho que já é uma realidade. Se não corresse na UAE Emirates, seria um dos grandes favoritos ao pódio. Mesmo dentro da UAE, continuo a considerá-lo um dos mais fortes candidatos aos três primeiros lugares. Não seria a primeira vez que a UAE coloca dois corredores no pódio final”, destaca.Contador tentou fazer a dobradinha e vencer Giro e Tour, feito que não alcançou. Perspetiva que a tentativa de Jonas Vingegaard, em 2026, pode ter mais custos na terceira semana, embora veja no dinamarquês forma de superar o possível cansaço: “A teoria diz que o desgaste acumulado costuma fazer-se sentir na terceira semana. Mas o Vingegaard é um corredor de fundo. Uma das razões pelas quais é tão forte nas Grandes Voltas é precisamente o facto de crescer à medida que a corrida avança. Foi isso que vimos no Giro, em que estava claramente mais forte na última semana. Acredita que chegará ao Tour ainda melhor do que ao Giro, por isso não vejo que isso venha a ser um problema.”Contador abordou ainda os restantes candidatos aos primeiros três lugares, todos eles dentro do minuto do segundo classificado atual. Paul Seixas, com 19 anos, “tem possibilidades de fazer pódio” e não está fragilizado por a Decathlon vir a ter dificuldades para gerir o pelotão. “Seixas nem precisa de ter a equipa mais forte, porque não será ele quem terá de controlar a corrida. Essa responsabilidade vai recair sobretudo sobre a UAE e a Visma”, considera, contente por ver o catalão Juan Ayuso, na Lidl-Trek, com “uma equipa muito forte, totalmente dedicada”. “Se tivesse permanecido na UAE, seria apenas um gregário de Pogacar. Esta mudança abre-lhe muito mais possibilidades”, aponta, vendo similaridades em Remco Evenepoel, este a partilhar a liderança da Red Bull-Bora com Florian Lipowitz..Antevisão da Volta a França: 31 anos depois o Tour pode ter o quinto ciclista a chegar à mão cheia.Pogacar acelerou em Les Angles para vencer etapa 3 do Tour 2026 e ficar de amarelo.Pogacar dinamita concorrência com ataque a 43 km da meta e assume amarela na sexta etapa da Volta a França