Em 2019, o Como competia na Série D italiana, uma divisão amadora com 168 clubes divididos por nove grupos. Hoje luta palmo a palmo por uma vaga na Liga dos Campeões de 2026/27 com Nápoles, Juventus, Milan e Roma, quatro históricos do futebol local na competitiva Serie A. O segredo? Tabaco. O Djarum, gigante mundial de fabrico e comercialização de cigarros com sede na Indonésia, comprou naquele ano o pequeno clube da Lombardia.Com meros três triunfos na secundária Série B ao longo da história, o Como começou então a subir, passo a passo, até à elite italiana, onde não jogava há 21 anos, à mesma velocidade com que, por culpa de bancarrotas consecutivas, caíra anos antes, passo a passo, para o futebol amador e a jogar sob o olhar de meras dezenas de adeptos. Michael Bambang Hartono, falecido em março, e o irmão Robert Budi Hartono, entre as 100 pessoas mais ricas do mundo, de acordo com a atualização de 2025 da revista Forbes, fundaram o Djarum, grupo avaliado em perto de 50 mil milhões de dólares, ainda segundo a revista. Agora Robert Budi lidera o Como como um “parque de atrações anexo ao lago”, como define o presidente Mirwan Suwarso, também indonésio, referindo-se ao turístico Lago Como, que circunda a cidade de 85 mil habitantes, a 50 km de Milão.O Como vale hoje, segundo o site Transfermarkt, 351,7 milhões de euros, acima de Lazio ou Fiorentina, e não muito distante do valor, a rondar os 400 milhões, de Sporting, FC Porto e Benfica. Para essa soma contribuiu o investimento, por exemplo, no mercado de janeiro de 2025: naquela janela, os lariani foram o clube italiano que mais investiu – 50 milhões – na janela.Os adeptos de HollywoodEntre as suas estrelas, destaque para o argentino Nico Paz, avaliado em 65 milhões de euros, e para o treinador Cesc Fàbregas, multi-titulado ex-jogador de Arsenal e Barcelona a dar os primeiros passos no banco do clube do qual é… sócio minoritário. Outro sócio minoritário é Thierry Henry, também ex-astro e também ex-Arsenal e Barcelona.Como o grupo Djarum tem uma perna na indústria de Hollywood, Fàbregas e Henry, entretanto, passam despercebidos no desfile de famosos no Estádio Giuseppe Sinigaglia: Hugh Grant, Adrien Brody, Michael Fassbender, Keira Knightley, Chris Pine, Benedict Cumberbatch ou Andrew Garfield são “adeptos” do Como. “O projeto é interessante para o futebol italiano, o Como busca ser polo de atração turística através do futebol, mas sempre com um estilo de jogo interessante”, comentou o jornalista desportivo Bruno Longhi, da Mediaset, a propósito das bancadas recheadas de estrelas e do 4x2x3x1 atraente e ofensivo de Fábregas.No onze, Nico Paz, que tem opção de compra pelo Real Madrid, lidera um grupo escolhido a dedo mas ainda deficitário: perdeu 105,1 milhões de euros em 2026. “Acreditamos, no entanto, que podemos ser superavitários em dois anos”, diz o presidente Suwarso, com a remodelação do estádio e vendas valiosas em mente. Suwarso sabe que não pode competir comercialmente com os vizinhos Milan e Inter, recentemente aclamado campeão, mas acredita poder ser referência na análise de dados de atletas, como ponte entre desporto e turismo e na relação entre futebol e moda, com coleções do próprio clube já exportadas para Everton e Tottenham.Mais números:44 Número de milhares de milhões de dólares da família indonésia Hartono, dona do Como.351,7 Valor de mercado, em milhões de euros, do clube, acima de históricos como Lazio ou Fiorentina.6.º Classificação do (ex) modesto clube do norte de Itália, que ainda pode ultrapassar os gigantes Roma, Milan, Juventus e Nápoles.