A Volta ao Algarve em bicicleta regressa à estrada entre 18 e 22 de fevereiro de 2026, mantendo-se como uma das mais importantes corridas do arranque da temporada internacional. Integrada no calendário UCI ProSeries, a prova contará com cinco etapas, num percurso equilibrado que combina dias favoráveis aos sprinters, um contrarrelógio individual a já tradicional chegada ao Alto do Malhão, decisiva na luta pela classificação geral.A edição de 2026 apresenta um pelotão de elevado nível, marcado por uma forte presença de equipas do WorldTour, o que confirma a consolidação da corrida algarvia como referência no calendário europeu. Entre as formações confirmadas estão UAE Team Emirates, INEOS Grenadiers, Lidl–Trek, Red Bull–BORA–hansgrohe, EF Education–EasyPost, Soudal–Quick-Step, Lotto Intermarché e Tudor Pro Cycling Team, entre outras equipas profissionais e convidadas.Para o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, o nível competitivo da edição de 2026 é particularmente elevado. “Esta edição, tanto em termos de equipas como em termos de cabeças de cartaz, está um bocadinho melhor do que as anteriores. Temos menos equipas do que no ano passado, mas isso não quer dizer que o nível tenha baixado”, sublinha.Do lado português, o principal destaque é João Almeida, que alinhará pela UAE Team Emirates e surge como a principal esperança nacional na luta pela classificação geral. “O João é um sério candidato. Ainda há pouco tempo terminou em segundo na Volta à Comunidade Valenciana, uma prova muito importante, e chega aqui com condições para discutir a geral”, afirmou Cândido Barbosa, que não exclui outros nomes nacionais. “Temos também o António Morgado, que pode ser um nome interessante, e jovens como o Paulo Seixas, com apenas 19 anos, que merece atenção.”A concorrência internacional será forte. Entre os principais nomes apontados pelo presidente da federação estão Juan Ayuso, antigo colega de equipa de João Almeida, Richard Carapaz, da EF Education–EasyPost, e Julian Alaphilippe, da Tudor Pro Cycling Team. “O Ayuso será um adversário direto do João. O Carapaz depende muito do nível de forma com que aparece, e o Alaphilippe é sempre um corredor que traz qualidade à corrida”, referiu. Já Filippo Ganna, apesar de presente, dificilmente será candidato à geral. “Com o percurso que temos, será complicado para ele assumir esse papel.”.O desenho do percurso volta a ser um dos pontos-chave da prova. Para além do contrarrelógio individual, colocado sensivelmente a meio da Volta, a edição de 2026 apresenta novidades. Uma delas é a chegada ao Alto da Fóia, subida inédita na corrida. “É uma subida típica, muito interessante, que vai tornar esse dia mais duro do que o habitual”,explicou Cândido Barbosa.Outra inovação é a introdução dos chamados “pontos quentes”, inspirados no conceito internacional do “quilómetro dourado”. “Dentro de um quilómetro, quilómetro e meio, colocamos duas ou três metas volantes, cada uma com bonificações. No primeiro dia, por exemplo, serão nove segundos em jogo num curto espaço, a cerca de 20 quilómetros da meta”, detalhou. “Isto cria quase uma chegada intermédia e torna a corrida mais emotiva e mais interessante para quem disputa e para quem assiste.”Segundo o presidente da federação, a Volta ao Algarve beneficia de um conjunto de fatores únicos. “Desde logo, a data no calendário é perfeita. As equipas WorldTour procuram corridas equilibradas nesta fase da época, e o Algarve oferece isso”, afirmou, destacando também as condições logísticas. “As equipas conseguem ficar sempre no mesmo hotel durante toda a prova, deslocando-se no máximo 40 minutos ou uma hora. Para os ciclistas e para os ‘staffs’ isso é extremamente confortável.”Cândido Barbosa sublinha ainda o impacto turístico e mediático da corrida. “Temos transmissões para dezenas de países. Não estamos apenas a oferecer um produto desportivo, estamos também a vender território, paisagem e turismo, algo que poucas modalidades em Portugal conseguem fazer como o ciclismo”, frisou..UAE Emirates vai estar na 51.ª Volta ao Algarve em bicicleta