Criado no âmbito do Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED), uma iniciativa do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), o Cartão Branco assinala este ano uma década de existência como medida pioneira de promoção da ética, respeito e fair play na prática desportiva. Na opinião do Presidente do IPDJ, Ricardo Gonçalves “O Instituto Português do Desporto e da Juventude, através do Plano Nacional de Ética no Desporto prossegue competências que permitem assimilar e/ou vivenciar os valores éticos no âmbito da prática desportiva/desporto, tais como a verdade, a cooperação, o respeito, a solidariedade, a tolerância, a interajuda, entre outros”.Neste sentido, o Cartão Branco distingue-se por ser um instrumento pedagógico único em Portugal que valoriza condutas eticamente relevantes — como gestos de solidariedade, respeito pelo adversário e cooperação entre agentes desportivos — em vez de sancionar comportamentos menos corretos, como fazem o cartão amarelo ou o vermelho. Ao longo de 10 anos, esta iniciativa tem crescido de forma sustentada. Até ao final da temporada de 2024/2025 foram exibidos 8 433 Cartões Brancos em competições organizadas por 93 entidades, entre federações, clubes, municípios, organizações sem fins lucrativos e outras estruturas do desporto, abrangendo 34 modalidades. Em 2025, apenas, registaram-se 1 362 Cartões Brancos, um aumento que continua a refletir a aposta na cultura de jogo limpo em diferentes contextos competitivos. O futebol no último ano foi a modalidade onde mais cartões brancos se mostraram: 733, todos através das Associações de Futebol. Os restantes foram mostrados da seguinte forma: 494 para Federações e 135 para outras entidades. “Atualmente, o desporto atravessa transversalmente toda a sociedade ao ponto de muitos autores o considerarem como o espelho da mesma, com o seu tipo de funcionamento, as suas crises e contradições e também os seus sonhos e as suas esperanças. É tido como uma ferramenta de progresso social, um género de “Escola Paralela” com alta vocação para a promoção da saúde, bem-estar físico e psicológico, assimilação e vivência de valores éticos tão necessários à construção de uma sociedade mais justa, mais equilibrada, mais profícua”, referiu ainda Ricardo Gonçalves..Este ano marcou-se um passo importante na projeção além-fronteiras com a adesão formal da International Korfball Federation (IKF) ao Cartão Branco, tornando-se na primeira federação internacional a incorporar permanentemente este gesto de reconhecimento ético nas suas competições. A iniciativa da IKF reflete valores que vão além da competição desportiva, incluindo a promoção da inclusão, respeito mútuo e igualdade de género — princípios centrais não só do korfebol como da filosofia educativa do Cartão Branco. Ao longo da última década, o Cartão Branco tem sido exibido em contextos tão diversos quanto provas escolares, torneios amadores e federados, reforçando a ideia de que o desporto é uma escola de valores e um espelho da sociedade. Figuras de destaque em diferentes modalidades — atletas, treinadores e árbitros — foram reconhecidas em cerimónias anuais de atribuição de prémios, celebrando gestos que promovem o respeito, a integridade e a cooperação no desporto. A par da expansão internacional e do fortalecimento da sua aplicação, o Cartão Branco continua a ser promovido junto de todas as entidades que dinamizam atividades desportivas em Portugal, com o objetivo de consolidar uma cultura ética em todos os níveis — desde o desporto escolar até às competições de alto rendimento. Como recurso pedagógico, o Cartão Branco tem sido destacado não só pela sua originalidade, mas também pelo impacto positivo que gera na formação integral dos praticantes e outros agentes desportivos, contribuindo para um ambiente desportivo mais justo, saudável e inspirador.