Carlos Lopes homenageado 50 anos depois: “Ao fim da primeira volta já sabia que ia ganhar”
FPA

Carlos Lopes homenageado 50 anos depois: “Ao fim da primeira volta já sabia que ia ganhar”

Antigo campeão mundial de corta-mato recorda a vitória de 1976 e diz que o segredo foi “nunca ter medo de perder”, numa cerimónia da Federação Portuguesa de Atletismo em Linda-a-Velha.
Publicado a
Atualizado a

A Federação Portuguesa de Atletismo assinalou esta sexta-feira os 50 anos da primeira medalha de ouro portuguesa num Campeonato do Mundo, conquistada por Carlos Lopes em 28 de fevereiro de 1976, em Chepstow, no País de Gales, com uma homenagem na sede do organismo, em Linda-a-Velha. O antigo fundista, que se tornou o primeiro membro honorário da federação, recordou a vitória como um momento marcante para o país e para a valorização do desporto.

“Acho que foi um carinho muito especial pelos 50 anos, pelos 79 que fiz há muito pouquinho de tempo. Pela primeira vez, a Federação tem a coragem de homenagear e honrar aquilo que nós fizemos há muitos anos”, afirmou, sublinhando que a conquista “marcou a história” e contribuiu para mudar mentalidades, mostrando que o desporto era “uma mais-valia para todos nós e, acima de tudo, uma mais-valia para a saúde mental”.

O antigo campeão mundial de corta-mato garantiu recordar “perfeitamente” a corrida e disse que cedo percebeu o desfecho. “Ao fim da primeira volta já sabia que ia ganhar. O estado de alma que eu tinha, a capacidade que eu tinha e o saber dos momentos em que tinha de decidir”, recordou, acrescentando que chegar à meta “com a medalha já garantida” compensou “todos os sacrifícios de 12 anos para chegar àquele momento”.

O triunfo antecedeu em oito anos o título olímpico da maratona nos Jogos de Los Angeles 1984, mas Lopes frisou que nunca teve receio de falhar. “Um dos meus segredos foi nunca ter medo de perder. Quando não se tem medo, a gente vai para lá e livra-se de pressões. É uma festa”, declarou, dirigindo-se aos mais jovens: “Façam desporto com prazer, com alegria e com a noção de expandirem as próprias capacidades”.

Durante a cerimónia, o atleta explicou que não recebeu dinheiro pela vitória de 1976, embora a considere decisiva na sua vida. “Foi a porta, foi a janela que me deu a possibilidade de continuar a viver tranquilo”, disse. Recordou também a conciliação entre trabalho e treino: levantava-se pelas 6h30 para treinar antes de cumprir o emprego e as responsabilidades familiares, salientando que “nada caiu do céu”.

O presidente da federação, Domingos Castro, falou de “gratidão” para com o antigo colega de equipa no Sporting, admitindo que a sua própria carreira foi influenciada pelo ídolo. Referiu ter treinado com Lopes “muito pouco, porque o ritmo do Carlos Lopes não tinha nada a ver com outros atletas” e considerou improvável surgir outro atleta semelhante em Portugal.

Já o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, afirmou que reconhecer o mérito é um princípio essencial e destacou o antigo fundista como uma figura que “continua a ser, foi e vai ser sempre um ídolo que inspira” a população.

Lopes, hoje com 79 anos, afirmou gostar de ser recordado “a viver os momentos e sentir que as pessoas ainda gostam” dele. Entre recordações desportivas, falou também da vida atual, marcada pela normalidade do quotidiano, dizendo que procura manter o equilíbrio em casa e até cozinhar quando solicitado pela família, provocando risos na plateia.

A homenagem incluiu a entrega de um troféu em cristal e mensagens de atletas de várias gerações. O antigo campeão concluiu destacando o significado da carreira: “Passei por grandes momentos, vivi-os, senti-os. Valeu a pena”.

Carlos Lopes homenageado 50 anos depois: “Ao fim da primeira volta já sabia que ia ganhar”
Ouro de Carlos Lopes faz 41 anos. "Nunca mais o esquecerei..."

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt