Buscas em equipas de ciclismo. Pelo menos um ciclista da Efapel constituído arguido

Operação da PJ visou três equipas, que estão no pelotão da Volta a Portugal, que começa na quinta-feira (dia 4).

A Volta a Portugal pode não estar em risco como garantiu já o organizador Joaquim Gomes, mas está, para já, ensombrada pelo caso das suspeitas de doping da equipa da W52-FC Porto, que hoje levou a Polícia Judiciária (PJ) a realizar mais buscas em, pelo menos, três equipas do pelotão da Volta: Efapel, Boavista e Glassdrive.

Segundo soube o DN junto de fonte da investigação, a atuação das forças judiciais prende-se com a operação Prova Limpa, que a 24 de abril visou a equipa W52-FC Porto e levou à detenção do diretor desportivo Nuno Ribeiro e do seu adjunto, José Rodrigues, na equipa ligada aos dragões, a quem a União Ciclista Internacional (UCI) retirou a licença para competir no dia 27 de julho.

As buscas visaram equipas que têm nos seus quadros pessoas que estiveram de alguma forma ligadas à W52-FC Porto. A PJ não confirmou ao DN quaisquer detenções, mas fontes ligadas à investigação confirmaram buscas "em locais ligados a equipas de ciclismo" com o objetivo de "recolher prova documental". José Azevedo, diretor da Efapel confirmou ao jornal Record, que o jovem ciclista Francisco Campos (24 anos) foi constituído arguido, tendo sido despedido de imediato depois de confessar que não cumpriu o regulamento interno, que é de tolerância zero com o doping.

Outro ciclista alvo de buscas foi Daniel Freitas (Rádio Popular-Paredes-Boavista), que representou a W52-FC Porto entre 2016 e 2018 e já foi suspenso pela equipa e substituído no elenco para a Volta a Portugal pelo espanhol Guillermo García. José Santos, diretor da equipa, disse à Lusa que "caso se confirme qualquer facto que se possa considerar ilícito", Daniel Freitas será "expulso da equipa e é rescindido o contrato".

Já Rúben Pereira, diretor desportivo da Glassdrive-Q8-Anicolor, esclareceu que um dos seus ciclistas foi alvo de buscas esta manhã, escusando-se a revelar a identidade: "Não foi buscas à equipa, nem a equipa está envolvida em nada disso. Foi a um ciclista. [Aliás] Foram buscas a vários ciclistas do pelotão nacional, de várias equipas, entre os quais está um ciclista da nossa equipa."

As buscas acontecem a dois dias do arranque da 83.ª Volta a Portugal em bicicleta, que estará na estrada entre quinta-feira e 15 de agosto. Isto caso a empresa organizadora (Podium de Joaquim Gomes) decida levar a Volta avante. O antigo ciclista garante que sim, apesar de recomhecer "vergonha relativamente a tudo que se está a passar". Já a Federação Portuguesa de Ciclismo estava reunida à hora de fecho desta edição para decidir como atuar.

Denúncia anónima deu início à operação Prova Limpa

Tudo começou há cerca de um ano com uma denúncia anónima na Polícia Judiciária, que em colaboração com a Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), montou uma longa operação de investigação, que culminou com buscas e detenções. Segundo soube o DN, os ciclistas e restante estrutura foram monitorizados pela PJ durante quase um ano até a operação Prova Limpa sair para a rua, no passado dia 24 de abril. Nessa altura, os inspetores fizeram buscas em simultâneo, incluindo nas viaturas particulares e nas casas dos ciclistas, numa gigantesca apreensão de produtos dopantes e material de auxílio a práticas proibidas, nomeadamente para transfusões sanguíneas, com o DN avançou na semana passada.

Na sequência disso, a União Ciclista Internacional (UCI) retirou, na semana passada, a licença desportiva à W52-FC Porto, depois de oito dos seus ciclistas, além de dois elementos do staff terem sido suspensos preventivamente pela ADoP. Depois disso o FC Porto denunciou o protocolo com a W52.

Se for para a estrada sem a W52-FC Porto, vencedora das últimas nove edições, será certamente uma Volta a Portugal diferente. Com a inédita ascensão ao Observatório do Vila Nova (Miranda do Corvo) e a incursão em terras espanholas (Badajoz) a organização da 83.ª Volta a Portugal suavizou o traçado. A prova que se realiza desde 1927 tem arranque marcado para amanhã, num total de 1559,7 quilómetros entre Lisboa e Vila Nova de Gaia, onde, no dia 15 de agosto, será coroado o sucessor de Amaro Antunes, o bicampeão em título, ausente devido à retirada da licença à W52-FC Porto por suspeitas de doping reiterado.

Com um pelotão composto por 126 ciclistas, distribuídos por 18 equipas, há oito candidatos ao triunfo final...uns mais favoritos que outros. A começar pelo uruguaio Mauricio Moreira (Glassdrive-Q8-Anicolor). Aquele que foi o ciclista mais forte da última edição, foi penalizado por erros pessoais e perdeu a Volta para Amaro Antunes por 10 segundos, aparece este ano como grande favorito, à frente do veterano espanhol de 40 anos, Alejandro Marque (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) e do português Frederico Figueiredo (Glassdrive-Q8-Anicolor).

isaura.almeida@dn.pt

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