Bruno de Carvalho recorre do castigo de seis meses

Presidente do Sporting diz que a decisão do Conselho de Disciplina é previsível e garante que vai lutar pela reposição da justiça. Carlos Pinho, do Arouca, suspenso por 20 meses

O Conselho de Disciplina liderado por José Manuel Meirim decidiu punir Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, com seis meses de suspensão e Carlos Pinho, líder do Arouca, com 20 meses, no âmbito do processo que ficou conhecido como o caso do túnel de Alvalade.

O caso remonta a 6 de novembro de 2016 quando no final do Sporting-Arouca, os presidentes dos dois clubes se cruzaram nos corredores dos balneários do Estádio José Alvalade, tendo trocado insultos, com Bruno de Carvalho a expelir fumo do seu cigarro eletrónico na direção do rosto do seu homólogo arouquense, gerando-se de imediato uma grande confusão, que obrigou à intervenção dos stewards do recinto bem como dos agentes da Polícia de Segurança Pública.

Após um longo processo de investigação desenvolvido pela Comissão de Instrutores da Liga, o Conselho de Disciplina emitiu agora um veredicto, precisamente nove meses e dez dias da ocorrência dos factos. O organismo disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol decidiu-se pela aplicação das penas mais pesadas desde que foi julgado o processo Apito Dourado. Entretanto, Bruno de Carvalho terá ainda de pagar uma multa de 11 mil euros, enquanto Carlos Pinho terá de desembolsar 30 mil euros.

É bom lembrar que a Comissão de Instrutores tinha acusado o presidente do Sporting de uma infração, a de lançar fumo na cara de Carlos Pinho, algo que foi dado como provado pelo Conselho de Disciplina, que aplicou uma pena dentro da moldura penal prevista, que era de dois meses a dois anos por lesão de honra e reputação. Já o líder do Arouca havia sido acusado de seis infrações disciplinares, que poderiam valer uma pena acumulada que ia dos 14 meses e os nove anos.

Bruno "foi vítima", diz Sporting

Estes castigos não significam que o caso está encerrado, uma vez que ambas as partes têm a possibilidade de apresentar recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto.

Bruno de Carvalho considerou ontem a decisão "previsível" e que já por isso tinha comunicado não ir para o banco de suplentes esta época. "Eu próprio já me tinha auto excluído, uma vez que tinha a certeza absoluta que a decisão seria deste nível", frisou, deixando ainda a certeza que irá apresentar recurso desta sentença: "Já disse publicamente, e por várias vezes, que irei lutar em todas as instâncias da justiça à minha disposição pela reposição da justiça, da minha reputação e do meu bom nome."

Em comunicado publicado no seu site, o Sporting condenou a sentença do Conselho de Disciplina por ser "injusta e desproporcionada", pois considera que "ficou provado" que Bruno de Carvalho "foi vítima e não autor de qualquer espécie de agressão ou insulto". "Do nosso ponto de vista, não faz sentido que quem é agredido, insultado, caluniado, difamado e injuriado, sem que tenha cometido qualquer infração, seja objeto de outra decisão que não passasse pela absolvição completa", diz o comunicado, garantindo que os leões vão "recorrer".

Já Joel Pinho, diretor desportivo e filho do presidente do Arouca, considerou a decisão como "de certa forma, uma vitória", pois "vem dar razão" às pretensões do seu clube: "Ficou provado que houve atividade organizada, que houve uma espera e que algo foi expelido." Apesar disso, não excluiu a possibilidade de o Arouca apresentar um recurso. "Vamos analisar o acórdão com o nosso departamento jurídico e tomaremos as medidas que entendermos serem necessárias", disse.

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