Luís Castro (Grêmio) será um dos dois treinadores portugueses nesta edição do Brasileirão.
Luís Castro (Grêmio) será um dos dois treinadores portugueses nesta edição do Brasileirão.Arquivo/Global Imagens.

Brasileirão arrancou com novo calendário, investimento ao nível europeu e menos treinadores portugueses

Menos de dois meses após o fim do campeonato vencido pelo Flamengo, torneio regressou com os suspeitos do costume entre os favoritos e apenas dois treinadores portugueses: Abel Ferreira e Luís Castro.
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Pouco menos depois de dois meses após o fim de sua última edição, o Brasileirão, principal torneio do futebol brasileiro regressou nesta quarta-feira, 28 de janeiro, com um calendário que, de forma inédita, arranca no primeiro mês do ano.

Reformulado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após anos de críticas de clubes, adeptos e imprensa aos campeonatos estaduais, o calendário também foi afetado pela disputa do Mundial de Seleções deste ano e fez com que o torneio, vencido pelo Flamengo no ano passado, se iniciasse mais cedo neste ano. Fora dos relvados, os clubes tiveram que se antecipar no planeamento e, agora, terão uma verdadeira maratona de partidas em 2026. Para isso, foram às compras.

De acordo com o portal Transfermakt, apenas a Premier League, principal liga do futebol europeu investiu mais que os brasileiros no mercado de transferências de janeiro. O principal destaque fica para o Cruzeiro, que acertou a contratação do médio Gérson, do Zenit St. Petesburgo (RUS) em negociação que pode chegar aos 30 milhões de euros.

Gerson, novo reforço do Cruzeiro.
Gerson, novo reforço do Cruzeiro.DR

Após negócios no ano passado que envolveram Samuel Lino, do Atlético de Madrid ao Flamengo (22 milhões) ou de Vitor Roque, do Barcelona ao Palmeiras (25 milhões), a transferência é mais um sinal de que a liga brasileira quer cada vez mais protagonismo no mercado, podendo inclusive concorrer financeiramente com campeonatos da Europa. Prova disso pode ser vista também nas vendas, com cada vez menos atletas a chegar na Europa tendo Portugal, por exemplo, como porta de entrada.

Salvo raras exceções - como a transferência de Richard Ríos ao Benfica em 2025 - a tendência agora é uma valorização cada vez maiores dos atletas de clubes brasileiros por parte das respetivas direções. Jovens promessas que outrora passavam pelos três grandes de Portugal antes de se aventurarem noutros grandes do futebol europeu, agora passam direto para clubes médios de campeonatos como a Premier League (casos de atletas como Rayan, ex-Vasco, promessa recentemente negociada com o Bournemouth).

Dentro dos relvados, os suspeitos de costume continuam entre os favoritos para esta época. O Flamengo comandado por Filipe Luís, atual campeão tanto do Brasileirão, quanto da Libertadores, é dono do plantel mais recheado do país, com estrelas como Arrascaeta, Carrascal, Samuel Lino, Pedro e Léo Pereira - o clube ainda tenta fechar a contratação de Lucas Paquetá, médio do West Ham e da seleção brasileira, em negociação que pode chegar aos 40 milhões de euros e superar, assim os valores pagos pelo Cruzeiro por Gérson.

Abel Ferreira está em seu sexto ano no Brasil.
Abel Ferreira está em seu sexto ano no Brasil.DR

Já o Palmeiras, vice-campeão de ambos torneios conquistados pelo Flamengo na época passada, vê Abel Ferreira mais uma vez contestado. O português é questionado por parte de adeptos e imprensa por um "futebol feio" e que, pelo menos nos últimos dois anos, não tem dado frutos. Para piorar, uma goleada sofrida neste início de temporada frente ao Novorizontino (4 - 0), pelo Campeonato Paulista, fez a relação tornar-se ainda mais estremecida para o treinador do 'Verdão'.

E se no início da época passada Abel tinha quatro conterrâneos espalhados entre os comandos técnicos de diferentes clubes do país - repetindo uma tendência dos anos anteriores - neste ano apenas mais Luís Castro, no Grêmio, representa Portugal enquanto treinador no Brasileirão. Em 2025, Leonardo Jardim (Cruzeiro), Renato Paiva (Botafogo), Pepa (Recife) e Pedro Caixinha (Santos) iniciaram, assim como o treinador do Palmeiras, o principal torneio brasileiro.

Dos quatro, apenas Leonardo Jardim manteve-se até o fim da última época. Após a participação nos torneios nacionais, no entanto, no qual conseguiu boas campanhas com a terceira colocação no Brasileirão e até às meias-finais da Taça do Brasil, o treinador português pediu demissão do Cruzeiro alegando desgaste com o futebol brasileiro (calendário, logística, arbitragens).

Numa crise de treinadores brasileiros que fez com que uma vaga de técnicos portugueses e argentinos chegassem ao país nos últimos anos, o Brasileirão 2026 terá os últimos três comandantes da Seleção Brasileira pré-Carlo Ancellotti. Fernando Diniz está no Vasco da Gama, onde chegou à final da Taça do Brasil em dezembro, sendo superado pelo Corinthians de outro anterior comandante da seleção, Dorival Júnior.

Já o treinador responsável por orientar o Brasil nos últimos dois mundiais, Tite, foi justo o escolhido para substituir Leonardo Jardim no Cruzeiro. Ao lado de Flamengo e Palmeiras, o clube de Minas Gerais é um dos favoritos a fazer bonito no torneio deste ano, assim como o Bahia, atualmente pertencente ao Grupo City e o próprio Grêmio de Luís Castro que, após bom trabalho no Botafogo e um período na Arábia Saudita, regressa ao país.

E por falar em Botafogo, o clube que tem o norte-americano John Textor como presidente da SAF, terá um conhecido do futebol português enquanto comandante: Martín Anselmi terá seu primeiro trabalho no Fogão após meia época frustrante no Porto em 2025.

O Atlético Mineiro de Jorge Sampaoli é mais um que investiu forte no mercado, tal como o Vasco da Gama e o Fluminense, dirigido por outro argentino, Luís Zubeldía. Os vizinhos brasileiros ainda tem Paulo Pezzolano (Internacional), Juan Pablo Vojvoda (Santos) e Hernán Crespo (São Paulo) representados no torneio. O colombiano Juan Carlos Osorio (Remo) é outro representante estrangeiro.

Memphis Depay levou o Corinthians ao título da Taça do Brasil em 2025.
Memphis Depay levou o Corinthians ao título da Taça do Brasil em 2025.DR

Com alto investimento, treinadores com diferentes ideias e culturas, promessas despontando, como Allan (Palmeiras) ou estrelas europeias como Memphis Depay (Corinthians), o Brasileirão promete seguir um campeonato a ter atenção em 2026. E, claro, há ainda Neymar, no Santos, que, embora não tenha atuado com frequência em 2025, vê um lobby grande em torno de seu nome para uma possível convocação ao Mundial em junho. Para quem quer acreditar no milagre, outro motivo para acompanhar de perto o principal torneio de futebol do Brasil.

nuno.tibirica@dn.pt

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