A véspera do Real Madrid-Benfica, jogo da segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, foi dominada mais pela palavra do que pela tática. As duas conferências de imprensa transformaram-se num prolongamento do jogo da Luz: o caso envolvendo Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior voltou a ocupar o centro da discussão.Sem José Mourinho — castigado após expulsão na primeira mão — foi o adjunto João Tralhão a falar pelo Benfica. O técnico começou por enquadrar o encontro como decisivo: “É uma final e o foco da equipa é total.” Tralhão assumiu que a ausência do treinador principal altera o cenário, mas não a preparação: “Obviamente é diferente, tendo em conta que o nosso líder José Mourinho não estará no banco. Nós, enquanto staff, preparamos todos os cenários para estar ao nosso nível.” A equipa encarnada chega a Madrid em desvantagem, mas convencida de que a eliminatória continua aberta. O adjunto sublinhou que a preparação foi feita normalmente e que o grupo está concentrado apenas no jogo, evitando aprofundar a polémica disciplinar. Questionado sobre Prestianni, optou por não alimentar o tema devido ao processo em curso.Do lado espanhol, a abordagem foi oposta. Álvaro Arbeloa falou longamente sobre o episódio ocorrido em Lisboa e colocou-o numa dimensão mais ampla. “Estamos diante de uma grande oportunidade para marcar um antes e um depois na luta contra o racismo.” O treinador do Real Madrid pediu ação concreta das autoridades do futebol europeu: “A UEFA tem a oportunidade de não deixar isto apenas num slogan.” Apesar da insistência no caso, também abordou o jogo em si: “Espero um Real Madrid muito parecido com o que vimos em Lisboa. Pensamos em ganhar o jogo e passar a eliminatória.”