Assessor jurídico do Benfica detido por suspeitas de corrupção passa a noite na cadeia

Paulo Gonçalves é suspeito de ter subornado funcionários judiciais para obter informações sobre processos

O assessor jurídico do Benfica Paulo Gonçalves foi detido esta manhã por suspeitas de corrupção. Fonte da PJ confirmou ao DN esta detenção bem como de um funcionário judicial e avançou que outras pessoas deverão ser constituídas arguidas.

As detenções, segundo essa mesma fonte, estão relacionada com a passagem de informação sigilosa para o Benfica por funcionários de vários organismos da justiça.

A PJ esteve neste dia a realizar buscas no Estádio da Luz, que terminaram cerca das 18:00.

Segundo a SIC Notícias, Paulo Gonçalves foi entretanto remetido às instalações da PJ, onde vai passar a noite, devendo ser submetido a interrogatório na manhã de amanhã, quarta-feira 7.

Entretanto, a PJ confirma em comunicado a detenção de dois homens, sem referir os nomes, "pela presumível prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal".

A operação, intitulada "e-toupeira", "envolveu cerca de 50 elementos da Polícia Judiciária, um juiz de instrução criminal e dois magistrados do Ministério Público" e implicou a realização de "30 buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa que levaram à apreensão de relevantes elementos probatórios".

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) acrescenta, em informação publicada no site, que foram cumpridos seis mandados de buscas domiciliárias, um mandado de busca a gabinete de advogado e 21 mandados de buscas não domiciliárias. Diz ainda que nas buscas estiveram presentes um juiz de instrução criminal, dois procuradores-adjuntos, inspectores da PJ e peritos informáticos. A PGDL não refere que a sociedade anónima desportiva é a SAD do Benfica.

"Nesta investigação, iniciada há quase meio ano, averigua-se o acesso ilegítimo a informação relativa a processos que correm termos nos tribunais ou Departamentos do Ministério Público a troco de eventuais contrapartidas ilícitas a funcionários", diz a mesma nota da PJ,, segundo a qual os detidos vão ser sujeitos a primeiro interrogatório judicial.

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa acrescenta que "no inquérito indicia-se a prática de acessos por funcionários a diversos inquéritos em segredo de justiça para obtenção de informação sobre diligências em curso, informações que eram depois transmitidas a assessor da administração de uma sociedade anónima desportiva a troco de vantagens".

A terminar, o comunicado da PJ informa que "a investigação prossegue com vista à continuação de recolha de prova e ao apuramento dos benefícios ilegítimos obtidos".

Paulo Gonçalves é, de acordo com a Sábado e o Correio da Manhã, suspeito de ter subornado três funcionários judiciais para obter informações acerca de processos relacionados com o caso dos e-mails.

De acordo com a Sábado, também um técnico de informática do Instituto de Gestão Financeira e Equipamento da Justiça foi detido pela Unidade Nacional Contra a Corrupção da Polícia Judiciária por suspeitas de corrupção passiva.

O Benfica confirma a realização de buscas e a detenção do assessor jurídico do clube, esta manhã por suspeitas de corrupção, mas mantém confiança em Paulo Gonçalves.

"A Sport Lisboa e Benfica SAD confirma a realização de buscas às suas instalações no âmbito de um processo de investigação sobre eventual violação do segredo de justiça e reitera a sua total disponibilidade em colaborar com as autoridades no integral apuramento da verdade", diz um comunicado publicado no site do clube.

"A Sport Lisboa e Benfica SAD manifesta a sua confiança e convicção de que o Dr. Paulo Gonçalves terá oportunidade, no âmbito do processo judicial, de provar a legalidade dos seus procedimentos", acrescenta.

"A Sport Lisboa e Benfica SAD informa que irá pedir com carácter de urgência uma audiência à Senhora Procuradora-Geral da República, pelas reiteradas e constantes violações do segredo de justiça, sobre os processos que envolvem o clube, numa estratégia intencional e com procedimentos fáceis de serem investigados, como hoje foi claramente comprovado", remata.

O diretor de comunicação do FC Porto também já se pronunciou no Twitter.

Paulo Gonçalves tinha sido constituído arguido em outubro na sequência de buscas da Policia Judiciária ao Benfica. Na época, fonte do Benfica indicou que a constituição de arguido a Paulo Gonçalves "não reside em nenhuma suspeita concreta do processo, mas sim das exigências do próprio estatuto da ordem dos advogados que assim determina sempre que um advogado forneça informação num âmbito de um processo".

A 19 de outubro, a PJ realizou buscas no Benfica e nas casas do presidente do clube, Luís Filipe Vieira, e do comentador Pedro Guerra.

Nos últimos meses, o FC Porto tem vindo a revelar, através do seu diretor de comunicação, Francisco J. Marques, uma série de emails ligados a elementos do Benfica e algumas figuras ligadas à arbitragem e à Liga de Clubes, denunciando uma alegada influência do clube 'encarnado' em matéria de arbitragem e no futebol português.

No início de setembro, avançou com uma providência cautelar no Tribunal Cível do Porto, em que pedia que a justiça impedisse o FC Porto de continuar a divulgar emails. E caso o FC Porto não acatasse a deliberação judicial pedia-se pedido o pagamento de um milhão de euros por cada violação da decisão.

Só a 22 de fevereiro, a justiça decidiu a favor do clube da Luz, depois de o Tribunal da Relação do Porto ter dado provimento ao recurso que as águias tinham apresentado sobre o chamado 'caso dos emails', que impedia a divulgação de mais documentos.

Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, afirmou despois que o clube azul e branco vai recorrer para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, na sequência da decisão do Tribunal da Relação do Porto que impede os portistas de revelarem e-mails do Benfica.

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