Benfica à procura de equilibrar as contas com os alemães

Os encarnados venceram oito das 18 eliminatórias da UEFA que disputou frente equipas germânicas. O Borussia Dortmund levou a melhor e é o cliente que se segue...

O Benfica enfrenta amanhã o Borussia Dortmund no Estádio da Luz, naquela que será a primeira de duas batalhas para alcançar os quartos-de-final da Liga dos Campeões. As equipas alemãs têm sido, na realidade, uma dor de cabeça para os encarnados, que em 18 eliminatórias foram afastados em dez ocasiões, das quais quatro tiveram como carrasco o Bayern Munique.

Esta será, por isso, uma excelente oportunidade para o Benfica equilibrar os pratos da balança com adversários alemães, pois se conseguir ultrapassar o Borussia Dortmund ficará apenas com uma eliminatória de desvantagem e, ao mesmo tempo, vingará aquele que foi uma dos maiores pesadelos da história do clube. Isto porque no único confronto entre estas duas equipas, na época 1963-64 para a Taça dos Campeões, o Benfica venceu na Luz por 2-1, num jogo em que além dos golos de António Simões e Eusébio, os encarnados atiraram cinco bolas aos postes da baliza alemã defendida por Tilkovski, que foi abençoado por um autêntico milagre. O pior aconteceu, no entanto, na segunda mão em Dortmund, para onde não viajaram os lesionados Costa Pereira, Germano e Eusébio... Um forte nevão abatera-se sobre o relvado do Estádio Rote Erde e os jogadores benfiquistas não tinham botas apropriadas para o gelo, ao contrário dos alemães. O destino do Benfica ficou traçado nesses oitavos-de-final, quando pouco depois da meia hora de jogo sofreu três golos em três minutos; com as escorregadelas dos portugueses a acumular-se, o Borussia marcou mais dois no início da segunda parte, perfazendo uma impensável goleada de 5-0, a maior sofrida pelos encarnados até então nas provas da UEFA.

Vendaval contra Nuremberga

O único duelo com o Borussia Dortmund foi o segundo do Benfica com equipas alemãs. A estreia fora com o Nuremberga, também na Taça dos Campeões e na caminhada para o segundo título de campeão europeu. Após uma derrota por 3-1 na primeira mão, na Alemanha, num campo coberto de neve e com numa noite errática do guarda-redes Costa Pereira, a Luz encheu-se para assistir a um vendaval ofensivo dos encarnados, que chegaram à goleada por 6-0. Aos quatro minutos, José Águas e Eusébio já haviam igualado a eliminatória, seguiram-se mais quatro golos de Coluna, Eusébio e dois de José Augusto.

Esta foi a primeira vez que o Benfica eliminou um adversário da Alemanha, algo que só voltou a repetir volvidos mais de doze anos, já depois de ter caído aos pés do Dortmund, do Lokomotiv Leipzig e do Voerwaerts (no desempate por penáltis). Foi em 1974-75, para a Taça das Taças, quando o Benfica eliminou o Carl Zeiss Jena com dois empates: 1-1 fora e 0-0 em casa. Valeu o golo marcado por Nené fora de casa para os encarnados seguirem para os quartos-de-final.

Os três duelos seguintes acabaram mal para os da Luz, que foram afastados por Bayern Munique (5-1), Dínamo Dresden e Borussia Mönchengladbach (no prolongamento). Em 1980-81, o Benfica voltava a fazer uma carreira prometedora na Taça das Taças: depois de eliminar o Fortuna Dusseldof, os encarnados falharam o acesso à final frente ao Carl Zeiss Jena. E tudo porque a equipa orientada por Lajos Baroti não conseguiu dar a volta a uma desvantagem de 2-0, tendo ganho apenas por 1-0 na Luz, golo de Reinaldo. Na época seguinte, registou-se o segundo descalabro com o Bayern Munique (4-1)...

Só o Bayern escapa à retoma

Na época 1993-94 iniciou-se um período de recuperação benfiquista diante dos alemães. E logo com um jogo, a contar para a Taça das Taças, que ficou para a história em Leverkusen, onde, após um empate 1-1 na Luz, o Benfica foi arrancar um espetacular empate 4-4, num jogo com várias alternâncias no marcador e que se tornou uma das mais emocionantes noites europeias dos encarnados.

Daí para cá, o Benfica afastou da Europa equipas como o Nuremberga (2007-08), Hertha Berlim (2009-10), Estugarda (2010-11) e de novo Bayer Leverkusen (2012-13). Nos últimos 23 anos, apenas o Bayern Munique se mantém imaculado perante os encarnados, pois neste período levaram a melhor em duas eliminatórias. Em 1995-96 com um novo pesadelo, com derrotas 4-1 na Alemanha e 3-1 na Luz, dois jogos em que Jürgen Klinsmann marcou seis dos sete golos dos bávaros. Na época passada, foi bem mais difícil para a equipa então treinada por Pep Guardiola, que no Allianz Arena venceu por um difícil 1-0, com golo de Arturo Vidal, e em Lisboa conseguiu um empate 2-2, após o qual os jogadores do Bayern festejaram, num claro sinal das dificuldades que sentiram para passar às meias--finais da Liga dos Campeões.

Esta terça-feira, a partir da 19.45, o Benfica tem a missão de continuar este período de retoma frente a equipas alemãs. O Borussia Dortmund é um adversário complicado, mas a boa notícia é que está longe de ser o papão Bayern Munique.

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