Benfica arranca ainda à espera de um substituto à altura de Grimaldo

António Simões e Quim estabelecem os grandes objetivos para 2023/24 e concordam que o clube parte em vantagem face aos rivais diretos, devido à maior capacidade de investimento.
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O Benfica regressa esta quarta-feira ao trabalho, no primeiro dia de uma época em que o principal objetivo é revalidar o título de campeão nacional. Mas também tentar ganhar as outras três competições nacionais (Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça) e chegar o mais longe possível na Liga dos Campeões, fazendo melhor do que os quartos-de-final da temporada passada. Dia 8 ou 9 de agosto será a estreia oficial, diante do FC Porto, em Aveiro, para a disputa da Supertaça.

O único reforço oficialmente anunciado foi o médio-centro turco Orkun Kökçü, contratado ao Feyenoord por 25 milhões de euros (mais 5 milhões por objetivos), naquela que foi a compra mais cara da história do futebol português. No entanto, o Campeão do Mundo argentino Di María também está certo no plantel às ordens de Roger Schmidt, estando a sua oficialização para breve. Neste caso, trata-se do regresso de um jogador que deixou saudades na Luz, depois de uma passagem de sucesso, entre 2007 e 2010.

Em sentido inverso, saiu Grimaldo, um dos jogadores mais decisivos na última época, como provam os oito golos e 14 assistências. O checo David Jurásek, do Slavia Praga, é o substituto provável, pois o húngaro Milos Kerkez, a primeira opção, dificilmente chegará, em virtude das altas exigências financeiras do AZ Alkmaar.

Quanto aos dispensáveis, o Benfica procura colocação para Seferovic e Meité, enquanto o central João Victor, que esteve emprestado ao Nantes em 2022/23, vai tentar convencer Roger Schmidt na pré-temporada. Na mesma situação está o ponta de lança Henrique Araújo, depois de uma cedência sem sucesso ao Watford, enquanto Paulo Bernardo, Tiago Dantas e Tomás Araújo também regressam de empréstimo, mas é pouco provável que fiquem no plantel.

Encontrar um bom substituto para Grimaldo deve ser a principal prioridade do Benfica, de acordo com António Simões, antiga glória do clube. "Grimaldo é uma baixa muito importante, até porque o jogo alterou-se e posições como defesa lateral e guarda-redes, neste caso pela importância de saber jogar com os pés, ganharam outra dimensão. É por isso necessário encontrar um jogador de qualidade que possa aproximar-se do rendimento dele", aponta. Por outro lado, congratula-se pela continuidade do capitão Otamendi, que terminava contrato, mas acabou por renovar.

Apesar de já ter chegado Kökçü para o meio-campo, Simões entende que "talvez fosse positivo que viesse um jogador que soubesse fazer rapidamente a transição defesa-ataque e que fosse simultaneamente bom no passe", mas, diz, "não se afigura fácil encontrar esse futebolista, pois já se sabe que o preço é inflacionado sempre que o Benfica entra em cena, quer nas compras, quer nas vendas".

Quim, antigo guarda-redes das águias, elogia a forma como a nova temporada está a ser preparada, entendendo que "o grande objetivo é revalidar o título de campeão Nacional e chegar mais longe do que na época passada na Liga dos Campeões", algo que, assegura, "realisticamente pode ser alcançado". E tal como António Simões, considera premente a chegada de um bom substituto de Grimaldo, destacando a "grande preponderância ofensiva" demonstrada pelo esquerdino na época transata.

O Benfica já assegurou dois grandes reforços [Kökçü e Di María], ao contrário de Sporting e FC Porto, que têm estado mais discretos. Esta capacidade de investimento do clube da Luz poderá fazer com que consiga cavar um fosso em relação aos dois grandes rivais e ao Sp. Braga? Quim destaca a chegada do seu ex-colega Di María, assegurando que "apesar dos 35 anos ainda se apresenta em grande nível". E defende que "é inegável que o Benfica tem condições financeiras mais favoráveis e parte à frente dos rivais, porque manteve grande parte dos principais jogadores e os reforços estão a chegar cedo".

António Simões é de opinião que as águias "têm conseguido boas investidas de mercado, o que poderá revelar-se decisivo para manter a competitividade na Liga dos Campeões e para começar a posicionar o clube no futuro Mundial de Clubes que, mais tarde ou mais cedo, será uma realidade".

Quanto a possíveis saídas e ao cobiçado Gonçalo Ramos, cujo passe o Benfica fixou em 80 milhões de euros, Quim considera-o "um ponta de lança que faz a diferença, mas caso surja uma proposta irrecusável sairá e certamente que já há possíveis substitutos". António Simões concorda e sublinha que "todos os clubes portugueses são vendedores, daí a importância de fazer um trabalho de excelência na formação, que leve ao desenvolvimento do jogador português e ao aparecimento de grandes talentos".

Rafa é um caso bicudo, terminando contrato em junho de 2024 e exigindo um salário de 3,5 milhões de euros anuais para renovar. "Quem o poderá levar a mal? O clube é que tem de ver se na questão qualidade/preço compensa pagar esse valor", diz Simões. Já Quim pensa que "havia vantagens se surgisse uma boa proposta que levasse à sua saída", mas tem a certeza de que "será um jogador muito útil e profissional a 100% se ficar".

Em todas as pré-temporadas surgem notícias do interesse do Benfica num novo guarda-redes e esta época não é exceção - Bento, do Athletico Paranaense, é o alvo. Simões confessa que esta situação lhe causa "algum incómodo", não entendendo "por que razão Vlachodimos é sempre colocado em causa, pois tem dado conta do recado". Por isso, pede aos responsáveis da SAD que "ou contratem um guarda-redes que seja claramente o número 1, avisando Vlachodimos dessa situação, ou então deixem-no trabalhar à vontade". Já Quim, que sabe bem do que fala a respeito desta posição, considera que será benéfico para o grego ter um concorrente de peso. "Guarda-redes é um lugar muito específico e os jogadores não devem ser deixados muito à vontade. É preciso ter alguém ao lado com nível semelhante", considera.

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