Baile de Neres e hat-trick de Gonçalo Ramos no triunfo do Benfica

Equipa encarnada implacável frente ao (4-1), em jogo da 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Avançado de 21 anos fez história assim que entrou em campo. Segunda mão joga-se dia 9, na Dinamarca.

Com talento individual e bastante trabalho coletivo, o Benfica venceu o Midtjylland (4-1) e deixou a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões bem encaminhada. Gonçalo Ramos foi a grande figura, com três golos, num jogo em que David Neres deu baile aos adversários. O resultado desta terça-feira deixa a equipa encarnada em boa posição para a segunda mão, que se joga no dia 9, na Dinamarca, sendo que a eliminatória cruza no play-off com o vencedor do confronto entre D. Kiev e Sturm Graz.

Roger Schmidt apresentou ontem um onze sem surpresas. Onze do Benfica sem surpresas. Morato foi titular ao lado de Otamendi no centro da defesa e Gonçalo Ramos titular na frente. Há 16 anos que um avançado português não era titular no primeiro jogo da época (desde Nuno Gomes, em 2006). O jovem avançado mereceu a confiança do alemão numa altura em que ainda se fala numa possível saída da Luz e adiantou o Benfica no marcador bem cedo. O camisola 88 dos encarnados beneficiou de um momento de génio de Neres. Se o drible do brasileiro foi curto, o cruzamento foi à medida da cabeça de Gonçalo Ramos que assim marcou o primeiro golo do Benfica da época 2022-23.

Marcou o primeiro e marcou o segundo. Igualmente servido de forma magistral por Neres, o avançado de 21 anos subiu mais alto que a defensiva dinamarquesa para fazer o 2-0, que mostrava uma máquina benfiquista de fabrico alemão bem oleada... ou, pelo menos, suficientemente bem oleada para um vice-campeão dinamarquês sem argumentos para travar o Benfica.

O pé direito de Neres e a cabeça de Gonçalo Ramos (só tinha um golo de cabeça até ontem) faziam a diferença, numa primeira parte de de sentido único em que Enzo fez o 3-0 antes do intervalo, um golo de jogada estudada, que nasceu de uma espécie de canto curto. João Mário descobriu o argentino, que à entrada da área atirou para a baliza sem deixar cair a bola. Uma execução fantástica de Enzo, que resultou num golaço a pedir aplausos das bancadas.

E se Ólafsson foi testado por Gilberto, Rafa e Grimaldo, além de ser batido por Gonçalo Ramos (por duas vezes) e Enzo, Vlachodimos foi para o descanso sem ter sido testado.

O mesmo ator principal no segundo tempo

Apesar de ter mando aquecer toda a gente ao intervalo, Schmidt não mudou nada no regresso dos balneários. E quase nem parecia que houve direito a descanso. O Benfica voltou para o segundo tempo com a mesma atitude e energia do primeiro tempo e com Gonçalo Ramos perto do hat-trick... outra vez num cabeceamento, para defesa de Ólafsson. O camisola 88 viu logo depois frustrada nova tentativa para chegar ao hat-trick.

Mas desistir não faz parte do vocabulário do jovem, que ainda viu Neres atirar à barra antes de ele fazer o 4-0 (a passe de Rafa). Que jogão de Gonçalo Ramos, a justificar as notícias que lhe atribuem um valor de mercado na ordem dos 40 milhões de euros. O avançado tornou-se o terceiro mais jovem (21 anos e um mês) a marcar hat-trick pelo Benfica nas competições europeias, depois de João Félix e Eusébio.

O treinador do Benfica tem centrado atenções no jovem ponta de lança, pedindo-lhe mais diagonais para criar espaço por fora para Neres e Rafa entrarem a rasgar na área e criar os famosos desequilíbrios que valem golos. Uma movimentação diferente daquela que estava habituado na época passada, quando foi utilizado como médio esquerdo e sem essa missão de atrair/distrair os centrais adversários. Hoje, a estratégia resultou na perfeição.

Ramos saiu (depois de falhar o poker) para a ovação de pé dos 52 346 espetadores presentes no Estádio da Luz e para a mudança tática. A vencer por 4-1, depois de sofrer um golo de grande penalidade marcada por Sisto, Schmidt aproveitou para testar o 4x4x2 tradicional em vez do preferido 4x2x3x1. Saíram Gonçalo e Rafa e entraram Henrique Araújo e Yaremchuck e o Benfica teve mais uma ou duas oportunidades para aumentar a vantagem, mas o resultado estava feito.

As águias vão assim à Dinamarca com três golos de vantagem.

isaura.almeida@dn.pt

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